Meio Ambiente

Coleta seletiva: destinação correta agrega valor comercial ao lixo reciclável

Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) foi aprovada em 2010, e desde então o número de cidades do Brasil que fazem coleta seletiva mais que dobrou, com um aumento de 109%.
Porém, apenas 13% dos cidadãos brasileiros têm acesso a esses programas, revela a Pesquisa Ciclosolf 2014, realizado a cada dois anos pelo Compromisso Empresarial para Reciclagem (CEMPRE). O estudo traça um panorama das práticas de coleta seletiva nos municípios brasileiros.
Segundo reportagem publicada na Revista Exame, sobre essa pesquisa, as regiões Sudeste e Sul representam, segundo o estudo, 81% do total de municípios com programas de coleta, enquanto o Nordeste é responsável por 10% do total, o Centro-Oeste representa 7% e a Norte tem a menor taxa de adesão ao programa, com apenas 2% do total.
De acordo com a pesquisa, 80% das cidades utilizam o modelo de coleta porta-a-porta e 45% delas possuem Postos de Entrega Voluntária.
O modelo porta-a-porta é o adotado em Adamantina. Para a Prefeitura de Municipal, a coleta seletiva está consolidada no município. A cidade foi pioneira nas ações nesse segmento, na microrregião, ao implantar a coleta seletiva com um recolhimento semanal, às quintas-feiras. Nos demais dias da semana (segunda, terça, quarta, sexta e sábado), são recolhidos os lixos orgânicos.
De acordo com a Prefeitura, a adesão da campanha é maior nos bairros residenciais. A área central da cidade apresenta problemas em aderir 100%, o que ainda exige esforços do poder público para superar esse desafio.
Outras ações mais efetivas sobre a coleta seletiva exigem investimentos, assim como a instalação de usina de Resíduos da Construção Civil (RCC).

Lixo mínimo e responsabilidades compartilhadas

Nesse desafio, o ideal para manter uma harmonia entre o meio ambiente e a população seria não gerar resíduo – o que é uma lógica impossível – ou reduzir para o mínimo possível. O conjunto de ações deveria envolver o poder público, indústrias com responsabilidade de projetar embalagens e produtos com objetivo de minimizar o impacto ambiental, facilitar a logística reversa – onde o gerador se responsabilize em recolher, reciclar e ou dar a disposição final do resíduo, entre outas ações. Porém, é um desafio que não depende exclusivamente de uma vontade ou decisão local. É uma dinâmica, ampla e complexa cadeira que precisariam adotar uma nova postura.

 

Coleta seletiva agrega valor comercial ao lixo reciclável e reduz danos ambientais. Na imagem, fardos de plástico triados pela Usina de Lixo de Adamantina (Foto: Acácio Rocha).Coleta seletiva agrega valor comercial ao lixo reciclável e reduz danos ambientais. Na imagem, fardos de plástico triados pela Usina de Lixo de Adamantina (Foto: Acácio Rocha).
Nesse sentido, a Prefeitura cita um exemplo de boas práticas e parceria, que tem dado certo em Adamantina. Trata-se de um convênio para a destinação e pneus, onde a Prefeitura criou um ponto de recolhimento, o convênio faz o transporte para a reciclagem e destinação final deste produto, dentro dos parâmetros ambientais.
Ainda de acordo com a Prefeitura, a educação ambiental desde a infância, associada aos pais, também é importante chave para melhorar a coleta seletiva, reiterando assim a responsabilidade individual e coletiva em depositar o material orgânico às segundas, terças, quartas, sextas e sábados, e  o reciclável às quintas-feiras.

Novas atitudes na origem

Para a pesquisadora Isabel Cristina Gonçalves, o ser humano precisa entender que é um produtor de lixo, que é o responsável por este sério problema social e cultural. “Este manejo ambiental saudável dos resíduos deve ir muito além do reaproveitamento ou de um depósito seguro, mas também atacar a cultura consumista, os padrões não sustentáveis de produção e consumo”, argumenta.
Isabel é adamantinense, oceanógrafa, Mestre em Educação e Doutora em Educação Ambiental. Atualmente trabalha como pesquisadora no se pós-doutoramento pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). Em 2000 defendeu sua dissertação de mestrado na Universidade Federal do Rio Grande tendo como tema a Usina de Reciclagem e Compostagem de Adamantina.
Isabel propõe, com destaque, a importância de uma nova atitude na população. “A separação do lixo orgânico do inorgânico em casa é imprescindível para o processo de reciclagem. Uma vez misturados, dificultam o processo de “garimpagem” na triagem do lixo, além de reduzir seu valor comercial, pois o lixo reciclável sujo vale bem menos que o limpo e a limpeza do material encarece o produto”, explica. “Por exemplo, é muito mais caro reciclar uma latinha de alumínio jogada fora com lixo úmido porque será preciso separá-la e lavá-la. Toneladas de papel são perdidos porque ele fica sujo ao ser jogado fora com restos de comida. Portanto, o ideal é a que a limpeza e a separação sejam feitas na origem”, defende.
Para Isabel, é imprescindível na gestão de resíduos sólidos da cidade que haja um trabalho integrado entre secretarias da educação, saúde, meio ambiente e planejamento, entre outras para que este tema seja trabalhado de forma inteligente e integrada, e que seja uma política pública do município. “Além disso, a criação de centros de triagem e cooperativas dará emprego e dignidade para diversas pessoas (que receberão apenas o lixo limpo), para tanto é imprescindível que haja vontade política e, claro, a coleta seletiva de lixo, com caminhões destinados para apenas este fim e não os utilizados para a coleta diária de lixo”, completa.

Estrutura local de reciclagem

A Usina de Lixo de Adamantina, inaugurada em 1989, é a principal estrutura de recepção de materiais recicláveis descartados no lixo por residências e empresas, na cidade. É uma estrutura que requer investimentos e modernização, para que tenha sua capacidade de atuação ampliada, e por consequência, ampliando o aproveitamento de resíduos recicláveis com incrementos diretos nas receitas públicas, que por sua vez poderiam ser incorporadas ao Fundo Municipal do Meio Ambiente e reinvestidas na área.
Outro ganho é ambiental, e também econômico: com maior aproveitamento de recicláveis, reduz-se, de imediato, o volume de materiais descartados no aterro, com impacto ambiental positivo, além de ampliar a vida útil dessa estrutura e minimizar ou retardar os investimentos financeiros para aquisição de novas áreas.
Por força da destinação de recursos federais, essa dinâmica da coleta seletiva tende a ser ampliada coma melhor estruturação operacional. Um recente projeto de lei de autoria da Prefeitura Municipal, aprovado pelos vereadores, prevê a utilização de R$ 713.138,20, por meio de convênio com o Governo Federal, para construção de barracão de coleta seletiva de lixo na Usina de Reciclagem em Adamantina.
Além do espaço físico e equipamentos, a proposta prevê um projeto técnico-social para a inserção de catadores no sistema de cooperativismo, paralelo a um conjunto de ações de conscientização da população.

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Fonte de apoio: Revista Exame

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Meu nome é Vagner Liberato, sou carioca e vivo no Rio de Janeiro. Formei-me em Administração de Empresas e sou um apaixonado por conteúdo sustentável. Desde 2015 faço o Meio Ambiente Rio com maior prazer! Para falar comigo, entre em contato pelo email: contato@meioambienterio.com

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1 Comentário

  1. Juan Ignacio disse:

    A problemática do lixo é mundial. Mesmo assim é interessante sua separação, mas a valorização do produto vai estar dada pela oferta deste mesmo produto no mercado. Exemplo: sim você limita o mercado dos fertilizantes químicos é logico que o fertilizante orgânico gerado pelo lixo vai tomar valor, portanto a reciclagem tomaria mais força. Mas desde que o fertilizante químico concorra com o orgânico ao menor preço ninguém vai tomar cuidado de reciclar. Mesmo não é só uma questão de preço é também uma questão de disposição do produto. A embalagem acontece mesma coisa, desde que o polietileno reciclado concorra com a virgem no mercado, sim a diferencia de preço não é significativa o lixo não adquire valor comercial. Isto desde o ponto de vista da reutilização, mas também pode ser utilizado matérias biodegradáveis como plástico hidrossolúvel http://www.plasticohidrosoluble.com ou bem Infhidro oxibiodegradaveis. No caso não é necessário reciclar o lixo, si não deixar ele no aterro decompor.

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