Meio Ambiente

‘Slow Food’ prega alimentação livre de agrotóxicos e fertilizantes sintéticos

A filosofia de boa alimentação afirma que o que comemos deve ter bom sabor, deve ser cultivado de maneira limpa, sem prejudicar nossa saúde, o meio ambiente ou os animais

“O que comemos deve ter bom sabor, deve ser cultivado de maneira limpa, sem prejudicar nossa saúde, o meio ambiente ou os animais, e os produtores devem receber o que é justo pelo seu trabalho”. Essa é a filosofia defendida pelo “Slow Food” (comida lenta), movimento internacional fundado em 1986, na Itália, cuja proposta é contrária a do Fast Food (comida rápida).

Com o movimento Slow Food é possível promover os produtos regionais

Com o movimento Slow Food é possível promover os produtos regionais (Antônio Menezes)

O zootecnista Carlos Demeterco conheceu o movimento em um encontro da Rede Jovem Slow Food, durante a Exposição Universal de Milão 2015, na Itália. Na ocasião, ele conta que ficou encantado com a ideia porque os princípios defendidos pelo Slow Food vêm de encontro com o trabalho que ele desenvolve no mestrado em Agricultura do Trópico Úmido (ATU) do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI).

Agora, o objetivo dele é fazer parte do Slow Food em Manaus e reunir pessoas que têm a mesma ideia de alimentação saudável e, no futuro, promover atividades com a filosofia do movimento. Conforme Demeterco, assim como ele, outros alunos do curso de Agricultura no Tropico Úmido, tem como objeto de estudo os produtos da agricultura familiar da Amazônia e que têm tudo a ver com a ideia do Slow Food.

Para o zootecnista, com o Slow Food será possível promover os produtos regionais e resgatar aqueles que estão em vias de desaparecimento por falta de incentivo à produção. Ele finaliza contando que o Slow Food prega uma alimentação saudável, livre de agrotóxicos, fertilizantes sintéticos ou variedades transgênicas. “Desde 2008, o Brasil é o maior consumidor de agrotóxico. Cada brasileiro consome em média seis litros de agrotóxico por ano a partir do consumo de alimentos tradicionais e isso acarreta em várias doenças, inclusive em câncer”.

À procura do novo mercado ‘slow food’

O economista Maurizio Fraboni é ativista há mais de 20 anos do Slow Food em Manaus. Ele, que é italiano, conta como o movimento chegou à capital amazonense. “O povo sateré-mawé tem um projeto integrado de desenvolvimento que importa guaraná para a Itália. Uma ONG falou desse projeto para o pessoal do Slow Food, que estava começando a criar fortalezas internacionais de comunidade de alimento, e o sateré foi uma das primeiras 23 fortalezas no mundo criada pelo movimento. Isso foi em 2000 e eu atuei fazendo a ponte”, relata.

Fraboni é consultor da Associação de Consultoria e Pesquisa Indianista da Amazônia (Copiama) e ressalta que o Slow Food funciona como uma associação. Em Manaus, há aproximadamente 20 pessoas que fazem parte do Convívio. Para participar do movimento é preciso se associar e a pessoa pode fazer isso no site do Slow Food no Brasil (http://www.slowfoodbrasil.com).

“Nós procuramos nos reunir para desenvolver alguma atividade na direção desses valores. Por exemplo, estamos tentando conseguir mercado para a alimentação saudável para que possamos valorizar a pouca alimentação de qualidade de produtos locais que temos visto que ainda não tem muita produção orgânica e participativa na região”, afirma.

Amostras

O mestrando do Inpa Carlos Demeterco participou do evento “Terra Madre Jovem – Nós Alimentamos o Planeta”, organizado pela Rede Jovem Slow Food, entre os dias 3 a 6 de outubro, em função da pesquisa de mestrado intitulada “Proposta de certificação para mel de Melipona seminigra para o Estado do Amazonas”.

Demeterco levou para a Exposição Universal amostras do mel produzido pela Cooperativa dos Criadores de Abelhas Indígenas da Amazônia em Boa Vista do Ramos (Coopmel), um dos focos de estudo do mestrando; o café agroflorestal produzido em Apuí (estudo do mestrando Vinicius Figueiredo), além das geleias de cubiu e de sapota (da mestranda Helen kássya Araújo).

Blog: Rogério Cunha

Proprietário da Loppiano Pizza

“Recentemente fui a um congresso em São Paulo e conheci uma chef de cozinha paulista. Falei que tinha ganhado umas sementes importadas de manjericão e pensado em fazer uma horta na Loppiano, aí ela falou pra gente aderir ao Slow Food que tinha tudo haver com nossas ações. Quando cheguei, pesquisei sobre o movimento e fiquei encantado com a proposta deles. Agora estamos entrando neste movimento. Escolhemos fazer parte do Slow Food porque ele apoia um alimento bom, limpo e justo e isto está de acordo com os valores da Loppiano Pizza”.

Com as informações A Crítica

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Vagner Liberato

Meu nome é Vagner Liberato, sou carioca e vivo no Rio de Janeiro. Formei-me em Administração de Empresas e sou um apaixonado por conteúdo sustentável. Desde 2015 faço o Jornal Sustentabilidade com maior prazer! Para falar comigo, entre em contato pelo email: contato@meioambienterio.com

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