Meio Ambiente

Saneamento rural integra discussão sobre adoção de tecnologias sociais para o Semiárido paraibano

O sistema de saneamento básico para a área rural, desenvolvido pela Embrapa Instrumentação (São Carlos – SP), é uma das soluções tecnológicas que poderão ser implementadas no Semiárido paraibano para promover o desenvolvimento sustentável da região. Essa é a decisão que o secretário de Agricultura Familiar e Desenvolvimento do Semiárido da Paraíba (SEAFDS), Lenildo Morais, pretende tomar nesta segunda-feira, dia 16, no seminário que vai discutir a adoção de tecnologias sociais no estado.

A definição das alternativas tecnológicas para a região ocorrerá logo após a realização do painel “rodada de oportunidades”, última atividade do seminário, que deverá contar com representantes do Governo do Estado da Paraíba, da Embrapa, do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS),  do Banco do Nordeste (BNB) e do  Fundo Social do  Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

O evento é organizado pela SEAFDS em parceria com a Embrapa Algodão (Campina Grande – PB), onde será realizado o seminário. De acordo com Morais, as tecnologias para saneamento básico rural precisam ser difundidas no Nordeste pelo impacto social, econômico e ambiental que trazem para a sociedade.

Um estudo realizado por pesquisadores da Embrapa Instrumentação e da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP demonstrou que a cada R$1,00 investido na implementação da Fossa Séptica Biodigestora, uma das tecnologias que compõem o sistema, R$ 4,69 retornam para a sociedade, principalmente, na economia de recursos para tratamento de infecções causadas por doenças diarreicas. Mais de 10 mil unidades da tecnologia já foram instaladas em todo território brasileiro.

Pedro Hernandes – Fossa Séptica Biodigestora, tecnologia que pode ser adotada no Semiárido paraibano

“Vamos nos esforçar para captar recursos e trazer para a região tecnologias como essas, que além de amenizar doenças, gera insumos para ser utilizado pelo agricultor para adubar a sua lavoura” diz o secretário que acredita ser altíssimo o déficit de saneamento básico na área rural do Semiárido, assim como nas demais regiões do país.

Durante o seminário também serão apresentas outras soluções tecnológicas, como o sistema Barraginhas, da Embrapa Milho e Sorgo – que já trabalha com a Fossa Séptica Biodigestora, Sisteminha integrado alternativo para a produção de alimentos, da Embrapa Meio-Norte, e experiências da própria Embrapa Algodão para o Semiárido.

Tecnologias sociais

O engenheiro civil, com mestrado em Saneamento & Meio Ambiente da Embrapa Instrumentação, Carlos Renato Marmo, fará a apresentação do sistema, que ainda conta com o Clorador Embrapa e Jardim Filtrante. Para ele, a iniciativa de realizar a discussão para adoção de tecnologias sociais já mostra a disposição de todos os atores envolvidos em melhorar a qualidade de vida da população daquela região, principalmente dos agricultores familiares que, no país, são responsáveis por mais de 80% das propriedades no campo.

Baseado em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2013, Marmo informa que na área rural do país vivem cerca de 30 milhões de habitantes, ou 15% da população brasileira, dos quais 22% usam Fossa Séptica; 50% a fossa rudimentar e 14% defecam ao ar livre, o que representa 4,5 milhões de pessoas. De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), o saneamento em área rural brasileira é pior que em alguns países africanos.

Fossa Biodigestora Biodigestora

A montagem de um conjunto básico da tecnologia, projetado para uma residência com cinco moradores, é feita com três caixas d´água de 1000 litros (fibrocimento, fibra de vidro, alvenaria, ou outro material que não deforme), tubos, conexões, válvulas e registros. A tubulação do vaso sanitário é desviada para a Fossa Séptica Biodigestora, onde o esgoto doméstico, com o auxílio de um pouco de esterco bovino fresco, é tratado e transformado em adubo orgânico pelo processo de biodigestão anaeróbia.

As caixas devem ficar semienterradas no solo para que o sistema tenha um isolamento térmico e, assim, não ocorram grandes variações de temperatura. A quantidade de caixas deve aumentar proporcionalmente ao número de pessoas na família.

 

Clorador Embrapa

Desenvolvido com criatividade e economia por pesquisadores da Embrapa Instrumentação e Embrapa Pecuária Sudeste, o equipamento pode ser montado pelo próprio usuário a um custo muito baixo. Basta adquirir registros, torneira, tubulação e cloro granulado, preferencialmente estabilizado, que normalmente contém 60% de cloro ativo. O Clorador é instalado entre a tubulação que recolhe a captação da água e o reservatório. Em uma hora, toda água da residência estará isenta de germes e pronta para ser consumida.

 

Jardim Filtrante

A tecnologia complementa o sistema de saneamento básico na área rural. O Jardim Filtrante (conhecido como área alagada artificial ou wetland) é para tratamento da água cinza, aquela da pia, cozinha, chuveiro e tanques, não tratada pela Fossa Séptica Biodigestora.

É similar a um pequeno lago impermeabilizado com geomembrana de polietileno de alta densidade ou equivalente, protegida por manta de bidim, coberta de brita e areia grossa. Plantas macrófitas aquáticas, como copo de leite, lírio do brejo retiram os nutrientes da água cinza para depurá-la, promovendo simultaneamente o tratamento do esgoto e o reuso da água.

 

Joana Silva (MTB 19554)
Embrapa Instrumentação

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Vagner Liberato

Meu nome é Vagner Liberato, sou carioca e vivo no Rio de Janeiro. Formei-me em Administração de Empresas e sou um apaixonado por conteúdo sustentável. Desde 2015 faço o Jornal Sustentabilidade com maior prazer! Para falar comigo, entre em contato pelo email: contato@meioambienterio.com

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