Meio Ambiente

Fórum apresenta os desdobramentos do Objetivo Urbano da ONU para o Brasil

Evento organizado pela SDSN Brasil traz para o centro da discussão o papel do poder público e da sociedade civil na construção de cidades mais sustentáveis

 

A implantação do Objetivo Urbano da Organização das Nações Unidas (ONU) foi o foco das discussões realizadas durante o Fórum SDSN – Cidades sustentáveis, realizado na última quinta-feira (12/11), no Rio de Janeiro. O evento, que ocorreu logo após a chancela da ONU para os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), foi o primeiro passo para aproximar a temática da realidade brasileira e traçar caminhos para a construção de cidades mais inclusivas, resilientes e conectadas. A iniciativa, comandada pela Sustainable Development Solutions Network (SDSN Brasil – Rede de Soluções para o Desenvolvimento Sustentável) ocorreu a partir da apresentação de projetos já implantados na capital fluminense e região metropolitana, demonstrando a importância de uma atuação conjunta do poder público e da sociedade civil na construção de espaços mais sustentáveis.

Objetivo Urbano da ONU

Objetivo Urbano da ONU

Essa aproximação com a realidade local é fundamental para que os objetivos da ONU sejam alcançados, é o que lembrou o diretor executivo da SDSN Global, Guido Schmidt-Traub. “Precisamos focar na implementação dos ODS. Eles são complexos por que o mundo é complexo. Precisamos adaptar esta agenda para cada região, país e cidade. E, mais importante, esta agenda será bem sucedida se for vista como responsabilidade de cada um. A ONU dará suporte, mas deve ser uma agenda local”, reforçou.

 

Ao todo, são 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, que tratam de temas como a erradicação da pobreza, igualdade de gênero e redução da desigualdade. A SDSN Brasil é responsável por divulgar e apoiar ações voltadas para o cumprimento do ODS 11, que comtempla o desenvolvimento urbano.

 

E, foi neste contexto que Israel Klabin, presidente do Conselho de Liderança da SDSN Brasil, lembrou que a sinergia entre as cidades deve ser fortalecida em prol do Objetivo Urbano da ONU. “As metrópoles contemporâneas adquirem funções similares a uma cidade-estado. Formam uma rede de cidades globais que impulsionam cultura e economia, nas escolas locais, nacionais e globais. Conseguir universalizar tais avanços é crucial para encaminhar a sociedade em uma direção mais sustentável. A SDSN e os ODS se propõem a desempenhar tal papel e devem receber o apoio e contribuição de todos os envolvidos”, ressaltou.

 

Após a chancela dos ODS pela ONU, em setembro, um novo caminho foi aberto: “Agora a gente se debruça sobre um novo desafio que é implementar o Objetivo do Desenvolvimento Sustentável 11. O que está sendo desenvolvido no Rio de Janeiro deve ser desdobrado para o restante do país porque construir uma urbanidade mais humana é o maior desafio que temos. Vislumbramos cidades mais inclusivas, conectadas e resilientes. E, para isso, contamos com o apoio da sociedade, representada por meio das instituições públicas, privadas e terceiro setor, para o avanço e sucesso desta iniciativa”, destacou Rodrigo Medeiros, chair da SDSN Brasil e vice-presidente da CI-Brasil.

 

Na mesma linha, Marco Simões, diretor executivo da SDSN Brasil, lembrou que o apoio dos mais diversos segmentos é fundamental para que os indicadores da ONU sejam contemplados. “O ODS 11 direciona a SDSN Brasil a catalisar toda a pujança cultural, econômica e financeira das regiões metropolitanas para fundamentar o avanço em escala global. Nossa rede no Brasil já tem parceiros e pensamento com potencial de abrir o caminho. E já começamos a transformar esse potencial em realização.”

 

Rio como palco – A escolha do Rio de Janeiro e região metropolitana para o início das atividades da SDSN Brasil não foi por acaso. A decisão passa pelo fato de a cidade estar em pleno processo de transformação urbana, com ações de mobilidade, revitalização das áreas degradadas e economicamente estagnadas, além do momento de visibilidade internacional com as Olimpíadas e eventos mundiais. Por isso, durante o Fórum, Laudemar Aguiar, coordenador de Relações Internacionais da Prefeitura do Rio de Janeiro, trouxe um pouco do legado dos jogos olímpicos.

“Na área de mobilidade, por exemplo, investimos na integração de vários modais de transporte: estamos implantando o BRT, o Veículo Leve sobre Trilho (VLT) na região do Porto Maravilha e ampliando as linhas de metrô. As Olimpíadas reforçaram o desafio que temos em apresentar soluções para os problemas da cidade. Como legado dos jogos, estamos atuando para construir uma cidade mais inclusiva, resiliente e conectada”, disse Aguiar.

A necessidade de se atentar aos impactos do crescimento desordenado dos grandes centros foi um dos pontos abordados por Verena Maier, da Agência Federal Alemã para a Cooperação Internacional (GIZ). “A cada segundo, dois novos habitantes chegam à área urbana. E isso acaba gerando um crescimento de forma desordenada. Ao pensar em cidades, precisamos considerar toda a região metropolitana e aspectos como mobilidade, desigualdade, informalidade e exclusão. A cooperação é fundamental”, disse.

 

Seguindo o mesmo raciocínio, Holger Kuhle, gerente da SDSN Global, lembrou que as buscas por novas soluções e oportunidades de melhoria devem ser contínuas. “A SDSN não busca apenas gerar conhecimento, mas sim apresentar soluções. O Brasil é uma superpotência que, graças à diversidade, produz boas soluções para problemas hoje enfrentados em todo o mundo. Convido todo o Rio de Janeiro a aproveitar as oportunidades e ampliar as discussões de governança metropolitana para que as mudanças sejam cada vez mais robustas”, completou.

 

Projetos e iniciativas – Os apontamentos sobre os caminhos para a implantação do ODS 11 no Brasil foram norteados a partir dos projetos-âncora da SDSN Brasil: MegaRio, que está ligado ao eixo de Resiliência e foi apresentado por Rodrigo Medeiros, Pacto do Rio, do eixo de Inclusão e representado por Paulo Speroni e Mobilidade Urbana, projeto abordado por Ana Nassar e que integra o eixo de Conectividade.

 

Na ocasião, Angélia Faddoul, gerente de informações da Secretaria Nacional de Habitação do Ministério das Cidades apresentou o papel do IBGE para a definição dos indicadores no âmbito do Mercosul. A iniciativa, que está ligada ao quarto eixo de trabalho da SDSN Brasil (Pesquisa e Indicadores), liderou um estudo prévio sobre o ODS 11, suas metas e indicadores que geraram uma posição oficial de todos os países do Mercosul em relação aos ODS.

 

A partir dessas apresentações, foram organizados grupos de trabalho, onde, as temáticas centrais (Resiliência, Inclusão e Conectividade) nortearam a apresentação de outros projetos que ocorrem na cidade do Rio e região metropolitana. O material originará um documento que será usado como base para a implantação da ODS 11 em todo território nacional. “Os grupos de trabalho formados aqui no Fórum são apenas os primeiros passos de uma forte conexão, pois essa discussão será

Sobre o autor | Website

Meu nome é Vagner Liberato, sou carioca e vivo no Rio de Janeiro. Formei-me em Administração de Empresas e sou um apaixonado por conteúdo sustentável. Desde 2015 faço o Meio Ambiente Rio com maior prazer! Para falar comigo, entre em contato pelo email: contato@meioambienterio.com

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