Meio Ambiente

PSEUDOCIÊNCIA DO CLIMA DO CO2: ABAIXO DE ZERO

ERNANI SARTORI 

Cientista

Cilindros de gelo com suas bolhas de ar têm sido usados para obter, dizem eles, climas (aquecimentos/resfriamentos) de centenas ou milhares de anos atrás e também para dizerem que temperaturas têm relação irrestrita com níveis de CO2.

Vamos ver, à luz da física, se isso tem validade mesmo. Os cilindros de gelo são extraídos nos pólos e em outros lugares congelados do planeta através de perfuratrizes ocas, mecânicas ou térmicas, que liberam muito calor para as amostras e estas são transportadas a laboratórios por veículos e, assim, sofrem influências dos respectivos ambientes, temperaturas e manipulações, as quais transferem calor para os cilindros de gelo. Nos laboratórios as amostras são fracionadas e armazenadas, cujas manipulações mudam as condições originais do gelo. Ainda mais, se no verão a temperatura superficial das geleiras fica acima do ponto de congelamento da água, quaisquer registros dos cilindros ficam completamente inutilizados, porque a água de derretimento se infiltra no gelo. Além da introdução de tantos erros científicos e de muitos outros (como influências dos fluidos usados nas perfurações, despressurização, diferenças nos métodos e procedimentos de análises, etc) nos resultados, vamos ver se os cilindros de gelo podem ser ou não um meio válido para determinar temperaturas dos longínquos passados e relações com o CO2.

Como a natureza do gelo é altamente dependente e sensível à temperatura e calor, por favor, respondam: qual material sólido, tijolo ou gelo, conduz calor mais rápido? Quem respondeu “tijolo” deu a resposta e… e… e… e… errada! A condutividade térmica (k) do tijolo comum a 25 ºC é 0,60 W/mK e o k do gelo (- 25 ºC) é 2,45 W/mK. Esses números indicam que menos ou mais calor, respectivamente, é conduzido num mesmo tempo. Quem descarrega mais sacos de um caminhão num mesmo tempo, descarrega o caminhão mais rápido, ou seja, o gelo conduz calor cerca de 4,1 vezes mais rápido do que o tijolo! Por essa ninguém esperava, não é? Tá bom, vou dar mais uma chance: quem conduz calor mais rápido, asfalto ou gelo? Quem falou “asfalto” deu a resposta e… e… e… e… errada! O k do asfalto é 0,75 W/mK. E o da areia seca é 0,15-0,25 W/mK. A areia seca é até usada como isolante térmico em situações de baixo custo, por causa de seu baixo k.

Para ilustrar melhor essa questão, vamos ver o caso da maçaneta de metal e da porta de madeira. As pessoas tocam a maçaneta e sentem aquele friozinho e consideram que isso é devido a uma temperatura mais baixa da maçaneta. Na verdade, não é. Ambos os materiais estão à mesma temperatura. O que acontece é que o metal conduz (retira) calor da mão e o transfere para a maçaneta muito rapidamente e, por isso, resulta aquele friozinho. Basta conhecer o k desses materiais. O k do alumínio puro a 25 ºC é 240 W/mK enquanto o da madeira a 25 ºC é 0,16 W/mK, ou seja, o alumínio conduz calor cerca de 1500 vezes mais rápido do que a madeira. Outros metais também têm k elevados. Como vemos, certas noções da população são muito enganosas e nem sempre a voz do povo é a voz de Deus. Tijolos absorvem mais radiação solar (absortividade de onda curta = 55%) do que o gelo (31 %), mas eles são 4,1 vezes mais lentos do que o gelo para transferir para suas espessuras o calor recebido. Uma parede comum de cerca de 20 cm de espessura demora cerca de 4 horas para conduzir de um lado para o outro o calor recebido. Então, uma parede de gelo de mesma espessura necessitaria cerca de uma hora para transferir a mesma quantidade de calor de um lado pro outro.

Portanto, o calor acumulado, temperaturas e suas variações em cilindros de gelo supostamente sendo de centenas ou milhares de anos atrás, na verdade podem ser de algumas horas ou dias atrás apenas. E as propriedades do gelo variam conforme o calor ganho durante seus transportes e manipulações. Além disso, na condução de calor que depende do tempo (cronológico), as temperaturas variam em qualquer tempo e em qualquer posição dentro do objeto. As variações de temperaturas podem ocorrer dentro do corpo como resultado de uma nova fonte ou nova adição de calor subitamente introduzida (por força da radiação solar, manipulações e outros fatores), fazendo variar as temperaturas do mesmo com o tempo. Isso tudo indica que as temperaturas dos cilindros de gelo não têm relação direta nem precisa com níveis de CO2 acumulados em bolhas de eras passadas ou presentes. As massas de ar aprisionadas em bolhas em cilindros de gelo podem ser antigas, mas as respectivas temperaturas não são. Além disso, calor flui, não fica armazenado por longo tempo. Ou seja, mesmo que as medidas sejam indiretas através de isótopos, qualquer marca deixada nos cilindros pela passagem de calor pode ser recente e não antiga, pois o calor flui tanto por camadas recentes quanto por antigas.

Além disso, as curvas típicas de cilindros de gelo são obtidas por “modelos” empíricos e incompletos (não podem prever todas as variáveis e variações dos fenômenos naturais) e errados fisicamente (porque são empíricos) e não por medições diretas, o que é uma aberração. As próprias “identificações” de datas e profundidades dos cilindros não são exatas nem confiáveis, pois há muitos erros e incertezas, conforme artigos científicos publicados.

Essa falta de confiabilidade também pode ser vista apenas olhando-se as curvas típicas de cilindros de gelo que apresentam comportamentos extraordinariamente uniformes até nos detalhes. Um exemplo é a Fig. 1, o gráfico dos cilindros de gelo mais famoso, onde a curva de cima corresponde às temperaturas e a do meio aos níveis de CO2, ambas ao longo de milhares de anos até o presente, da esquerda pra direita. Devido à semelhança entre essas duas curvas, a turma do clima do CO2 diz que se trata da influência desse gás na temperatura. Mas, essa “coincidência” é formidável, até mesmo nos mínimos detalhes, só que a natureza não se comporta tão regular e exatamente assim, inda mais com a ocorrência de tantas incertezas, o que pode indicar manipulação. E, de acordo com essas curvas, o CO2 e sua radiação são responsáveis por 100% da temperatura do ar, só que não é assim!

Fig 1

Fig. 1

E é também interessante notar a própria e espetacular incoerência dessa turma. Eles dizem que hoje em dia tem um aquecimento global que é causado por emissões de CO2 por atividades humanas recentes. Porém, observando as próprias curvas fornecidas por eles, verifica-se que há milhares de anos atrás havia (no caso dessas curvas) aquecimentos maiores do que o suposto de hoje. Então, como naquelas eras não havia emissões de CO2 causadas por atividades industriais e/ou energéticas e veiculares, eles ficam sem argumentos para propalarem que um aquecimento global de hoje é devido ao CO2 por atividades humanas. Além disso, a “previsão” dessa turma é a de um aumento de 2 ºC para 2100, mas, encontra-se acréscimos maiores do que esse nas curvas dessas eras passadas. Assim, ou o aquecimento global de hoje devido ao CO2 não existe, ou essas curvas dos cilindros de gelo não são verdadeiras, ou os dois casos.

Verifico claramente em todas minhas análises, como demonstro nos artigos, por exemplo, que a pseudociência do clima do CO2 é puramente empírica, não tem ‘background’ teórico suficiente, não passa por simples crivos científicos e não tem ciência convincente, além de recorrer a manipulações (como já comprovado através do Climategate, do “taco de hóquei”, do NASAGATE, etc). E, apesar disso, faz tanto barulho!

E por sua natureza de fazer previsões meteorológicas de curto prazo essa turma resolveu fazer “previsões” do clima de longo prazo, mas não se arrisca a fazer previsões e afirmações sobre o clima de curto prazo e quando tenta se dá mal (ex.: suas “previsões” para o período 2000-2009 não conferiram com a realidade, além de outras) e, por isso, as jogam para 2100 ou mais. No entanto, mesmo com tantos erros científicos e incertezas em sua “ciência”, faz “previsões” com variação de apenas meio grau Celsius e ainda para um século à frente. E como se algumas toneladas de CO2 a mais ou a menos fossem garantir meio grau de diferença, como se essa relação fosse exata e única. Como o que essa turma faz no presente em relação à teoria (que dá os rumos corretos) está repleto de erros científicos e de incertezas, essa turma não pode acertar nada para o futuro também. Mesmo assim, o mundo vai atrás, porque não conhece e não dá chances à verdadeira ciência e apenas segue o poder político vigente. É hilário e trágico ver o mundo inteiro marchar enfileirado e seguir tais “lideranças”!

Além de todos esses, o entendimento relevante é saber se o ser humano pode interferir no clima aqui-agora independentemente de eras ancestrais (que não garantem nada) e de variações da radiação solar, como sempre tenho demonstrado em artigos nacionais e internacionais.

Conceituações que geram mais incertezas do que convicções, como é a característica dos empíricos do CO2, devem ser deixadas de lado, mas, infelizmente, essa turma e sua total falta de ciência verdadeira não fazem isso porque não conhecem o rumo certo e porque comandam o mundo não importa o que digam.

Sobre o autor | Website

Meu nome é Vagner Liberato, sou carioca e vivo no Rio de Janeiro. Formei-me em Administração de Empresas e sou um apaixonado por conteúdo sustentável. Desde 2015 faço o Meio Ambiente Rio com maior prazer! Para falar comigo, entre em contato pelo email: contato@meioambienterio.com

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