Meio Ambiente

Livro debate eficácia dos indicadores de sustentabilidade e como serão medidos os impactos das olímpiadas para a cidade do Rio

A população do Rio vai ter história de sobra para contar após a festa de encerramento das Olimpíadas 2016. Mas como medir o efeito real deste evento para a cidade? O quanto essas iniciativas e intervenções foram de fato sustentáveis? Para ser sustentável, deve se considerar os impactos de longo prazo das obras na população local. Olhar qual o efeito desse legado depois de, por exemplo, dez anos.

Editora do livro “Indicadores de Sustentabilidade na Prática”, que será lançado no próximo dia 10 de março, no Rio de Janeiro, a cientista Agnieszka Latawiec, diz que avaliação da sustentabilidade depende do contexto em  que a intervenção está inserida. A publicaçãoavalia, através de estudos de casos no Brasil, África e Europa, o que é de fato útil na hora de medir um projeto sustentável. O livro é open access e pode ser baixado para download no site da editora De Gruyter (http://www.degruyter.com/view/product/465479).

Agnieszka trabalhou em conjunto com a cientista africana Dorice Agol e um grupo de mais de 20 pesquisadores, entre brasileiros e estrangeiros neste livro mostra a importância da utilização adequada dos indicadores de sustentabilidade, que muitas vezes na prática não acontece. Segundo Agnieszka, os indicadores podem ser utilizados de forma inadequada, mesmo se for considerado um bom indicador. “Os indicadores estão sempre sujeitos à controvérsia, à subjetividade e as preferências de seus usuários. No entanto, como mostra este livro, há indicadores que, com base na opinião de especialistas, abordam as questões críticas da sustentabilidade em um contexto específico de uma maneira mais, ou menos, abrangente”, explicou ela, que é co-fundadora do Instituto Internacional para Sustentabilidade (IIS) no Rio, pesquisadora de pos-doc na PUC Rio e especialista em projetos ligados à conciliação do desenvolvimento e conservação da natureza.

Um bom exemplo vem da área de restauração florestal. “O que é medido por indicadores de sustentabilidade deve depender do objetivo que foi definido antes de uma determinada intervenção. Por exemplo, se o objetivo for a restauração ecológica, a mera área reflorestada pode não ser suficiente para indicar o sucesso da restauração. Em vez disso, a diversidade das espécies plantadas e a sua sobrevivência durante determinado tempo devem ser levadas em consideração”, exemplificou. Livro tem um estudo de caso explicando muito bem esse tópico, dentro o capitulo liderado pelo Dr. Jeronimo Boelsums, professor da UFRRJ e pesquisador colaborador no IIS.

Outro exemplo é associado com indicadores sociais, como a criação de postos de trabalho, que muitas vezes é citado como bom indicador, mas do ponto da vista da sustentabilidade, “um bom indicador nesta área seria a capacitação deste trabalhador, pois são efeitos que vão durar para sempre”, disse Agnieszka.

Ela acrescenta que muitas vezes o pesquisador se sente pressionado, principalmente pelos financiadores, a mostrar um resultado imediato de um projeto que pode levar anos para dar retorno do ponto de vista sustentável.

A publicação aborda indicadores de projetos em áreas como agricultura, pecuária, recursos hídricos, saneamento, floresta, biodiversidade, poluição atmosférica, entre outras. O livro é direcionado para professores, estudantes profissionais de empresas e o público em geral que acompanha o tema. “Esperamos que este livro contribua para que todos entendam melhor a complexidade do uso dos indicadores e possam avaliar os usos e mal usos dos indicadores de acordo com a realidade local. Esperamos também que esse livro inspire mais projetos, maior participação e colaboração neste tema relevante, complexo e interessante. Que ele possa ajudar os profissionais no campo através da aplicação de algumas das soluções que são sugeridas aqui e ainda estimule um interesse maior pelos indicadores de sustentabilidade”, disse Agnieszka.

Um bom indicador deve ter algumas características:

  1. Devem compreender os processos e pessoas para os quais são relevantes.
  2. Podem ser quantitativos e qualitativos, mas ambos devem ser uma medida, e não uma vaga aproximação daquilo que pretenda ser medido.
  3. Devem ser bem desenvolvidos e cuidadosamente escolhidos a fim de evitar declarações e decisões erradas, que podem resultar em consequências negativas para o desenvolvimento sustentável.
  4. A mediação deve depender do objetivo que foi definido antes de uma determinada intervenção.
  5. Devem capturar os cenários futuros.

Sobre as editoras: 

Agnieszka Latawiec

Dra. Agnieszka Ewa Latawiec é co-fundadora e diretora de pesquisa do Instituto Internacional para a Sustentabilidade (IIS) no Brasil e professora Associada da Universidade de Tecnologia de Opole, na Polônia. É também pesquisadora pós-doutorado no Departamento de Geografia e Meio Ambiente na PUC Rio. É PhD em Ciências Ambientais pela Universidade de East Anglia da Inglaterra, onde atualmente é pesquisadora na Escola de Ciências Ambientais. Agnieszka pesquisa os aspectos mais amplos da gestão da terra e liderou uma série de projetos relacionados com a mudança do uso da terra e modelagem. Em 2013, participou da concepção da primeira disciplina de Ciência Sustentabilidade na PUC Rio. Desenvolve pesquisa interdisciplinar e colaborativa em temas: ciência do solo, manejo da terra, tomada de decisão ambiental, mudança no uso da terra, as avaliações de impacto, ciência sustentabilidade e indicadores.

Dorice Agol

Dra. Dorice Agol é consultora internacional em meio ambiente, gestão dos recursos naturais e do desenvolvimento internacional e é pesquisadora na Escola de Desenvolvimento Internacional da Universidade de East Anglia (UEA), no Reino Unido. Dorice é PhD em Desenvolvimento Internacional da UEA, MSc. Ciências Biológicas e Gestão de Recursos Naturais, na Universidade de Leicester e professor na Universidade de Southampton, no Reino Unido. É uma cientista de pesquisa multidisciplinar com um leque de conhecimentos especializados, incluindo: técnicas quantitativas e qualitativas de pesquisa, avaliação de impacto ambiental socioeconomico, gestão de projetos, análise jurídica e política, acompanhamento e avaliação, governança dos recursos naturais, serviços dos ecossistemas, água, alterações climáticas, a responsabilidade social das empresas e HIV / AIDS. Possui experiência de mais de 15 anos de trabalho na África Oriental e Europa.

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Vagner Liberato

Meu nome é Vagner Liberato, sou carioca e vivo no Rio de Janeiro. Formei-me em Administração de Empresas e sou um apaixonado por conteúdo sustentável. Desde 2015 faço o Jornal Sustentabilidade com maior prazer! Para falar comigo, entre em contato pelo email: contato@meioambienterio.com

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