Meio Ambiente

“Dormir bem é um sonho possível”, mostra campanha

Mostrar à população que uma boa noite de sono é essencial e que para isso, muitas vezes, são necessárias mudanças simples no dia a dia é o foco do dia mundial do sono que, neste ano, tem como lema “Dormir bem é um sonho possível”. A data é celebrada nesta sexta-feira (18), último dia da Semana Nacional do Sono que iniciou no domingo (13) e representa um bom momento para conscientizar sobre a importância de uma noite “bem dormida”.

Para o médico neurologista e coordenador do Centro de Diagnóstico de Distúrbio do Sono (CDDS) do Hospital Unimed Chapecó, Auney de Oliveira Couto, a oportunidade de falar sobre o assunto decorre de uma grande despercepção do sono diante da condição de vida atual. “Isso tanto do ponto de vista da população, quanto da classe médica porque, de modo geral, as pessoas têm uma ideia de que dormir a noite inteira é dormir bem e isso não é verdade”, destaca.

Ele explica que essa situação fica clara no dia a dia dos pacientes que vão até seu consultório, muitas vezes, com problemas de memória, concentração e atenção e, que quando questionados, as respostas demonstram que os sinais têm uma relação direta com o sono que não é restaurador. “Nesses casos, ou acreditam ou duvidam dessa condição. O fato de o indivíduo acordar cansado, ter dificuldade de atenção e concentração durante o dia, de a memória falhar e daquela dificuldade de começar algo sem conseguir terminar é reflexo do sono não restaurador”, argumenta, apresentando um exemplo sobre o uso do computador.

“Se utilizarmos um computador direto sem realizar um trabalho de desfragmentação, backup ou limpeza do disco rígido o que acontece? O computador fica lento e vai travar. A mesma coisa acontece com a gente. Quando dormimos, o cérebro faz uma limpeza, uma reorganização dos dados. A memória de longo prazo é feita dormindo. Então quando não há um sono de qualidade em razão de dor, ansiedade, desconforto, entre outros aspectos, haverá impacto na condição de memória”, observa o médico.

Segundo ele, as pessoas têm dificuldade na percepção dessa circunstância. “Isso que não estou falando das doenças que existem relacionadas ao sono, mas sim de modo geral do nosso cotidiano”, menciona. Outra ocorrência comum no dia a dia está relacionada às dificuldades de concentração e memória em função da privação do sono. Dados estatísticos demonstram que o ser humano nos últimos 30 anos está dormindo cerca de uma hora e meia a menos. É uma situação causada pelo avanço da tecnologia e o estilo de vida atual, ou seja, as pessoas trabalham, estudam, chegam em casa, têm tarefas a realizar e vão dormir de madrugada para acordar por volta das 6 horas.

Aí vem consequências como dificuldade de atenção, concentração, alteração de humor, irritabilidade, entre outros. Existe uma relação forte entre irritabilidade e privação do sono que indivíduo não consegue visualizar e isso piora porque o sono não é restaurador. “Portanto, uma campanha para conscientizar sobre a importância do sono adequado é fundamental, pois como diz o lema: dormir bem é um sonho possível. Ela ocorre justamente para alertar que as pessoas não estão dormindo e que isso é essencial para a produtividade e para saúde e bem-estar”, ressalta Couto.

O médico lembra ainda que estatísticas sobre privação do sono demonstram que pessoas que permanecem 19 horas sem dormir têm a mesma redução de reflexo de alguém que consumiu seis copos de cerveja ou três cálices de vinho. Se esse mesmo indivíduo passar de 19 horas para 24 horas, os reflexos equivalem aos mesmos de pessoas que ingeriram 12 copos de cerveja ou seis cálices de vinho. “Isso mostra o impacto que uma condição de sono pode causar num acidente na estrada ou no trabalho”, comenta.

DOENÇAS

Sobre doenças relacionadas ao sono, o médico diz que talvez a mais impactante seja a insônia. Isso porque em tempos de dificuldades econômicas, políticas e financeiras, a pessoa tende a ter um sono mais conturbado. Existem situações de pacientes que já tinham dificuldades em obter um sono restaurador e aí passaram por um evento de estresse pós-traumático (perda de um ente querido, um assalto, problema na empresa, etc) que motivou o desenvolvimento de distúrbios do sono por uma questão da vivência daquele momento.

“A insônia seria a forma mais comum, mas temos outras doenças que nos preocupam bastante do ponto de vista de incidência e uma delas é a apneia do sono – enfermidade silenciosa no qual a pessoa faz uma pausa respiratória entre um ronco e outro, havendo uma obstrução das vias respiratórias na transição entre a boca e a hipofaringe. A pausa pode durar de segundos a minutos e essa condição ao longo do tempo causará o desenvolvimento de outras doenças como infarto, derrame, arritmia, obesidade, entre outras”, alerta Couto.

No Brasil não existem dados estatísticos, mas há uma estimativa de que provavelmente 60% da população brasileira na faixa-etária de 20 a 70 anos podem ser portadoras de apneia do sono. “Se considerarmos que esse universo envolve cerca 60 milhões de pessoas, apenas 8% tratam ou conhecem que são portadores da doença. O fato de ter o diagnóstico confirmado, nem sempre é o indicativo de que o paciente procura o tratamento ou que esteja aderido à norma do tratamento”, comenta o especialista.

Segundo Couto, o indivíduo que tem apneia ronca, mas nem todos que roncam, possuem a doença. São duas condições que aparentemente estão juntas, mas não querem dizer a mesma coisa. A condição do ronco é resultado do estreitamento da passada do ar dessas vias (o ar passa com mais dificuldades, emite um som e essa condição nem sempre está relacionada à pausa respiratória, quando há o fechamento das vias respiratórias). Para essa condição só existe uma forma de realizar o diagnóstico que é através da polissonografia – procedimento realizado enquanto a pessoa dorme no laboratório do sono, visando marcar os eventos respiratórios e estagiar o sono para verificar como o paciente dormiu naquela noite.

Outro problema de grande impacto está relacionado aos ataques de sonolência decorrentes da narcolepsia. Nestes casos, pessoas que têm sonolência excessiva diurna dormem conversando, dirigindo, se alimentando, entre outras atividades. “O importante quando se fala em ataques de sono é diferenciar o que leva o indivíduo a ter a sonolência excessiva, pois isso aumenta significativamente as chances de um acidente de trânsito ou de trabalho”, enfatiza Couto.

Para concluir, o médico assinala que o sono é fisiológico, é uma necessidade para todos. “O problema é que, às vezes, esquecemos que os bons hábitos do sono envolvem uma disciplina para dormir no horário, acordar no horário, não usar aparelhos celulares e outras tecnologias uma hora e meia antes de dormir porque esse hábito bloqueia a produção de melatonina e mantém o estado de alerta por conta do estímulo visual. Também é fundamental alimentar-se adequadamente, respeitar o intervalo de duas horas e meia da última refeição antes de deitar e fazer exercícios físicos, pois ajuda a reduzir a ansiedade e melhorar o sono”.

Distúrbios do sono

Experiente em atendimentos decorrentes de perturbações do sono, a Unimed Chapecó mantém o Centro de Diagnóstico de Distúrbio do Sono, em anexo ao Hospital da cooperativa médica, com propósito de identificar uma série de distúrbios que ocorrem durante o sono e que podem interferir na qualidade de vida da pessoa. Sob suspeita de distúrbios do sono, deve-se procurar um médico especialista para que seja feita uma avaliação da necessidade de realização de exames, inclusive a polissonografia.

Na polissonografia o paciente dorme no laboratório do sono e o equipamento e seus sensores registram a atividade elétrica do cérebro, coração, respiração e da oxigenação do sangue. Da preparação do paciente ao final do exame são necessárias cerca de 8 a 9 horas. O Centro dispõe de quarto com características não-hospitalares, com janela anti-ruído, banheiro adaptado para pacientes em condições especiais, sistema de comunicação em que o paciente é visto pelo técnico e se comunica através de voz e imagem. No paciente são acoplados uma série de sensores especiais. Instala-se sensores na região da mandíbula e nariz, pescoço, tórax, coração e nos membros inferiores.

Sobre o autor | Website

Meu nome é Vagner Liberato, sou carioca e vivo no Rio de Janeiro. Formei-me em Administração de Empresas e sou um apaixonado por conteúdo sustentável. Desde 2015 faço o Meio Ambiente Rio com maior prazer! Para falar comigo, entre em contato pelo email: contato@meioambienterio.com

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