Meio Ambiente

Seminário trata da redução do desperdício de alimentos

Um dos destaques do seminário Sustentabilidade e Alimentação: O Caminho para a Redução do Desperdício, promovido pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro, FIRJAN, no dia 15 de março, foi a apresentação do pesquisador Murillo Freire Junior, da Embrapa Agroindústria de Alimentos (Rio de Janeiro, RJ). Na palestra “Agricultura: Boas práticas no plantio, colheita, transporte e armazenamento de alimentos” ele elencou as boas e más práticas agrícolas, bem como ações necessárias para prevenir as perdas de alimentos.

Murillo é o responsável por organizar uma rede de redução de perdas e desperdícios no Brasil, ação impulsionada pela Organização para Alimentos e Agricultura das Nações Unidas (FAO) na América Latina e Caribe, que conta com a participação do representante da FAO no País, Alan Bojanic, e de Walter Belik, professor da UNICAMP, ambos integrantes da mesa do seminário. Também participaram do encontro o empresário da área de alimentos José Antero do Rego, da Vitalis; Teresa Corção, chef de cozinha, presidente do Instituto Maniva; e o mediador José Marcelo Zacchi, apresentador do programa Navegador (Globonews).

O pesquisador em tecnologias pós-colheita afirmou que um dos maiores problemas para enfrentar o elevado índice de perdas e desperdícios é a “inexistência de metodologias padrão para quantificá-las: há muitas variáveis – espécies, variedades, altitude, clima, solo, temperatura, ponto de colheita, distância dos mercados, e outras – que não são consideradas e, por isso, são realizadas estimativas genéricas que carecem de precisão”.
Murillo explicou que, de acordo com a conceituação da FAO, as perdas são geradas no processo de produção, transporte, armazenamento, distribuição e comercialização e se diferenciam dos desperdícios, gerados no preparo e consumo residencial e comercial. A visualização em fotografias e vídeos das práticas inadequadas que danificam frutas e hortaliças na colheita, embarque e desembarque de produtos e seu transporte provocou impacto no público.

Algumas das medidas para a diminuição das perdas e desperdícios segundo o pesquisador são: maior assistência técnica para a produção agropecuária, mais recursos para a pesquisa aplicada, desenvolvimento de embalagens adequadas, aperfeiçoamento de técnicas de produção, implantação da cadeia de frio ao longo do fluxo dos produtos e melhoria da infraestrutura de logística e transporte de produtos alimentícios, entre outros.
Outros palestrantes

Alan Bojanic apresentou dados mundiais de perdas de alimentos e as ações impulsionadas pela FAO para sua diminuição. Segundo ele, são perdidos 1,3 bilhão de toneladas de alimentos por ano, o que corresponde a um terço de toda a produção, e que quase a metade da perda acontece nos países desenvolvidos: “É ali que o desperdício por cabeça é maior. Quanto maior a renda, maior o desperdício”. Ele alertou para o fato de que o desperdício de alimentos implica também em desperdício dos fatores de produção e insumos como água, terra, energia, trabalho e capital. Bojanic alertou ainda que 30% das terras agricultáveis são utilizadas na produção de alimentos que não são consumidos. A FAO lançou a iniciativa Save Food que busca aumentar a informação, colaboração e estabelecimento de políticas para a redução de perdas.

O professor Walter Belik, que participou do High Level Panel of Experts on Food Security and Nutrition das Nações Unidas, analisou o sistema de produção e fornecimento de alimentos e afirmou que as perdas de alimentos não são responsabilidade de um ou outro elo do processo, “O sistema é todo descontrolado, um elo não conversa com os outros. A redução de perdas e desperdícios deve ser pensada como um todo”, e disse que uma das principais conclusões do Painel foi que “A qualidade da infraestrutura física nos mercados atacadistas e varejistas é crucial para reduzir perdas nos mercados”. Ele apontou como importantes atores para a redução de perdas e desperdícios os cerca de 200 bancos de alimentos em operação no Brasil e enfatizou, assim como Bojanic e Freire Junior, a necessidade de ser aprovada legislação sobre bancos de alimentos, que não estão regulamentados embora tramitem, sem conclusão, cerca de 20 projetos de lei no Congresso.

O empresário José Antero do Rego relatou o processo de redução de perdas no processo industrial da Vitalis. Até meados da década de 70 os resíduos eram considerados lixo e o foco era o descarte, onde armazenar e como descartar. Nos anos 1980 a 1990, com o aumento da consciência ecológica o conceito se deslocou para a redução de perdas e custos, com foco na geração de recursos por meio da reciclagem. Atualmente, os resíduos são considerados como fontes de receitas, por meio do melhor aproveitamento e da agregação de valor.

A chef Teresa Corção relatou sua aproximação com os agricultores familiares e o processo de compra direta da produção deles em seu restaurante, principalmente de alimentos produzidos em sistema orgânico e agroecológico, tendência seguida por diversos chefs de cozinha que integram o movimento de Eco Chefs.

Ler matéria completa

Vagner Liberato

Meu nome é Vagner Liberato, sou carioca e vivo no Rio de Janeiro. Formei-me em Administração de Empresas e sou um apaixonado por conteúdo sustentável. Desde 2015 faço o Jornal Sustentabilidade com maior prazer! Para falar comigo, entre em contato pelo email: contato@meioambienterio.com

Artigos relacionados

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Close