Meio Ambiente

Reúso de água não potável deve ser aprovada nos próximos dias

Nessa manhã, o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) realizou a primeira edição do Fórum Água 2016, para debater os principais desafios enfrentados pelo setor empresarial na gestão dos recursos hídricos e oportunidades. Durante o evento, Monica Porto, secretária adjunta de saneamento e recursos hídricos do estado de São Paulo, informou que nos próximos dias pode ser aprovada a primeira norma de reúso de água não potável em São Paulo. A resolução está sendo finalizada em nível técnico e tramitando entre as procuradorias jurídicas e as Secretaria da Saúde e do Meio Ambiente.

Marina Grossi, presidente do CEBDS, realizou a abertura do Fórum Água 2016. Dividido em três painéis, o evento realizado no Hotel Estamplaza, em São Paulo, discutiu infraestrutura verde, reúso e redução de perdas na distribuição, além do papel do setor financeiro na gestão hídrica das empresas.

Na sequência, Benedito Braga, presidente do Conselho Mundial da Água, falou sobre a importância da segurança hídrica. “Ela é fundamental para a segurança em todos as outras áreas: alimentar, energética, de saúde da população e assim sucessivamente. É uma questão que diz respeito à todas as pessoas. Precisamos estar bem articulados entre governo, empresas e sociedade civil”, afirmou Braga.

O primeiro painel “Infraestrutura verde: uma solução de múltiplos atores”, mediado pela jornalista Flávia Oliveira, comentarista da Globonews e colunista do jornal O Globo, contou com a participação de Simone Veltri, gerente de relações socioambientais da Ambev e presidente da Câmara Temática de Água do CEBDS, Antônio Félix Domingues, gerente geral de articulação e comunicação da Agência Nacional de Águas (ANA), e Samuel Barreto, gerente nacional de Água da The Nature Conservancy (TNC).

“Não tenho dúvidas que a abordagem de investir em infraestrutura verde é inovadora. A iniciativa demonstra que a água está sendo usada cada vez mais como recurso financeiro e não só natural, pelas empresas. A água faz parte do nosso negócio, é fundamental, há mais de 20 anos. Exatamente por ter esse peso, essa importância é que conseguimos reduzir mais de 40% do nosso consumo de água nas operações nos últimos 13 anos ”, disse Simone Veltri, em relação ao cenário do Brasil para o desenvolvimento de projetos de infraestrutura verde. Ela ainda completou que, por meio da CEBDS, as concorrentes tornam-se aliadas nesse processo: “Quando o trabalho é água, as empresas querem a mesma coisa. O mundo tem muito a ganhar e a sociedade principalmente”, disse.

Felix, concorda que prover uma oferta de ambiente melhor entre as empresas é uma iniciativa muito importante. Além disso, apontou também que é um grande desafio inserir projetos de infraestrutura verde, de uma forma contundente, na agenda do governo. Segundo ele é preciso chamar a atenção dos políticos para os prejuízos existentes, assim como convidar a sociedade para participar do debate. “É preciso agendar esse trabalho de água, de recuperação, de prevenção, na agenda dos políticos, nós temos que estar em todo lugar”.

Com o tema “Reúso e redução de perdas na distribuição: mais eficiência no setor de saneamento”, o segundo debate contou com a presença de Monica Porto, secretária adjunta de saneamento e recursos hídricos do estado de São Paulo, Lina Adani, gerente de controle de perdas e sistemas da SANASA, e Ruddi de Souza, diretor geral da Veolia Water Technologies.
Lina falou sobre o uso racional da água e o problema de legislação no Brasil. “Capacitação não custa caro, falta uma política traficaria adequada”. Já Monica Porto discutiu a questão do problema de localidade dos esgotos para reúso, além dos desafios vividos atualmente.

“O século XXI nos propõe um desafio enorme e muito diferente do que a gente já viveu até hoje. A questão da água passa a ser um pouco vulnerável e temos uma necessidade gigantesca de segurança hídrica”, afirmou Monica Porto. Ela também informou que, em breve, São Paulo deve aprovar a primeira norma de reúso de água não potável para uso em lavagem de carros, trens, ônibus, produção de concreto e etc. A resolução está finalizada em nível técnico e tramitando entre as procuradorias jurídicas e algumas secretarias.

De acordo com Souza, até pouco tempo a água era um recurso considerado infindável, que estava disponível e que podia ser usado com um custo relativamente barato de processamento, com tarifas vulneráveis. “Agora a população cresceu, o clima está mudando e as condições de água decaindo. Quando isso começa a afetar a disponibilidade de água para o usuário final a preocupação vem. A primeira iniciativa foi a interligação dos reservatórios, a gestão de todo esse complexo sistema de atendimento, pois não podemos continuar vivendo numa restrição eterna de consumo”, declarou.

Segundo Mario Pino, gerente de desenvolvimento sustentável da Braskem, o assunto é uma das preocupações da sociedade, em nível internacional. “Em alinhamento com o ODS 6, que visa garantir disponibilidade e manejo sustentável da água e saneamento para todos, surgiu o Movimento de redução de perdas de água na distribuição, iniciativa da rede brasileira do Pacto Global, liderado pelas empresas Sanasa e Braskem. O movimento visa mobilizar governo, empresas privadas e sociedade no processo de redução de perdas de águas na distribuição, que são em média da ordem de 40% no Brasil”, afirmou.
Para finalizar as apresentações, Gustavo Pimentel, diretor administrativo da SITAWI – Finanças do Bem, Maria Eugênia Taborda, gerente de sustentabilidade do banco Itaú, e Percy B. Soares Neto, coordenador da rede de recursos hídricos da Confederação Nacional da Indústria (CNI), participaram do último painel “Alavancando soluções mais eficientes no uso da água: o papel do setor financeiro”.

O tema água tem sido tratado no CEBDS de forma mais profunda há cerca de dois anos, tanto para poder levar a questão à Conferência do Clima – apresentando a relação entre mudança do clima e água, como também pela questão dos ODSs, visto que a água hoje está na pauta global, graças à crise hídrica de São Paulo.

“Começamos a perceber que as empresas tinham muito o que mostrar, como reúso de água, novas tecnologias, aproveitamento, e tem muito a compartilhar com governo brasileiro e com a sociedade”, concluiu Marina Grossi.
O Fórum Água é promovido pelo CEBDS em parceria com as empresas Ambev, Brasken e Veolia.

Agrolink com informações de assessoria

Vagner Liberato

Sobre o autor | Website

Meu nome é Vagner Liberato, sou carioca e vivo no Rio de Janeiro. Formei-me em Administração de Empresas e sou um apaixonado por conteúdo sustentável. Desde 2015 faço o Meio Ambiente Rio com maior prazer! Para falar comigo, entre em contato pelo email: contato@meioambienterio.com

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