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Vamos falar sobre entropia?

A entropia é uma grandeza termodinâmica que mensura o grau de irreversibilidade de um sistema.

Olá, aqui estamos mais uma vez. Espero que nossa última coluna tenha sido frutífera, pois lá vamos nós para mais uma.

Que tal hoje falarmos sobre energia? Ou melhor, sobre como gastamos essa energia cotidianamente. Para começarmos, precisamos aceitar algo que é natural, mas tende a ser terrível para nossos ouvidos: o universo tende a desordem! Ora, Iuri, então você está dizendo que meu quarto, casa, vida (sei lá!) é naturalmente bagunçado? Não é bem isso, embora a analogia seja muito bacana. Estou dizendo apenas que a tendência da energia é se dispersar. A esse efeito, chamamos de entropia.

Antes, porém, que você refute a coluna como um poço de insanidades (nem consigo discordar de você quanto a isso), essa desordem universal está fundamentada na probabilidade, pois é muito mais fácil algo estar desorganizado que organizado, não é mesmo? Basta pensarmos, basicamente temos mais maneiras de errar sobre algo que acertar. Um cálculo matemático, por exemplo, embora tenhamos várias formas de chegar a um resultado, em geral apenas um resultado está certo, então temos um número enorme de possibilidades de erro para apenas uma possibilidade de acerto.

Agora que você já tem uma desculpa cientificamente conveniente para manter sua casa bagunçada, vamos tentar tornar nossa discussão mais profunda. Essa desordem universal tem um nome bem mais chique e pomposo: Segunda Lei da Termodinâmica. Ela propõe que qualquer processo espontâneo aumenta a desordem ou aleatoriedade do universo. Tentemos, pois entender. Imagine que você fez aquele sanduíche para o lanche, cheio de ingredientes, mas mesmo que você não perceba, ele também tem nutrientes importantes. Uma vez devorado, o sanduíche se transforma, ele é “quebrado” e os nutrientes ou são transportados por sua corrente sanguínea, ou são transformados em energia e, é aí que a “mágica” acontece. Essa energia pode ser utilizada naquela limpeza que até então você não tinha paciência para fazer, mas ela será utilizada, sobretudo em manter o seu coração batendo, o seu corpo aquecido e outras coisas.

Isso significa que parte da sua energia está na arrumação da sua casa, no banho dado no cachorro, no abraço compartilhado com alguém querido. Se você quiser pensar mais sobre tais coisas, é só imaginar que, após a sua morte, quando a entropia alcançar o seu corpo, ele será desfeito, servirá de alimento e passará a fornecer energia para outra criatura. É, o assunto ficou sério. Mas qual a razão para falar de entropia? Para chegarmos ao seu oposto, a ordem.  Apesar de, qualquer tentativa de manter um sistema em ordem requeira a desordem de outro sistema, sempre estamos buscando um sentido. O problema é que isso dá trabalho.

A ordem requer esforço, é quase algo antinatural. A energia quer se dispersar, enquanto nós a condicionamos em espaços, ações e sentidos, por quê? Por que carecemos de certa ordem. Carecemos de sentido, de propósito, finalidade. Nos perguntamos a nós mesmos, sempre e repetidamente os motivos de sermos quem somos, de fazermos o que fazemos. Aí está a questão da coluna de hoje. Se nos deixarmos levar pelas “entropias” da vida, desperdiçaremos nossa energia levianamente, sem conseguirmos alcançar a realização que desejamos para nós. Precisamos de ordem, precisamos de um sentido, precisamos saber para quê e por que estamos aqui.

Talvez, hoje você sequer esperava encontrar um texto assim. Talvez, hoje fosse um dia como outro qualquer em sua vida, desperdiçado, aleatório, sem propósito específico. Talvez, esse seja o dia da mudança. Vamos propor a nós mesmos novos objetivos, caminhos que possam conceder ordem para usarmos sabiamente nossas energias em atividades mais nobres, fins superiores, metas melhores.

O que não podemos esquecer, todavia, é que ordem exige trabalho. Trabalho, por definição, é toda a atividade humana, criativa ou produtiva, que o homem exerce para obter determinado fim. Assim, atingir a ordem é algo que dá trabalho, a questão é fazer valer a pena.

O quanto de sua energia você tem gasto em atividades que não são dignas de você. Embates, discussões que não tem por objetivo promover conciliação, mas derrotar o “oponente” e fazê-lo resignar-se a sua “posição inferior”? Vivemos em um tempo onde posições políticas importam mais que as necessidades, em que o pensar do outro, por ser diferente do meu é “lixo”. Que tal criarmos uma nova ordem? Uma nova sociedade onde a diferença possa ser celebrada não criminalizada? Como eu disse, ordem dá trabalho, mas diante do cenário que se apresenta aos nossos olhos, o que temos a perder?

Vamos em frente, usando sabiamente nossas energias. Parafraseando Chico Science em “Da lama ao caos”: -“…eu me organizando posso desorganizar”.

(Meus sinceros agradecimentos ao professor João Ferreira, que me ajudou com os conceitos científicos sobre entropia. Todo e qualquer erro é meu, ele me explicou tudo uma centena de vezes.)

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Iuri Rocha Iuri

Olá, sou Iuri Rocha, professor das redes estadual e particular. Sou formado em Licenciatura em História pela UFRRJ e ligado em tudo o que pode tornar o nosso mundo melhor. Para falar comigo bastar enviar um e-mail para [email protected]

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