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A trajetória do BRT RIO, da glória a derrocada [Manutenção x Vandalização]

Manutenção x Vandalização

 Após esses seis anos de funcionamento vêm percebendo-se falhas na manutenção geral do BRT, tanto nas composições quanto estações assim como itens necessários bom rendimento do serviço. O BRT dado a sua importância no contexto atual no deslocamento de massas na cidade, não deveria ser tratado pelas autoridades como simplesmente ônibus comum e sim como um sistema de transportação especial. Em verdade, o vandalismo diário em todos os setores no BRT, aumenta a passos largos e a manutenção mesmo ineficiente, tem feito o que pode para acompanhar esses altos índices de perversidade da parte de alguns.

Um dos itens mais prejudicados são as portas que, por vezes são forçadas por vândalos a ficarem abertas mesmo com a composição estando em movimento. Daí cai por terra a “história contada” de que os ônibus não partiriam das estações com as portas abertas porque um dispositivo bloquearia o funcionamento do motor nestes casos. Em determinadas ocasiões até mesmo à borracha de vedação das portas é arrancada e isso ocasiona o mau funcionamento do ar condicionado. Vidros frontais e das janelas, por vezes de tanto que são forçados, ficam fissurados o que obriga a retirada dos veículos por vários dias para o devido conserto. Aliás, alguns passageiros que imaginam ser a composição do BRT de sua propriedade, abrem inadvertidamente as tampas do teto da composição (quando não a quebram), achando que desta maneira a circulação de ar dentro do vagão irá melhorar (o que não acontece). Ao desembarcarem, deixam essas tampas abertas e nas viagens seguintes destas composições esse fato não é fiscalizado. Para essas tampas serem fechadas, conta-se com a boa vontade ou iniciativa de outros passageiros que se prontificam a fecha-la quando notam a alteração. Um dos fabricantes dos ônibus do BRT (são pelo menos quatro) possui nas janelas de emergência, um dispositivo para abri-las que é um martelinho preso dentro de uma caixa plástica transparente que contém um aviso ao lado (“use em caso de emergência”). Há uma indicação escrita que só deve ser aberto ou usado em casos estritos de emergência. Contudo esse não existe mais em quase nenhum dos veículos daquele determinado modelo. Foram levados por vândalos e se houver algum dia uma real necessidade de se abrir essas janelas, os passageiros terão que quebra-las com outros meios uma vez que nota-se que não são substituídos.

Nas estações nos horários de pico, são formadas grandes filas na bilheteria dada à lentidão do sistema de cobrança de passagens. Contudo, algumas máquinas para recarga dos cartões foram instaladas em praticamente todas as estações. Lamentável é o fato de praticamente a metade delas não funcionar a contento quando necessário, não servindo assim ao seu objetivo. Os painéis eletrônicos que indicam a chegada, destino e horário das composições, raramente funcionam como deveriam e só servindo a veiculação de propaganda comercial.

Aliás, esses painéis (telas de tv) assim como os localizados dentro dos vagões, seriam ótimos aliados em campanhas educativas para o público em detrimento do melhor uso do BRT. Nem mesmo as mensagens que anunciam a “próxima estação” e outras que eram propagadas dentro dos vagões, notadamente nos do Transoeste, não estão quase sendo executadas e isso dificulta a turistas e passageiros de primeira viagem. Ao início das operações, havia mesmo até mensagem de saudação aos usuários que inclusive desejava a todos uma boa viagem. Nem mesmo as telas internas dos vagões no BRT estão sendo poupadas, Quando não são roubadas, são quebradas. Existem itens que estão sendo vandalizados que por sua natureza tem a substituição mais demorada, como por exemplo, terminais de roletas, as próprias portas automáticas envidraçadas das plataformas e até mesmo os computadores de bilheteria que volta e meia, mediante tumultos, são roubados. Os camelôs, vendedores de sorvete, balas, biscoitos, cd´s piratas e artigos além de um grande número de pedintes, definitivamente invadiram os vagões do BRT e apesar da necessidade de muitos, o que é plenamente compreensível, são um imenso entraves ao bem estar dos passageiros nas horas de pico. Noutro dia destes, no horário da manhã, havia um vendendo um tipo de bebida em garrafinhas plásticas que acumulou uma grande quantidade destes (acondicionadas em caixas) na porta de entrada dos passageiros na estação Pingo D´Agua e não sofreu nenhuma repressão da parte dos agentes (que na época ainda trabalhavam na estação). Os passageiros para embarcar tinham que praticamente pular aqueles volumes. Nenhum dos agentes da estação, talvez por falta de treinamento ou orientação, reprimiu tal atitude.

O pior de todos os problemas de manutenção no BRT, ao que nos parece, será uma “exclusividade” do corredor Transoeste. A pista de rolagem, feita em asfalto e sem o devido preparo e sedimentação, talvez por inexperiência dos engenheiros projetistas, começaram a apresentar problemas logo após o primeiro mês de funcionamento. Com o uso excessivo (necessário devido ao trânsito das composições em dezenas de viagens diárias), o piso rapidamente cedeu em vários trechos do percurso, formando bolhas, buracos, depressões e outros infortúnios que transformaram a viagem suave e confortável em um desconfortável evento que redunda em pulos, solavancos e freadas bruscas. Em Guaratiba, devido ao tipo de solo na região que é composta por extensos manguezais, que tiveram alguns trechos aterrados para a passagem de estradas e outros tipos de construção, o problema é maior. Essa discrepância no piso asfáltico ocasionou também o aumento nos tempos de viagem do BRT Transoeste, bem como colabora para a rápida deterioração dos veículos em seus amortecedores e outras partes que quebram mais facilmente devido a esse martírio diário. Nos corredores Transcarioca e Transolímpico, apesar de se ter conhecimento também de alguns buracos na pista, esse problema acontece em escada dezenas de vezes menor. A pista de concreto usada (que também está sendo construída para o futuro corredor Transbrasil) é o elemento técnico ideal para que o rendimento e operação dos BRT´s tenha uma maior e melhor qualidade..

 

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Ronaldo de Andrade

Carioca, iniciou carreira no Serviço Público Federal em 1975, na área de radioproteção e dosimetria. Gerenciou setores de atendimento no fornecimento e controle de monitores individuais de radiação, aferição em aparelhos de radiologia odontológica no RJ e calibração de monitores de radiação no Instituto de Radioproteção e Dosimetria da Comissão Nacional de Energia Nuclear.

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