Tidal é acusado de manipular dados de usuários da plataforma

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O mercado de streaming está cada vez mais competitivo. Com o anúncio de que o Youtube está criando seu próprio aplicativo voltado para esta função, os grandes nomes do mercado podem sofrer com algumas baixas. O Tidal, Spotify e Google Music precisam investir em seus usuários para que não tenham prejuízos futuros.

Mas as coisas não parecem estar indo muito bem nesse quesito para um desses grandes aplicativos.

A plataforma de streaming de música Tidal, comprado por Kanye West em 2015, foi acusada pelo jornal norueguês Dagens Naeringsliv de manipular o acesso de usuários do aplicativo para aumentar o número de acessos nos artistas Jay-Z e sua esposa, Beyoncé.

O Tidal é conhecido pela exclusividade na distribuição dos álbuns de vários artistas, incluindo o próprio Kanye e a cantora Beyoncé – “The Life of Pablo” e “Lemonade” só podem ser encontrados por acesso ao programa. Mas, de acordo com o jornal, os dados dos 1,7 milhões de usuários teriam sido usados para aumentar ilegalmente a quantidade de vezes que as músicas foram reproduzidas.

Tidal
Tidal / imagem: divulgação

Em que isso implica? Que Beyoncé, Jay Z e suas respectivas produtoras teriam pego quantias enormes dos royalties da empresa, que redistribui o dinheiro por número de acessos, prejudicando vários artistas que também vendem seu trabalho no Tidal. Isso além de comprometer a segurança de seus assinantes, uma vez que se trata de um serviço pago.

A manipulação dos dados não é de pouca coisa: o Dagens Naeringsliv acredita que esteja na casa dos milhões. Eles se apoiam no Centro de Cibersegurança e de Segurança da Informação da Noruega, cidade natal do programa de streaming, para fazer a acusação. De acordo com a entidade, eles utilizaram uma análise estatística do jornal para fazer a investigação e concluíram que não se tratava de um ataque externo para inflar os acessos e, sim, de uma distorção por parte do próprio Tidal.

Em resposta às acusações, o diretor executivo Richard Sanders disse que a empresa preza pela segurança de seus artistas, funcionários e clientes. Nega qualquer influência nos números de acesso e alega que os dados foram roubados. Segundo ele, o Tidal está tomando providências para verificar se seus sistemas estão em ordem e tomarão medidas para fortalecer ainda mais a segurança dos usuários.

Uma dessas providências é a contratação de uma empresa terceirizada independente para analisar os dados e fazer uma revisão da segurança da plataforma, além de auxiliar na adoção de novas medidas para que erros assim não aconteçam futuramente.

O Tidal não costuma revelar suas estatísticas publicamente, a não ser quando pretende exaltar o sucesso de seus álbuns exclusivos. Talvez por isso os dados tenham sido analisados erroneamente, uma vez que o jornal é conhecido por atacar a plataforma e seus artistas.

Para o site de notícias Variety o Tidal respondeu: “Esta é uma campanha de difamação de um jornal que uma vez se referiu ao nosso funcionário como um ‘oficial de inteligência israelense’ e ao nosso proprietário como um ‘traficante de crack’. Não esperamos nada menos deles do que essa história ridícula, mentiras e falsidades. A informação foi roubada e manipulada, vamos lutar contra essas acusações vigorosamente”.

De todo modo a empresa não parece estar em seus melhores dias, financeiramente, visto que escândalos como esse estão surgindo a todo momento. Outro boato fundado também pelo Dagens Naeringsliv acusava o Tidal de atrasar em três meses o pagamento dos royalties para as três maiores gravadoras do mundo, Universal, Sony e Warner.

Somente com as devidas investigações poderemos saber se houve ou não a utilização de dados dos usuários para aumentar a quantidade recebida por Beyoncé e Jay Z. De toda forma, a empresa tem muito a se preocupar, sendo verdade ou não, uma vez que tem perdido espaço no mercado graças aos constantes escândalos.

O Dagens Naeringsliv também acredita que a plataforma esteja com os dias contados, pois afirmou que o Tidal só teria mais seis meses de funcionamento graças aos imensos prejuízos de 2016. Estaria o serviço com os dias contados? Resta-nos aguardar e ver.

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