Após 80 anos, Canon aposenta sua última câmera analógica

1

Dentro do mercado fotográfico existem dois grandes polos: aqueles apaixonados pelos modelos da Canon e aqueles que são entusiastas pelas máquinas da Nikon. Por muitos anos essas duas grandes empresas dominaram o cenário por oferecerem aparelhos muito semelhantes e manterem a concorrência acirrada. Mas essa semana um anúncio pode mudar a forma como um dos grandes nomes do mercado lida com as inovações tecnológicas que vem acontecendo diariamente.

Oito anos depois de interromper a criação de novas máquinas analógicas, a líder do mercado fotográfico Canon finalmente oficializou nesta quinta-feira (31) o descontinuamento da produção do modelo EOS-1V, o mais avançado modelo de câmeras analógicas da companhia.

Em 2016 foi dito que a companhia encerraria a produção de câmeras deste modelo mas até então não havia um pronunciamento oficial sobre o assunto.

O momento é importante para fotógrafos e entusiastas que ainda utilizavam o mecanismo manual para fotografia, seja profissionalmente ou como forma de hobbie. A empresa que desde 2010 não produzia novos modelos do tipo finalizou a produção da máquina dando início a uma era completamente digital dentro do mundo fotográfico.

Agora que a única forma de adquirir modelos nesses moldes é através de câmeras usadas o custo se torna imensamente maior, até pelo trabalho de se revelar manualmente os cliques e a dificuldade em encontrar os filmes para utilizá-las.

A companhia continuará com o reparo dos modelos até 2025 ou até que as peças se esgotem, então o mercado de segunda mão continua intacto nesse sentido. Será possível adquirir as câmeras por terceiros por algum tempo, mas nada que seja diretamente da Canon.

A EOS-1V completa 18 anos, sendo originalmente lançada nos anos 2000 e pertence a quinta geração de máquinas da empresa. Hoje a franquia EOS (que significa Sistema Óptico Elétrico, em inglês) continua com as câmeras digitais e alcança a marca de 30 anos no mercado. Conhecida por ser a primeira a criar um vínculo eletrônico entre o corpo e as lentes, foi fundamental para a criação de máquinas digitais que substituem os componentes antigos para otimização dos componentes do produto.

Canon não anunciou se houve falta de peças para continuar a produção da câmera ou se não era mais viável continuar com o produto devido ao alto custo dos modelos analógicos. O preço para comprar filmes começou a subir cada vez mais após o início das câmeras digitais e talvez não fosse mais economicamente inteligente manter a linha em funcionamento.

O descontinuamento da linha é realmente notável, mas não significa o fim do modelo analógico que funciona à base de filmes. A concorrente Nikon, por exemplo, ainda possui dois modelos que funcionam da mesma forma, além dos entusiastas deste tipo de fotografia que as obtém de segunda mão para manter o hobbie. Estas seriam a FM10 e a F6, com preços que variam de 500 a 2,500 dólares.

Para aqueles que se identificam com a estética dos filmes analógicos e gostam do processo de revelação, o cenário começa a ficar cada vez mais restrito. Apesar de nenhum pronunciamento da Nikon imagina-se que não demore muito para que ela também pare de oferecer ferramentas para o mercado analógico. Por outro lado empresas menores começaram a investir neste mercado para lucrar com a falta de espaço dos grandes nomes da indústria.

Contudo, ainda existe a possibilidade do mercado de segunda mão, mais underground que o ideal. Para aqueles que preferem pagar um pouco a mais para manter a tradição a notícia não deve mudar em muito. Mas talvez seja a hora de fotógrafos amadores aposentarem suas câmeras analógicas e finalmente aderir a onda digital.

1 COMENTÁRIO

Deixe uma resposta