Apple nega o recebimento de informações pessoais de usuários através do Facebook

0

Após as acusações do New York Times ao Facebook desta semana, diversas empresas que estariam supostamente envolvidas no caso tentaram se livrar da culpa. A rede social teria parcerias com pelo menos 60 fabricantes de celulares para otimizar seu uso nos aparelhos, dando a possibilidade dos usuários interagiram com fotos e conteúdos sem a necessidade de baixar o aplicativo em si.

O real problema com isso é que as empresas passaram, segundo acusação do jornal, a ter acesso a informações dos perfis que deveriam se confidenciais. Fotos, dados pessoais, orientação política, tudo isso não só do cliente mas também dos amigos conectados a ele. Através de curtidas e publicações seria possível mapear as pessoas indevidamente.

Mas em uma entrevista à estação de rádio NPR o Diretor Executivo da Apple, Tim Cook, foi categórico em dizer que a empresa não recebeu dados de usuários como relatado pelo New York Times. Para ele seria uma contradição enorme para a filosofia da firma e que não faz parte de seu plano de ação.

Cook confirmou uma parceria com o Facebook, mas a união estaria relacionada exclusivamente a otimização da rede social nos aparelhos da Apple, para maior comodidade de seus clientes. Desta forma realmente é possível compartilhar fotos ou criar publicações sem o auxílio do aplicativo, como realmente se imaginava que a união funcionava antes da acusação.

Adicionou comentando que a Apple não se envolve nos dados de usuários, e que preza pela privacidade de seus clientes não havendo qualquer interesse em suas informações. Ainda reforçou que a ideia central da parceria era a de trazer maior conveniência aos usuários do iOS, nada além disso.

O Facebook se pronunciou a respeito das acusações do New York Times alegando que as informações dos usuários só se tornavam disponíveis para os aparelhos caso houvesse consentimento do portador. Por isso eles negam ter compartilhado dados confidenciais aos fabricantes, reafirmando que as parcerias tinham o objetivo de garantir que a rede social funcione em qualquer celular, independente do sistema operacional, versão ou outros recursos do fabricante.

Lembrou ainda que disponibiliza APIs aos desenvolvedores de softwares, além dos fabricantes de smartphones. E que a utilização deles é monitorada rigidamente para que não existam brechas na segurança e assim garantir a privacidade de cada usuário. Para isso eles garantem que nenhum dado pode ser acessado caso não haja a expressa autorização da conta, é sempre necessário aceitar os termos de uso para liberar seu funcionamento.

Esta não é a primeira vez nos últimos meses que a Apple cutuca o Facebook a respeito da privacidade. Durante o escândalo da Cambridge Analytica, onde a rede social teria vazado informações de milhões de usuários, Tim Cook respondeu que “Jamais estaria nesta situação” ao ser questionado sobre o que faria no lugar de Mark Zuckerberg.

Nos novos anúncios da nova atualização do iOS a Apple utilizou o Facebook para exemplificar uma nova função capaz de silenciar as notificações de um aplicativo. Em uma demonstração do funcionamento de seu mais novo bloqueio contra “cookies” a fim de impedir o rastreio de seus usuários ao navegar pela internet a Apple, apesar de não mencionar o nome da rede social, deixou claro no exemplo dado ao público como fazê-lo utilizando uma página do Facebook como referência.

Esses atritos entre as duas empresas têm sido cada vez mais comuns e mostram o descontentamento da Apple pelos constantes escândalos a respeito da privacidade de usuários. É claro que as duas possuem abordagens diferentes para acumular renda, mas ambas estão no mesmo nicho tecnológico. Mas enquanto o Facebook foca na publicidade e dispersão de conteúdo, a Apple foca na fabricação de aparelhos. Para tais fins, não é preciso saber muito sobre os dados de seus clientes, mas, ainda assim, as empresas costumam se gabar por prezar pela privacidade.

O governo americano ainda não se pronunciou se irá investigar a acusação ou não, mas caso seja comprovada a veracidade a rede social estaria violando diretamente as leis federais americanas. O decreto da Comissão Federal do Comércio assinado em 2011 proíbe o compartilhamento não autorizado de informações pessoais com terceiros.

Deixe uma resposta