Coréia do Norte utiliza tecnologia da Apple e Microsoft para fazer ataques virtuais

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A Coréia do Norte possui um longo histórico envolvendo ataques cibernéticos ao longo dos últimos anos. Está associada, por exemplo, ao ataque do ramsware WannaCry 2.0 em 2017 que atingiu 200 mil computadores em todos os continentes. Mas muito pouco se sabe sobre como exatamente os hackers conseguiram esse feito devido ao imenso abismo que existe entre o país e o resto do mundo.

Mas agora um novo estudo sobre o mistério mostra que grande parte da tecnologia que a Coréia do Norte tem acesso vem dos Estados Unidos. Para a empresa de segurança cibernética Recorded Future o governo ditador conseguiu obter aparelhos de marcas como a Apple e a Microsoft para realizar as invasões virtuais, apesar dos grandes bloqueios comerciais.

A companhia descobriu que a Coréia vem utilizando o Widows 10, o Iphone X e o Galaxy s8 da Samsung, além de outros aparelhos, para conduzir as operações. O próprio ditador já foi fotografado diversas vezes utilizando aparelhos da Apple e produtos norte-coreanos que tentam imitar a tecnologia americana.

Já foi confirmado que apenas um núcleo muito próximo do líder tem acesso a internet global, uma vez que é possível rastrear os acessos mas impossível detectar os usuários. Mas foi possível descobrir, por exemplo, que a tecnologia é extremamente atrasada já que foram encontrados dispositivos com o Windows 7 e o IPhone 4S.

A Coréia do Norte está isolada a muitos anos. Durante essas décadas a economia deles ruiu e os Estados Unidos, junto a uma grande quantidade de outros países, impuseram sanções impedindo a exportação e venda de produtos para os coreanos pelas indústrias.

Como forma de contornar estas sanções, a Coreia do Norte tem praticado uma grande variedade de atividades para conseguir acesso a tecnologias dos EUA e da Coréia do Sul. Em sua análise a Recorded Future diz que o governo de Kim Jong Un tem criado endereços falsos para enganar as compras. Também tem se utilizado de empresas falsas além de suas fronteiras para receber os equipamentos e levá-los para dentro do país. Nortecoreanos vivendo em lugares com livre acesso a produtos da Apple e Microsoft também podem servir de ponte para essa exportação ilegal.

Revendedores de tecnologia, Norte-coreanos vivendo no exterior, e a extensa rede criminosa de Kim Jong Un. Todos esses fatores facilitam a transferência de tecnologia americana para o uso diário de um dos governos mais repressivos atualmente,” Disse a Recorded Future em seu relatório.

Mas esse bloqueio comercial teve algumas exceções. Desde 2002, os Estados Unidos exportou aproximadamente $484,000 em computadores e eletrônicos para a Coréia do Norte. A Recorded Future alega que essa quantia não seria o suficiente para abastecer todo o sistema de hackers e as elites locais, e por isso o país teria procurado formas alternativas para obter os aparelhos.

A análise feita dá certa clareza aos mistérios da Coréia do Norte e pode explicar, até certo nível, como foi possível para eles realizarem tantos ataques cibernéticos. Além do caso de 2017, com o ransomware WannaCry, que prendia os dados do usuário exigindo um “resgate”, os norte-coreanos também foram acusados de hackear a Sony em 2014.

A menos que haja um esforço conjunto e global para realizar sanções realmente efetivas à Coréia do Norte, e uma cooperação multilateral para garantir que essas imposições não possam ser corrompidas por empresas fantasmas, os norte-coreanos continuarão seus ataques cibernéticos inabalados e com o apoio da tecnologia Ocidental.” escreveu a Recorded Future.

Enquanto as tensões entre Estados Unidos e Coreia do Norte continuam a crescer, os dois países continuam a adotar políticas semelhantes no que concerne o uso da tecnologia para controle e monitoramento de suas populações.

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