Meio Ambiente

Estudo mostra que investir em infra-estruturas sustentáveis é a chave para a retomada do crescimento econômico

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Países do hemisfério Sul serão responsáveis por cerca de dois terços do investimento, principalmente nos setores de energia e transportes
Washington, DC, 6 de outubro de 2016: Um novo e importante relatório da Comissão Mundial sobre Economia e Clima exorta os governos e as instituições financeiras a ampliar e redirecionar seus investimentos para infra-estruturas sustentáveis como estratégia fundamental para estimular o crescimento.  Ele foi lançado hoje pelo ex-presidente do México Felipe Calderón e por Lord Nicholas Stern, bem como outros comissários globais, durante evento organizado pelo presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento, Luis Alberto Moreno, em Washington, DC, EUA.

“Investir em infra-estrutura sustentável é essencial para resolver todos os problemas mais urgentes do mundo”, declarou Felipe Calderón, que atualmente preside a Comissão Global. “É fundamental para reaquecer o crescimento global. É a chave para reduzir a pobreza. E é fundamental para o cumprimento do Acordo de Paris. A infra-estrutura pode ser o pilar sobre o qual podemos construir uma economia sustentável. Tudo depende se vamos adequar o financiamento para que o capital migre no sentido do baixo carbono.”

O relatório O Imperativo da Infra-estrutura Sustentável: Financiamento para um Melhor Crescimento e Desenvolvimento  identifica as principais barreiras para o financiamento de infra-estruturas sustentáveis e estabelece uma agenda de iniciativas para desbloquear o capital necessário.  Ele também detalha as necessidades de infra-estrutura futuras por setor e por grupos de país, o que levou à constatação de que os países do hemisfério Sul serão responsáveis por cerca de dois terços do investimento, com os setores de energia e transportes dominando.

Segundo o estudo, serão necessários cerca de US$ 90 trilhões em investimentos em infra-estrutura ao longo dos próximos 15 anos, mais do que está previsto atualmente, mesmo considerando o atual modelo de desenvolvimento. A boa notícia é que não será necessário muito mais para garantir que esta infra-estrutura proporcione uma economia de baixo carbono consistente com as metas climáticas acordados em Paris, e a economia gerada em combustível e outros itens acaba compensando quaisquer investimentos adicionais.

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Atender a essas necessidades de investimento exigirá uma combinação de recursos públicos e privados, com a participação pública usada estrategicamente para atrair ou alavancar ainda mais o investimento privado. De acordo com o estudo, um único projeto de infra-estrutura pode exigir a participação de dezenas de instituições financeiras, todos com suas próprias exigências, e levar mais de uma década para ser concluído. O custo de preparação do projeto é substancial, tipicamente 2,5-5% do investimento total. E a relação risco-retorno para a infra-estrutura sustentável é muitas vezes demasiada elevada para atrair capitais privados.

A Comissão Mundial identifica quatro áreas de ação para financiar infra-estruturas sustentáveis na escala necessária:

1. Combater distorções de preços fundamentais com a reforma dos subsídios aos combustíveis fósseis e a precificação do carbono. Os subsídios aos combustíveis fósseis totalizaram cerca de US$ 550 bilhões em 2014, desviando recursos que poderiam ser investidos em opções sustentáveis.

2. Fortalecer as estruturas políticas e capacidades institucionais. Planejamento e governança melhores podem garantir que os projetos mais pertinentes sejam selecionados em primeiro lugar e o financiamento adequado seja usado no momento certo.

3. Transformar o sistema financeiro por meio de novas ferramentas como títulos verdes (green bonds) e bancos de investimento verde e pela descarbonização do sistema financeiro existente, incluindo a divulgação dos riscos climáticos corporativos.

4. Elevar os investimentos em inovação e implantação de tecnologias limpas para reduzir os custos iniciais de infra-estrutura sustentável.

Lord Nicholas Stern, economista e co-presidente da Comissão, declarou: “O próximo par de décadas, e particularmente os próximos dois ou três anos, serão cruciais para o futuro do desenvolvimento sustentável. Podemos e devemos investir e construir cidades onde possamos nos mover, respirar e sermos produtivo, ao mesmo tempo em que protegemos o mundo natural que sustenta a nossa subsistência. Não podemos continuar com uma economia altamente poluente, que irá nos aprisionar dentro de infra-estruturas de alto carbono que criam ainda mais o congestionamento e poluição e, ao mesmo tempo, sufocam oportunidades de desenvolvimento, especialmente para os pobres. Isso vai exigir não apenas melhores políticas, mas também uma mudança radical no próprio sistema financeiro para torná-lo apto para o propósito, a escala e a qualidade do investimento que precisamos agora. Os bancos de desenvolvimento, tanto nacionais como internacionais, devem estar no centro desta história de crescimento do futuro ”

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Ngozi Okonjo-Iweala, ex-ministro das Finanças da Nigéria e atual Comissário, declarou: “Nossa agenda de ação neste relatório entrelaça crescimento sustentável com os ganhos de desenvolvimento. Ela deixa claro que o papel dos governos, do setor privado e dos bancos de desenvolvimento varia dependendo do estágio de desenvolvimento de um país. E é uma oportunidade especialmente emocionante para os países em desenvolvimento, nos quais estamos apenas começando a construir as infra-estruturas fundamentais, de mostrar uma real liderança graças às oportunidades de deixar para trás os sistemas ineficientes e poluentes do passado. ”

Caio Koch-Weser, ex-Vice-Presidente do Deutsche Bank e atual Comissário, comentou: “O financiamento verde e os riscos climáticos são os dois lados de uma mesma moeda. O setor financeiro está cada vez mais agarrando as oportunidades existentes no lado da transição para uma economia de baixo carbono. Mas qualquer investidor prudente não olha apenas para as oportunidades na carteira, mas também os riscos, especialmente dos investimentos já feitos. Definições claras do que conta como verde, por um lado, e os requisitos de transparência em matéria de risco de carbono, por outro, permitiriam decisões de investimento informadas e ajudariam a garantir uma transição para o baixo carbono eficiente e suave.”

No lançamento do relatório, o BID também lançou o NDC Invest, um balcão único para os países para transformar os seus compromissos nacionais firmados sob a égide do Acordo de Paris em planos de investimento.

Sobre a Comissão Mundial sobre Economia e Clima:

A Comissão Mundial sobre Economia e Clima compreende ex-chefes de governo e ministros de finanças e líderes nas áreas de economia, negócios e finanças. Foi estabelecida por sete países (Colômbia, Etiópia, Indonésia, Noruega, Coreia do Sul, Suécia e Reino Unido) como uma iniciativa independente para examinar como os países podem alcançar o crescimento econômico ao lidar com os riscos gerados pelas alterações climáticas. Seu programa de trabalho é realizado por uma parceria global de numerosas instituições líderes, incluindo: World Resources Institute (WRI, Managing Partner), Iniciativa de Política Climática (IPC), Instituto de Pesquisa de Desenvolvimento da Etiópia (EDRI), Instituto de Crescimento Verde (Global GGGI), Conselho Indiano de Pesquisa sobre Relações Econômicas Internacionais (ICRIER), Overseas Development Institute (ODI), Stockholm Environment Institute (SEI) e a Universidade de Tsinghua.

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O Imperativo da Infra-estrutura Sustentável: Financiamento para um Melhor Crescimento e Desenvolvimento é o terceiro grande relatório do emblemático projeto New Climate Economy da Comissão.

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Meu nome é Vagner Liberato, sou carioca e vivo no Rio de Janeiro. Formei-me em Administração de Empresas e sou um apaixonado por conteúdo sustentável. Desde 2015 faço o Meio Ambiente Rio com maior prazer! Para falar comigo, entre em contato pelo email: contato@meioambienterio.com

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