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Vamos falar sobre crianças?

A coluna dessa semana não poderia ter outro tema, crianças. São essas pessoas, cujas mentes ainda estão em formação, que nos fazem experimentar e entender o que é um paradoxo. Crianças nos fazem ter coragem para enfrentar medos terríveis e nos apavoram com uma simples garganta inflamada, nos fazem sentir um profundo orgulho intelectual com um “nossa, como você é inteligente”, papai ou mamãe e nos fazem perceber que não sabemos de nada, enquanto decifram os mistérios dos nossos smartphones com uma naturalidade incrível, quase como se não fosse nada.

Crianças nos fragilizam, nos fortalecem, mas inexoravelmente nos levam adiante. Nessa dualidade, as crianças refletem muito do que nós as mostramos. Pensemos em todas as vezes que nossos filhos e filhas agiram exatamente como nós costumamos agir, nosso exemplo para os pequenos se demonstra mais poderoso que nossas palavras, algumas vezes tão ineficazes em fazê-los perceber o bem que lhes desejamos.

É nesse ponto que gostaria de intensificar nossa conversa, pois criar filhos não é algo fácil, tampouco vem com receita pronta. Hoje, eu diria que é um ato de muita coragem gerar uma nova vida, pois essa vida, ao menos em parte de sua existência, é nossa completa responsabilidade. Essa vida dependerá de nós e de nossa força de vontade para sobreviver, crescer, frutificar, mas, sobretudo, para ser feliz. Mas como assim ser feliz?

É possível criar filhos com outro objetivo? Profissão, dinheiro, pertences são coisas menores diante da felicidade e isso não é retórica ou autoajuda. Ser feliz é a única coisa que torna nossa passagem nessa terra suportável, pois bens ou dinheiro são passageiros. A questão é como ver que a felicidade depende de um árduo trabalho de construção? Precisamos acostumar nossa visão e, nisso, crianças são grandes especialistas. Uma criança vê a felicidade em uma bola de sorvete, em um brinquedo improvisado, na correria entre amigos de uma tarde de sábado, em um beijo estalado na bochecha, cheio de saliva e suor, pois ela não para de correr e saltar sobre tudo e sobre todos.

Essa lição é muito difícil para nós, os adultos. Pois nós nos especializamos em matar nossa criança interior, zombamos de quem tem fé em um amanhã melhor, nos regozijamos em fazer com que sonhos sejam vistos como uma grande bobagem, para o deleite daqueles que enxergam o mundo com os olhos cheios de um pragmatismo pernicioso, que ostenta orgulhosamente a cegueira de quem só vê o que é cinza, sem brilho, perfume ou qualquer traço de alegria. Uma criança não é assim, ela subverte essa ordem, ignora nossa chatice cotidiana e faz aquilo que ninguém espera, quase sempre.

Por isso precisamos protegê-las, a inocência infantil é um bálsamo para a maldade do mundo. Nunca se esqueça disso. Mas como? Brinque com seus filhos, mesmo que esteja muito cansado, nunca diga que os seus projetos de criança são bobos, fúteis, tolos ou besteira, ouça-os com amor e atenção, sorria com suas brincadeiras, mas sobretudo, seja presente, seja um presente para seus filhos. De nada valerão todas as coisas caras que você comprou, ou o colégio caro, ou as roupas de marca se você não tiver memórias de algo vivido além das fotografias em redes sociais ou velhos álbuns empoeirados. Seja presente na vida dos seus filhos e deixe-os serem crianças, deixe-os experimentar o doce da infância, para que nunca cresçam adultos demasiado amargos.

Escrevo essas linhas ainda impactado pela tragédia ocorrida em Minas Gerais, deixo aqui minha solidariedade e pesar como cidadão e como pai, a todos os atingidos diretamente e a todas as crianças, que merecem um mundo melhor para poderem crescer. Nas palavras cheias de amor de São Francisco de Assis, “Senhor, fazei-me um instrumento de Vossa Paz.”

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Iuri Rocha Iuri

Olá, sou Iuri Rocha, professor das redes estadual e particular. Sou formado em Licenciatura em História pela UFRRJ e ligado em tudo o que pode tornar o nosso mundo melhor. Para falar comigo bastar enviar um e-mail para iuri@meioambienterio.com

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