Meio Ambiente

Congresso no Brasil fortalece protagonismo em agricultura sustentável

Começa nesta segunda-feira, 13 de julho, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília, o Congresso Mundial sobre Sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (WCCLF2015). Durante a semana, centenas de pesquisadores de mais de 30 países, além de produtores, técnicos e estudantes, discutirão alternativas para garantir a segurança alimentar e nutricional do planeta a partir do uso de tecnologia e de forma sustentável.

Entre os temas a serem discutidos estão a agricultura e o desafio de alimentar o planeta; mitigação do efeito estufa; e o ILPF em diferentes regiões do mundo. A iniciativa da Embrapa de promover o encontro busca consolidar o protagonismo do País no desenvolvimento de tecnologias para utilizar de maneira intensiva, mas sustentável, os recursos naturais e, ao mesmo tempo gerar alimentos e bem-estar para a população.

O diretor de P&D da Embrapa, Ladislau Martin Neto, explica que a Integração Lavoura-Pecuária-Florestas (ILPF) é considerada o maior avanço das tecnologias agrícolas na área de sustentabilidade agropecuária e tem potencial para ser a segunda revolução agropecuária no Brasil.

O Brasil é considerado líder global no desenvolvimento de sistemas integradores na agropecuária e o ILPF (Integração Lavoura-Pecuária-Floresta) faz parte do modelo de intensificação sustentável, tratado pela pesquisa agropecuária brasileira como a nova grande revolução da agropecuária tropical.

ILPF
O ILPF é uma estratégia que busca a produção sustentável integrando atividades agrícolas, pecuárias e florestais na mesma área, em cultivo consorciado, em sucessão ou rotacionado. O sistema permite efeitos sinérgicos entre os diferentes fatores de produção, contemplando a adequação ambiental, a valorização dos seres humanos e a viabilidade econômica. Para o agricultor, possibilita a intensificação da agricultura, com a maior produção por área ocupada.

Na prática, o sistema evita a ampliação de área de produção e garante até três safras por ano no mesmo ambiente. A atuação de forma integrada ajuda o agricultor a elevar a produtividade do sistema de produção e o país a lidar com o desafio de descarbonizar a agricultura, reduzir a emissão de gases, aumentar a eficiência, reduzindo a pressão sobre ambientes frágeis e sobre áreas florestadas. Ladislau Martin Neto diz que a Embrapa “faz grande investimento em pesquisar, desenvolver e disseminar as tecnologias de integração”.

O sistema ILPF alinha-se a políticas de governo já implementadas no país, como é o caso do Plano ABC (Agricultura de Baixa Emissão de Carbono), política pública que contempla ações de mitigação e adaptação às mudanças do clima para o setor agropecuário. Os compromissos do Plano ABC incluem a adoção de sistemas ILPF e de Sistemas Agroflorestais (SAFs) em quatro milhões de hectares; a recuperação de 15 milhões de hectares de pastagens degradadas; ampliação do Sistema Plantio Direto (SPD) em 8 milhões de hectares, entre outras ações com potencial de mitigação que pode chegar a 162,9 milhões de toneladas de CO2 equivalentes.

Rede de Fomento ILPF
A fim de acelerar a adoção por produtores rurais da integração lavoura-pecuária-floresta, foi criada em 2013 a Rede de Fomento à ILPF, formada pela Embrapa e seis empresas privadas: Cocamar, Dow, John Deere, Parker, Syngenta e Schaeffler. Trata-se de uma parceria público-privada (PPP) formada a partir dos estímulos para redução de gases de efeito estufa assumidos pelo Brasil na COP15, no fim de 2009 (veja texto sobre Plano ABC na página 28). A rede apoia a transferência de tecnologias sobre ILPF a produtores rurais promovendo aumento de renda e produção de maneira sustentável.

A rede conta com investimentos da ordem de R$15 milhões, vindos R$2,5 milhões de cada empresa privada. A Embrapa participa com o suporte técnico e conhecimento científico para a difusão das tecnologias. “É uma soma de forças potente em que inteligência [da Embrapa] e músculos [do setor privado] se unem para acelerar o progresso de um setor”, declara Paulo Herrmann, presidente da John Deere e coordenador da Assembleia Geral da Rede de Fomento.

As principais atividades apoiadas pela Rede de Fomento estão ligadas às ações de transferência de tecnologia por meio da difusão das melhores práticas de integração. Existem cerca de 200 Unidades de Referência Tecnológica (URT) distribuídas pelo Brasil, que servem para testar a tecnologia e difundi-la no seu entorno.

Além das atividades de implantação, condução e acompanhamento das URTs, a rede também apoia a realização de palestras, cursos, workshops, seminários e dias de campo, tudo com o intuito de fomentar a adoção dos sistemas de integração em diversas regiões do País. São centenas de eventos realizados por ano para propiciar a troca de informações entre técnicos e produtores que desejam adotar a integração. Para o executivo da John Deere, a ILPF representa o início de uma mudança radical no campo. “Nela está a chave para uma revolução na agricultura tropical com maior produção de alimentos com preservação ambiental e prova que essas duas ações não são excludentes.

Avanço
A agricultura conservacionista não é novidade no Brasil. A partir do uso de técnicas como plantio direto, uso da fixação biológica de nitrogênio, manejo de solo e construção de fertilidade de solos tropicais foi possível obter resultados que tornaram o país referência para a expansão da agricultura no cinturão tropical do globo. A novidade é o estímulo e a perspectiva de um avanço a partir do que é considerada a nova revolução da agricultura tropical, baseada no conceito de intensificação sustentável, a integração sustentável, com a integração lavoura-pecuária e lavoura-pecuária-floresta.

Tecnologias que permitam a intensificação do uso da base de recursos naturais do país deverão receber cada vez mais atenção no futuro. O presidente da Embrapa, Maurício Lopes, argumenta que faz mais sentido recuperar áreas de pastagens degradadas e intensificar seu uso, que abrir novas áreas para a exploração agrícola. Estima-se que o Brasil tenha em torno de 50 a 60 milhões de hectares de pastagens degradadas. Essas são as áreas ideais para expansão da agricultura, da pecuária e da base florestal brasileira, sem a necessidade de novos desmatamentos.

As tecnologias de integração lavoura, pecuária e floresta permitem desenvolver num mesmo espaço múltiplas atividades produtivas, construindo no processo a fertilidade do solo. Tais inovações tecnológicas são consideradas fundamentais para sustentação do Programa Agricultura de Baixo Carbono – ABC, que incentiva a incorporação de processos tecnológicos como o plantio direto na palha, a recuperação de áreas degradadas, plantio de florestas comerciais, fixação biológica de nitrogênio, tratamento de resíduos animais, dentre outras.

Maurício Lopes diz que a chamada intensificação sustentável é a grande agenda da Embrapa. “Nesse sentido damos muita ênfase na possibilidade de transferir tecnologia para um setor que tem sido alvo de diversas políticas públicas, como o Plano Setorial de Mitigação e de Adaptação às Mudanças Climáticas para a Consolidação de uma Economia de Baixa Emissão de Carbono na Agricultura (Plano ABC)”, explica.

O Brasil tem cerca de 50 milhões de hectares de pastagem degradadas que poderão ser ocupadas por sistemas integrados. Essa é uma grande fronteira de expansão, especialmente na região central do Brasil. Acreditamos que o futuro da agropecuária brasileira é baseado em sistemas integrados.

Maurício Lopes explica que o esforço da Embrapa em intensificação sustentável está conectado a uma rede de empresas e organizações. “Há cada vez mais produtores e lideranças interessados em apoiar a pesquisa no desenvolvimento e na disseminação de práticas mais sustentáveis para a agricultura”. Para o presidente da Embrapa, um dos desafios da pesquisa é continuar ampliando a produção e a produtividade da agropecuária brasileira, “com sustentabilidade, focando ganhos econômicos, sociais e a conservação da nossa base de recursos naturais”.

Esta mobilização ganhou ênfase particularmente a partir do Código Florestal que “emitiu um sinal claro que não é mais possível ampliar a produção com base na expansão de área. O crescimento da agricultura brasileira vai se dar agora verticalmente e não horizontalmente”.

A agricultura brasileira deverá continuar respondendo à necessidade de produzir volumes crescentes de alimentos e matérias-primas, “não apenas para o mercado interno, mas também para elevar a nossa capacidade exportadora”. Maurício Lopes destaca que o desafio é ampliar a produção de maneira sustentável, para continuar contribuindo com a segurança alimentar do brasileiro, mas também ajudar a garantir a segurança alimentar de países com limitadas capacidades de produção, em especial no mundo em desenvolvimento.

O evento
O Congresso inicia às 8h30min., desta segunda, dia 13, com abertura pelo presidente da Embrapa, Maurício Lopes. As primeiras palestras são com representantes internacionais, que abordarão os desafios da aplicação de sistemas integrados em diferentes regiões climáticas. Tom Goddard, do governo do Estado de Alberta, Canadá, falará sobre a aplicação de sistemas de ILPF em regiões temperadas do planeta. Pablo Tittonell, da Universidade de Wageningen, Holanda, abordará os desafios dessas tecnologias em regiões tropicais, e a ILPF aplicada a regiões semiáridas será tema da sessão de Antoine Kalinganire, do World Agroforesty Centre, do Mali.

Durante o dia as apresentações vão tratar de temas como sistemas ILPF nas diferentes regiões do Brasil, Plano ABC, ILPF na África Subsaariana, viabilidade econômica e rentabilidade dos sistemas ILPF, quantificação do fluxo de gases de efeito estufa e benefícios e impactos da mudança para sistemas diversificados, além da apresentação de casos de sucesso.

A abertura oficial será às 19h, com autoridades como a ministra da Agricultura, Kátia Abreu e o presidente do Conselho da Rede de Fomento ILPF, Paulo Herrmann.
Serão homenageadas personalidades que auxiliaram o desenvolvimento e a difusão das tecnologias de ILPF. Um deles será o ex-ministro da Agricultura Allyson Paolinelli. Enquanto estava à frente do Ministério, entre 1974 e 1979, Paolinelli foi um dos maiores apoiadores da Embrapa nos primeiros anos da empresa e é entusiasta da agricultura intensiva com ILPF. Outra homenagem é para a Rede de Fomento ILPF, parceria público-privada formada pela Embrapa e seis companhias privadas que busca incentivar e acelerar a adoção de tecnologias ILPF. O Presidente da Rede, Paulo Herrmann, receberá a homenagem. A terceira é para o pesquisador da Embrapa João Kluthcouski que iniciou na década de 1970 pesquisas que culminaram na criação do sistema Barreirão, utilizado para a recuperação de pastagens, e do sistema Santa Fé, que viabiliza a manutenção de áreas agrícolas prevenindo a sua degradação.

O primeiro dia será encerrado com o lançamento do livro “500 perguntas e respostas sobre sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta” e com a cerimônia de adesão das empresas Dow Chemical e Schaeffler à Rede de Fomento ILPF.

O evento encerra sexta-feira, 17, com a sessão final das 17h40. Veja mais em: www.wcclf2015.com.br

Assessoria de Imprensa do Evento: (61) 3448.4113 e (61) 9987.8410

Secretaria de Comunicação da Embrapa – Secom

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Vagner Liberato

Meu nome é Vagner Liberato, sou carioca e vivo no Rio de Janeiro. Formei-me em Administração de Empresas e sou um apaixonado por conteúdo sustentável. Desde 2015 faço o Jornal Sustentabilidade com maior prazer! Para falar comigo, entre em contato pelo email: contato@meioambienterio.com

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