Meio Ambiente

Rio se protege de crises no país a um ano da Olimpíada, apesar de desafios

RIO DE JANEIRO (Reuters) – A um ano da abertura da Olímpiada do Rio de Janeiro, a cidade busca se isolar em uma bolha para se proteger de um quadro nacional marcado por recessão na economia, crise política e escândalo de corrupção.

Ainda há muito trabalho a ser feito até o início da primeira Olimpíada na América do Sul, em 5 de agosto de 2016, mas a grande maioria das obras de infraestrutura e arenas esportivas está dentro do cronograma, em contraste com os problemáticos preparativos do Brasil para a Copa do Mundo de 2014, marcados por atrasos, estouros de orçamento e protestos contra a realização do evento.

Diante de um cenário nacional bem diferente daquele de crescimento robusto e alta confiança no Brasil vivido em 2009 na época da vitória do Rio sobre Madri, Chicago e Tóquio na disputa pela sede olímpica em 2016, a capital fluminense agora se vê obrigado a “proteger” os Jogos das crises externas, na avaliação do prefeito Eduardo Paes (PMDB).

“Claro que uma situação de instabilidade econômica e política do Brasil não dá para ignorar”, disse Paes em entrevista à Reuters nesta terça-feira, véspera da data que marcará os exatos 365 dias para o início da Olimpíada.

“Então trabalhamos para que as coisas caminhem bem. Mais ainda temos que estar atentos, proteger e provar como a Olimpíada é importante para o Rio de Janeiro e para o Brasil. Talvez tenha ficado mais duro, mais desafiador mostrar tudo isso diante do quadro que estamos vivendo”, afirmou.

Em comparação com a preparação para o Mundial do ano passado, os organizadores dos Jogos, que têm custo total estimado em mais de 38 bilhões de reais, velejam em águas bem mais tranquilas, ainda que sujas.

A poluição da Baía de Guanabara e de outros locais de competição parece ser o maior desafio dos organizadores até o início dos Jogos. A meta anunciada pelo governo estadual de despoluir 80 por cento do esgoto lançado na baía até os Jogos foi abandonada, e as autoridades agora esperam que medidas paliativas, como barreiras aquáticas, melhorem as condições para os atletas.

A limpeza propriamente dita do local vai levar mais 20 anos, de acordo com nova previsão das autoridades fluminenses.

“Está tudo ruim, acho que a Baía de Guanabara não passa de ser o espelho do Brasil. Está tudo ruim”, disse à Reuters o velejador bicampeão olímpico Marcelo Ferreira.

Há também temores com os prazos apertados para a realização de eventos-teste, com alguns programados para poucos meses antes da competição definitiva. Entre as arenas que precisam de mais trabalho estão o velódromo e o campo de hóquei.

Mas, depois de ter sido apontada por um vice-presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), no início de 2014, como uma das piores preparações para Jogos Olímpicos, a cidade passou a receber elogios dos inspetores internacionais nas visitas mais recentes, principalmente após a realização bem-sucedida da Copa do Mundo.

“Acho que construímos um modelo e uma maneira de fazer as coisas de maneira correta”, disse Paes.

Nenhuma das arenas esportivas tem menos de 60 por cento de obras concluídas, segundo a prefeitura, enquanto a Vila Olímpica já está 85 por cento pronta. Obras de mobilidade urbana, como vias expressas de ônibus e uma nova linha de metrô, estão com obras em bom andamento e previsão de conclusão no início de 2016.

Apesar do otimismo apontado pelas autoridades, o Rio está atrás de Londres em comparação com a mesma época antes dos Jogos Olímpicos de 2012 na capital britânica, que já tinha mais de 80 por cento da infraestrutura e das arenas concluídas a um ano da abertura do evento.

LAVA JATO

A operação Lava Jato, que descobriu um bilionário esquema de corrupção na Petrobras envolvendo empreiteiras também responsáveis por tocar obras olímpicas, traz incertezas para a reta final de preparação olímpica. Cinco grandes construtoras implicadas na investigação fazem parte do projeto olímpico.

Sozinha, a Odebrecht, cujo presidente Marcelo Odebrecht é réu na Lava Jato, está envolvida em mais da metade de todos os projetos olímpicos em termos de valores, enquanto a OAS, que também está em consórcios de obras olímpicas e é alvo da Lava Jato, apresentou pedido de recuperação judicial. As outras são Andrade Gutierrez, Queiroz Galvao e Carioca Christiani Nielsen Engenharia.

A Odebrecht não respondeu a um pedido de comentário. A Carioca disse que não comentaria por ter apenas participação minoritária em um consórcio. Andrade Gutierrez, OAS e Queiroz Galvao disseram que os projetos olímpicos não foram afetados.

Para garantir o cumprimento de prazos, a prefeitura tem sido forçada a adiantar pagamentos para as empresas. De acordo com o município, foram adiantados 200 milhões de reais em pagamentos às empreiteiras para que as obras não atrasem.

“Hoje nós somos objeto de desejo das maiores construtoras do país, porque a prefeitura paga em dia e aqui nós não temos Lava Jato. As obras estão no prazo, as obras estão com os preços contratados, não há obras que estão custando o dobro do que foi contratado”, disse o secretário de Coordenação de Governo da Prefeitura, Pedro Paulo.

(Reportagem adicional de Rodrigo Viga Gaier, Caio Saad e Stephen Eisenhammer; Edição de Tatiana Ramil e Cesar Bianconi)

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Vagner Liberato

Meu nome é Vagner Liberato, sou carioca e vivo no Rio de Janeiro. Formei-me em Administração de Empresas e sou um apaixonado por conteúdo sustentável. Desde 2015 faço o Jornal Sustentabilidade com maior prazer! Para falar comigo, entre em contato pelo email: contato@meioambienterio.com

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