Congresso Brasileiro de Arroz discute impacto ambiental e integração com a soja

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Na manhã desta quinta-feira (13), quatro painéis discutiram diferentes esferas da produção de arroz, incluindo aspectos econômicos, ambientais e tecnológicos

Durante a manhã do terceiro dia de atividades do IX Congresso Brasileiro de Arroz Irrigado, realizado no centro histórico de Pelotas/RS, estiveram em destaque na programação a análise de risco ambiental da cultura e a integração do arroz com a soja, entre outras palestras de pesquisadores internacionais. As atividades deste congresso itinerante, realizado pela terceira vez na Princesa do Sul, estão sendo realizadas entre os dias 11 e 14 de agosto, em quatro casarões históricos da cidade, aliando cultura, história e produção agrícola.

O salão nobre da Prefeitura Municipal de Pelotas recebeu a sessão sobre “Tecnologia de Colheita, Pós-colheita, e Industrialização de Grãos e Sementes”. Na atividade, o professor da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) Moacir Cardoso Elias ministrou a palestra “Pós-colheita, industrialização e qualidade do arroz: evolução e desafios.” Segundo Elias, o arroz é o único alimento que obrigatoriamente deve ser industrializado para o consumo, pois precisa ser descascado. O Rio Grande do Sul é o líder do cultivo do grão no país, representando 69,4% da produção nacional.

Outro ponto destacado pelo professor é o expressivo consumo diário de arroz no país, alimento que está na mesa de 94% da população. Também mencionou as novas demandas da chamada “geração saúde”, responsável pelas mudanças nos hábitos alimentares dos consumidores. Segundo Elias, o consumo de arroz parboilizado, por exemplo, aumentou e hoje representa 25% da produção do grão.

Já no Theatro Guarany, a quinta sessão de palestras foi sobre o “Manejo da Cultura e dos Recursos Naturais”. Durante o painel, o pesquisador norte-americano Timothy Walker palestrou sobre “Optimization of the nitrogen use in rice” – Optimização do uso de nitrogênio na lavoura de arroz. Durante a palestra, o pesquisador falou sobre o sistema de produção de arroz dos Estados Unidos e sobre a importância do nitrogênio na cultura. Além disso, foram relatadas técnicas para melhorar o manejo do nitrogênio, como fontes, doses, épocas de aplicação e métodos inovadores para análises do solo.

 

Análise de risco ambiental

Também pela manhã, a Bibliotheca Publica recebeu o painel “Qualidade Ambiental do Agrossistema Orizícola”, que contou com uma das palestras destaque da programação. A analista ambiental do Ibama, Deborah Cardozo, veio ao evento para falar sobre um trabalho desenvolvido pela instituição, que deve culminar num manual de Avaliação de Risco Ambiental (ARA). O trabalho está sendo feito em etapas que incluem a caracterização dos cenários agrícolas brasileiros e dos efeitos da exposição aos agrotóxicos.

Em outros países, como os Estados Unidos, este trabalho já é uma realidade há alguns anos. Aqui no Brasil, as análises devem ser feitas através de modelos matemáticos no estilo europeu, mais simples que os dos americanos, e que considerem as especificidades das condições brasileiras. De acordo com a analista, a cultura do arroz irrigado deve ter um grupo de trabalho específico, já que apresenta um cenário diferente dos demais devido à inundação das lavouras.

 

Benefícios da rotação com a soja

Finalmente, o prédio da Faculdade de Tecnologia do Senac recebeu, pela manhã, o diretor comercial do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), Tiago Barata, que participou de sessão sobre “Sócio-economia e Sistema de Produção”, com a palestra “Reflexos econômicos da inserção da soja no sistema de produção em áreas orizícolas.”

De acordo com o diretor comercial, a rotação do arroz com a soja apresenta benefícios técnicos, ambientais e econômicos. Dentre os econômicos – o foco da palestra –, Barata aponta a ciclagem de nutrientes e a melhora do solo – aspectos que diminuem os custos de produção – e, principalmente, a minimização do uso de agrotóxicos agrícolas para controle de pragas, doenças e plantas daninhas. Além disso, para Barata, a soja é importante na estratégia comercial, pois acrescenta um novo produto ao portfólio do produtor de arroz.

Barata conclui que, apesar de ainda carecer de avaliação técnica, a soja tem impacto econômico positivo como alternativa de rotação nas áreas de arroz irrigado. Mas, atualmente, essa integração esbarra em limitações técnicas – como as características das áreas, nem sempre adequadas – e em limitações culturais. “O produtor de arroz ainda tem um know how no arroz e precisa quebrar paradigmas com relação à soja. E embora os preços da soja estejam estabelecidos, é uma cultura de risco a qual o produtor ainda não tem o manejo na palma da mão”, explica.

A área de soja em várzea em rotação com o arroz no Estado é de 282 mil hectares na safra 2014/15, representando 25,1% da área do arroz. Um crescimento significativo, se comparado aos valores da safra 2010/11, quando a soja representava 4,9%, com 56 mil hectares. Segundo Barata, a expectativa é que essa proporção aumente e se estabeleça entre 30% e 50%. “A tendência é essa sinergia entre a soja e o arroz crescer, no entanto ela aumenta a complexidade da propriedade agrícola”, conclui.

 

Realização

Com foco no tema “Ciência e Tecnologia para Otimização da Orizicultura”, o IX Congresso Brasileiro de Arroz Irrigado é uma promoção da Sociedade Sul-Brasileira de Arroz Irrigado (SOSBAI), realizado pela Embrapa Clima Temperado com o apoio da Prefeitura Municipal de Pelotas e do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. A co-promoção fica a cargo da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), do Instituto Rio Grandense do Arroz (IRGA), da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).

Colaboração: Elise Souza, Letícia Eloi Pinto e Victor Lannes (estagiários)

 

Francisco Lima (13696 DRT/RS)
Embrapa Clima Temperado

Telefone: (53) 3275-8206

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