Meio Ambiente

Sacolinhas

SACOLINHAS

ERNANI SARTORI

O Estado de São Paulo proibiu o uso de sacolinhas plásticas em supermercados e comércio em geral, aquelas que eram fornecidas supostamente gratuitas, com a justificativa de proteger o meio ambiente. Só que no Brasil muita coisa é decidida sem as devidas razões que não conduzem a justas, corretas e honestas atitudes e, assim, no final, a emenda pode ficar pior do que o soneto e mesmo assim influenciar erroneamente outros lugares. Vejamos as razões utilizadas para a adoção de tal medida: 1) o governo diz que o plástico dura muitos anos para se decompor e que isso é um enorme problema; 2) o governo diz que sacolinhas plásticas vão parar nos rios e causam problemas ao ambiente e à fauna aquática; 3) o governo diz que devem ser usadas sacolas retornáveis e caixas de papelão.

Vamos analisar com mais vagar se tal decisão vai mesmo resolver alguma coisa ou ficará pior:

  1. A longa durabilidade do plástico não é um problema, mas sim a grande solução! Que ótimo que ele dura tanto, pois pode ser reciclado quase infinitas vezes, com enormes lucros para o ambiente e para a economia de energia, de petróleo e de outros materiais para o bem do planeta. Ninguém reclama e todo mundo vê vantagens no fato de que as latinhas de alumínio duram muito mais ainda, pois é sabido que elas podem ser recicladas quase infinitas vezes produzindo muitas vantagens para o ambiente e planeta! Reciclando as latinhas gasta-se apenas 5% da energia que seria necessária para produzir a mesma quantidade a partir do material bruto da natureza. Praticamente a mesma quantidade de latas serve sempre para toda a população, bastando apenas repor algumas poucas perdas bem como devido ao aumento de consumo e da população. Com o plástico é a mesma coisa, reciclando-o economiza-se muito petróleo, energia, materiais e o próprio planeta! Ir contra a essa natureza das coisas é prejudicar o ambiente, o país e o planeta! Além da reciclagem ainda há um processo semelhante ao micro-ondas através do qual já é possível obter óleo e gás a partir de pneus e plásticos. Isso não é incrível? Desperdícios devem ser evitados, mas em vez de proibirem o uso de plásticos eles deveriam ajudar a implantar tais fábricas e processos. Na Alemanha, empresas disputam entre si o lixo das casas para produzirem energia e produtos reciclados e, assim, há enorme economia de energia e de materiais bem como os lixões são eliminados. E lá sacolinhas não devem parar nos rios e lagos.

  1. Ah, mas as sacolas vão parar nos rios e lagos! No Japão não há uma só sacola que vai parar nos rios por vontade da população. Então, a culpa não é das sacolinhas! Educação e organização pública são necessárias. Dentro de shoppings, com as mesmas pessoas e educação de fora dos mesmos, ninguém joga papel no chão porque o ambiente é limpo e zeloso. Serviços de recolhimento de lixo precisam ser aprimorados e modificados bem como devem ser estendidos de forma eficiente e frequente para todos os bairros das cidades, sobretudo onde falta muita urbanização e serviços públicos, cuja ausência de meios acarreta mais problemas sociais e consequências ambientais em rios, lagos e terrenos. Lá não é um shopping zeloso que oferece condições de manutenção para bons e agradáveis ambientes bem como a educação social não fala mais alto. E apesar do governo querer eliminar as sacolinhas consideradas gratuitas, plásticos de todos os tipos continuam a ser vendidos, inclusive sacolinhas plásticas para lixo, atitudes que não conferem, portanto, com o que o governo diz e impõe. Sendo vendidas pode, gratuitas não! Para o governo, sendo vendidas não importa se elas vão parar nos rios.

  1. Caixas de papelão podem vir contaminadas devido a seus transportes e armazenagens e contaminarem alimentos e casas, prejudicando a saúde das pessoas e do ambiente. E as sacolas retornáveis também se contaminam com o reuso, além de que estas serão lavadas muitas vezes consumindo mais água e sabão que sujarão ainda mais os rios e lagos. O que é melhor, aproveitar e ganhar muito com os inúmeros e grandes benefícios econômicos, sociais e ambientais com a reciclagem das sacolinhas ou perder mais água e jogar mais sabão e água suja nos rios e lagos, com custos adicionais para o ambiente e para a limpeza de água de consumo? E papel, papelão, sacolas retornáveis e garrafas pet entre outros produtos também vão parar nos rios, não apenas as sacolinhas. As garrafas pet são pagas e, no entanto, também param nos rios e lagos. E a reciclagem de garrafas plásticas é incentivada, então por que não incentivar a das sacolinhas? Isso, juntamente com campanhas educativas, certamente diminuiria a quantidade delas que vão parar nos rios.

Aproveitando o gancho, não é a educação escolar, a do 2 + 2 (informação apenas), que solucionará a situação de caos social de valores que o Brasil vive e produz extremas violência e corrupção de todo tipo e lugares. É a educação de valores (formação!) que o país precisa e a única coisa capaz de mudar sua condição precária. Uma pessoa com muita informação, mas sem nenhuma formação fica corrupta, porque se aproveita da sua condição. Uma pessoa sem informação e sem formação vira assaltante de rua. Em ambos os casos, o que muda o comportamento é a formação. E aí não é a escola atual brasileira que vai resolver isso, mas todos juntos e uníssonos em torno de valores realmente importantes. E é aí onde encontramos o imenso poder destrutivo de valores da mídia brasileira e em especial da TV Lobo em pele de cordeiro, conhecida como o canal do sexo e cujo mentor de conteúdo e programação dizem ser um norte-americano, que em vez de alimentar a população com valores elevados usa os principais horários para fazer implacáveis e irredutíveis lavagens cerebrais destrutivas de valores e assim desmancha e destrói toda a formação básica que o pobre incauto povo brasileiro poderia preservar ou ganhar. E é imitada, reproduzida e piorada por outros canais, porque estes não têm luz própria. E todos esses criam o ambiente, imagem e cultura de país “banda-voou”. O povo então perde o pudor, o respeito com tudo, fica sem noção, não conhece mais os valores e não toma conta de seu país, os espertos sem valores se aproveitam disso, os governantes desprezam o povo incauto, a corrupção e a violência se espalham, a justiça dança conforme a música, as instituições fracassam e o caos é instalado.

Nos filmes de mocinho e bandido o bem e o mal sempre ficaram bem caracterizados e diferenciados, mas esse canal inverteu isso e tornou os maus e baixos valores como ídolos e símbolos da sociedade a serem seguidos e reproduzidos, para fazê-la perder os bons referenciais que constroem uma verdadeira nação. Um povo sem referenciais sólidos é jogado pra todos os lados, de acordo com os interesses de terceiros poderosos, que inclusive dizem que tudo deve girar em torno deles. Há muitos anos atrás um educador de crianças disse: “Não adianta eu dar duas horas de formação durante o dia na escola se chega de noite a TV Lobo estraga tudo”. Além de destruir, ela coloca nas mentes e torna como normais valores distorcidos para construir uma “realidade” que interessa a ela. O resultado só podia ser essa inversão de valores e caos que o país bem conhece e experimenta e da pior forma, assim como eu previa há muitos anos atrás que daria nisso. E, já por costume e perda de referenciais, não sabe mais qual o rumo certo a tomar nem como fazer isso. Nesse contexto de desordens de valores e de serviços públicos e urbanização, atacar as sacolinhas é não resolver o principal, que continuará ruim e até pior.

Mais vale um juiz bom e prudente do que uma lei boa, pois para um juiz mau e injusto uma lei boa de nada serve, porque ele a verga e a torna injusta a seu modo”. (Código Geral da Suécia, 1734)

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Vagner Liberato

Meu nome é Vagner Liberato, sou carioca e vivo no Rio de Janeiro.
Formei-me em Administração de Empresas e sou um apaixonado por conteúdo sustentável.
Desde 2015 faço o Jornal Sustentabilidade com maior prazer!

Para falar comigo, entre em contato pelo email:
contato@meioambienterio.com

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