Leonardo Coelho, CEO da Americanas, e Camille Faria, CFO Americanas, na Assembleia Geral de Credores que aprovou o Plano de Recuperação Judicial da Americanas. Foto © Eduardo Martino 19.12.2023
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O Plano de Recuperação Judicial (PRJ) da Americanas S.A. foi aprovado em Assembleia Geral de Credores (AGC) realizada nesta terça-feira, 19/12. O documento recebeu a chancela dos detentores de 97,19% da dívida concursal da companhia, de R$ 42,5 bilhões, excluindo-se os créditos intercompany (de dívidas entre empresas do Grupo Americanas). O Plano aprovado será submetido à homologação pelo Juízo da 4ª Vara Empresarial da Comarca da Capital do Estado do Rio de Janeiro. 

Após a homologação do PRJ aprovado, que recebeu alguns ajustes durante a AGC a pedido dos credores, fica ratificado o compromisso de injeção de capital de R$ 12 bilhões por parte dos acionistas de referência em novos recursos, com adiantamento de R$ 3,5 bilhões do montante total em até 15 dias após a data de homologação, de modo a viabilizar os primeiros pagamentos previstos no plano. Importante destacar o esforço dos acionistas de referência e credores para salvar a companhia, bem como sua confiança na recuperação da empresa. Desde o início do ano, os acionistas disponibilizaram até R$ 2 bilhões em empréstimos no modelo DIP (Debtor-in Possession), antes mesmo de qualquer perspectiva de acordo. 

Na assembleia, a Companhia acatou pedidos de credores para ajustes no PRJ e a principal mudança no Plano foi a alteração da cláusula 5.1.4, relacionada aos critérios de precificação das ações no aumento de capital. De acordo com a nova redação, o preço de emissão das novas ações será a média de preços de mercado, ponderada por volumes de negociação, nos 60 dias corridos que antecederam a véspera da AGC, multiplicada por 1,33. Com isso, o preço de emissão será de R$ 1,30, resultado da multiplicação da média ponderada de preços (R$ 0,98) por 1,33. 

A aprovação do PRJ pelos principais credores nos termos estabelecidos é fundamental para a concretização da Recuperação Judicial da companhia, que segue focada em seu objetivo de emergir como uma empresa mais forte e competitiva. “Com um plano de Recuperação Judicial factível e apoiado pelos principais credores e acionistas de referência, temos o caminho bem pavimentado para a reconstrução operacional e financeira da Americanas, com foco total na operação para levar a melhor experiência de consumo a nossos milhares de clientes e seguir contribuindo com o impacto econômico e social de norte a sul do país”, afirma Leonardo Coelho, CEO da Americanas. 

“O plano aprovado nos permite uma restruturação de dívida e equacionamento financeiro para que possamos focar na estratégia de negócios e na meta de rentabilidade positiva em 2025, com plena captura da transformação que estamos promovendo em toda a companhia”, complementa a CFO da Americanas, Camille Faria. A expectativa da companhia é atingir patrimônio líquido positivo e Ebitda superior a R$ 2,2 bilhões, com caixa e recebíveis na ordem de R$ 2,5 bilhões e dívida financeira bruta de até R$ 1,5 bilhão. 

O plano aprovado prevê diferentes prazos e modalidades de pagamento para cada tipo de credor. Os credores de classe III (quirografários) no valor de até R$ 12 mil ou com valores acima, mas que aceitem receber R$ 12 mil pelo pagamento de seus créditos, serão pagos em parcela única no prazo de até 30 dias após a homologação do plano. Os chamados Credores Fornecedores Colaboradores terão três prioridades de pagamento de acordo com o valor de seus créditos e volume de vendas com a companhia. Os credores de tecnologia também têm cláusula específica de pagamento. Após a homologação do plano, terá início o cronograma de adesão dos credores às modalidades de pagamento. Para fazer a adesão a uma opção de pagamento, os credores deverão acessar portal que ainda será disponibilizado pela companhia.

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