A recente onda de calor extremo que assolou os Estados Unidos, México e América Central se tornou 35 vezes mais provável devido ao aquecimento global, de acordo com um estudo divulgado na quinta-feira (20) pela rede de cientistas da World Weather Attribution (WWA). As temperaturas recordes observadas em maio e junho também têm quatro vezes mais chances de ocorrer agora do que há 25 anos.

Impacto Devastador do Calor Extremo

O calor recorde durante esses meses resultou em pelo menos 125 mortes no México e provocou insolações em milhares de pessoas. Insolações são condições potencialmente fatais que ocorrem quando o sistema de resfriamento natural do corpo falha. No entanto, especialistas alertam que o número real de mortes relacionadas ao calor é provavelmente maior, pois essas fatalidades são confirmadas e relatadas apenas meses após o evento.

“Ainda não temos uma imagem completa das mortes causadas pelo calor, pois muitas vezes esses casos só são confirmados e relatados depois”, explicou a WWA, que utiliza métodos revisados por pares para analisar a ligação entre eventos climáticos extremos e o aquecimento global.

O Fator Humano no Aumento das Temperaturas

Com a contínua queima de combustíveis fósseis e a emissão de gases de efeito estufa, milhões de pessoas estarão expostas a níveis perigosos de calor no futuro. Este ano já é o mais quente registrado, com regiões enfrentando temperaturas escaldantes antes mesmo do início do verão no hemisfério norte.

Karina Izquierdo, conselheira urbana para a América Latina e Caribe no Centro Climático da Cruz Vermelha, destaca que os 1,4°C adicionais de calor induzidos pelas mudanças climáticas durante o evento de cinco dias analisado poderiam ter sido a diferença entre a vida e a morte para muitas pessoas.

Casos Globais de Calor Extremo

Globalmente, os efeitos do calor são alarmantes. A Grécia enfrentou sua primeira onda de calor do ano, a Índia passou por picos de temperatura que duraram um mês, e os Estados Unidos estão lidando com incêndios florestais e condições escaldantes. Na Arábia Saudita, durante a peregrinação anual do hajj, as temperaturas atingiram 51,8°C, resultando na morte de pelo menos 900 pessoas.

A Necessidade de Ação Urgente

Os especialistas alertam que, se os humanos continuarem a queimar combustíveis fósseis, esses extremos de calor se tornarão ainda mais frequentes. O estudo da WWA analisou os cinco dias e noites mais quentes durante uma “cúpula de calor” que afetou o sudoeste dos Estados Unidos, México, Guatemala, Belize, El Salvador e Honduras no final de maio e início de junho. Os cientistas concluíram que o aquecimento induzido pelo homem tornou esse evento cerca de 1,4°C mais quente e 35 vezes mais provável de ocorrer.

Desafios e Medidas Necessárias

Além das emissões de gases de efeito estufa, os impactos do calor na América Central são exacerbados pelas más condições de habitação, acesso limitado a serviços de refrigeração e pela vida em assentamentos informais. O calor extremo também ameaça a estabilidade do fornecimento de eletricidade, crucial para o funcionamento das instalações de saúde.

Medidas de segurança, como planos de ação para calor extremo, são essenciais para proteger trabalhadores ao ar livre e outras populações vulneráveis. Investir em espaços verdes e melhorar a infraestrutura nos assentamentos informais também são passos cruciais para mitigar os impactos do calor extremo e aumentar a resiliência das comunidades.

O estudo da WWA serve como um alerta urgente sobre a necessidade de ações climáticas para enfrentar as ondas de calor cada vez mais frequentes e severas. À medida que o aquecimento global avança, proteger as comunidades mais vulneráveis se torna uma prioridade crítica para garantir a sobrevivência e o bem-estar de milhões de pessoas.

Fonte: ONU News

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