O número de empresas brasileiras que relatam dados de atuação e compromissos no combate às mudanças climáticas aumentou em 46%, indo de 838 em 2020 para 1.227 em 2021, conforme levantamento feito pelo CDP Latin America – organização internacional referência no mapeamento de emissões, que administra o sistema mundial de divulgação ambiental de empresas, cidades, estados e regiões. Desse total, 32% das empresas reportaram pela primeira vez. Apesar dos avanços, não mais que 48% delas têm um plano de transição de baixo carbono avaliado pela Reunião Geral Anual (RGA), reunião realizada entre os membros das empresas para garantir que a condução dos negócios esteja sendo fruto de um elevado grau de governança corporativa, contribuindo para alcançar as metas nacionais de descarbonização. Além disso, apenas 2% compõem a lista de empresas líderes em transparência e gestão ambiental elaborada pelo CDP.

Juntas, as participantes representam um valor de R$ 3 trilhões em termos de capitalização de mercado no Brasil. Na América Latina, houve 40% de crescimento de participantes em 2021 em relação ao ano anterior, com 1.985 organizações, sendo 146 de capital aberto. Foram registradas 396 empresas reportando pela primeira vez no Brasil e 578 na América Latina.

No Brasil, 53% das companhias divulgaram de que forma os riscos e oportunidades relacionados ao clima influenciam suas estratégias, índice maior do que os 36% das organizações (4.800) que reportaram mundialmente. As empresas nacionais correspondem a 62% do total de respondentes da América Latina e os setores que mais reportaram foram: Manufatura (27%), Serviços (21%), Alimentos, bebidas e agricultura (15%), Transportes (14%) e Materiais (11%). No total, houve representantes de 13 setores.

As empresas brasileiras estão expostas a riscos de R$ 565 bilhões quando deixam de considerar investimento em três pontos cruciais para a conservação do meio ambiente: mudanças climáticas, segurança hídrica e combate ao desmatamento. E 35% delas implementaram ao menos uma iniciativa para reduzir emissões ao longo do último ano. Ao todo, foram reportadas 901 resoluções que dizem respeito à eficiência energética nos processos de produção (23%), consumo de energia de baixo carbono (15%), eficiência energética em edifícios (14%) e transporte (13%).

“A transparência é imprescindível para que a sociedade avalie os reais avanços no alcance das metas de combate às mudanças climáticas”, afirma Lais Cesar, gerente de desenvolvimento de negócios do CDP. “Há empresas que relatam seu nível de engajamento principalmente a pedido de investidores, mas muitas entendem ser este um processo de auto avaliação e de gestão, e divulgam voluntariamente suas informações”, conclui.

Como a FS, empresa produtora de etanol 100% a partir do milho, que desde 2021 reporta voluntariamente ao CDP suas informações ambientais. Segundo Daniel Costa Lopes, vice-presidente executivo de sustentabilidade e desenvolvimento de negócios da companhia, a preocupação com a sustentabilidade está diretamente ligada ao seu modelo de negócio. “Nossa missão é ser o maior produtor de combustível carbono negativo do mundo e trabalhamos para garantir as melhores práticas socioambientais. Ao reportar, gerenciamos riscos e oportunidades relacionadas a mudança climática de forma mais assertiva e alcançamos certificações importantes no mercado”, reforça.

Estados brasileiros representam 51% dos estados latino-americanos que divulgam seus dados climáticos ao CDP-ICLEI Track

Em 2021, 21 estados brasileiros divulgaram suas ações, riscos, políticas e oportunidades para o enfrentar mudanças climáticas por meio da plataforma do CDP-ICLEI Track – aumento de 90% comparado a 2019, quando só 11 estados reportaram, e uma leve redução quando comparado a 2020, em que a plataforma contou com a participação de 26 estados brasileiros. A pandemia e as eleições impactaram nesse número. 

O Brasil tem participação bastante ativa, uma vez que 51% dos estados latino-americanos que reportam dados à organização são brasileiros. Mundialmente, isso representa 21 de 96 estados que reportaram ao CDP. 

Há casos de avanços significativos para transparência. “O CDP, com o apoio do Governo do Reino Unido, em colaboração com a COPPE & ICLEI, trabalha na atualização do Inventário de Gases de Efeito Estufa (GEE) e na elaboração plano de ação climática e descarbonização do estado de Minas Gerais. Outros estados se destacam por colaborar para o aumento da ambição e de transparência dentro de sua jurisdição, incentivando os municípios a aderirem ao programa de Cidades, como é o caso de Santa Catarina e Espírito Santo”, explica Andreia Banhe, gerente de cidades, estados e regiões do CDP Latin America. 

O CDP está com as inscrições abertas para o questionário de 2022 até o dia 27 de julho. Para empresas, o registro está disponível neste link, e para cidades, estados e regiões, neste link.