Vista aérea da floresta Amazônica | Foto: Rogério Assis - Greenpeace

Nesta quinta-feira (19), o Observatório do Clima lançou o primeiro volume de “Brasil 2045 – Construindo uma potência ambiental”, documento que apresenta propostas para a política ambiental brasileira no biênio de 2023-2024 e que será entregue para os principais candidatos à presidência da república nas eleições de 2022, exceto o atual presidente, considerando que com Bolsonaro não há futuro para a política ambiental no país. O documento é fruto do trabalho de especialistas de 63 organizações ambientais do país, entre elas: Amigos da Terra, Instituto ClimaInfo, Conectas Direitos Humanos, Engajamundo, Grupo de Trabalho Amazônico (GTA), Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), WWF Brasil, além do próprio Greenpeace Brasil, entre outras.

A premissa de Brasil 2045 surgiu diante do compromisso firmado no Acordo de Paris, durante a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP21), em 2015, de estabilizar o aquecimento da Terra em 1,5°C, evitando os piores impactos da crise climática. Para isso, seria necessário a humanidade reduzir suas emissões de gases de efeito estufa quase à metade até 2030, além de zerar as emissões líquidas até 2050. O Brasil é considerado o sexto maior emissor de gases de efeito estufa do planeta, entretanto, está em melhor posição do que muitos outros países. Sendo assim, o relatório, que conta com a participação do Greenpeace Brasil, projeta o país como a primeira grande economia do mundo a sequestrar mais gases de efeito estufa do que emite, tornando-se negativo em carbono já em 2045.

O documento compila um total de 74 propostas de melhorias ambientais para os dois primeiros anos de governo do próximo chefe do executivo e 62 ações emergenciais para os primeiros cem dias. Todas essas propostas se dividem em oito temas principais, que são: Política climática e acordos internacionais; Prevenção e controle do desmatamento; Bioeconomia e atividades agrossilvopastoris; Justiça climática; Energia; Biodiversidade e áreas costeiras; Indústria e gestão urbana; e Governança e financiamento da política ambiental nacional.

Muitas das propostas descritas em Brasil 2045 são ações de curtíssimo prazo que consistem em reverter o legado de destruição deixado pelo governo Bolsonaro. Para a porta-voz de políticas públicas do Greenpeace Brasil, Mariana Mota, o relatório de autoria compartilhada mostra que o Brasil precisa que o próximo governo seja compatível com a proteção ao meio ambiente: “A absoluta reversão da atual política que destrói florestas e ameaça seus povos precisa acontecer e o esforço da sociedade com esse robusto relatório é mostrar que caminho não é só possível, mas urgente”.

Segundo o Observatório do Clima, principal organizador de Brasil 2045, um segundo volume do documento será entregue até o final de 2022 ao governo eleito final do ano, contendo uma relação completa dos instrumentos a serem revogados e de medidas provisórias, decretos, instruções normativas e resoluções a serem propostos para o encaminhamento imediato das estratégias e políticas públicas listadas no primeiro volume.

Acesse aqui o primeiro volume de “Brasil 2045 – Construindo uma potência ambiental”

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