Luva de Pedreiro
Luva de Pedreiro / foto: Money Times

Li recentemente uma pesquisa do CRC GO (Conselho Regional de Contabilidade de Goiás), onde constataram que o Brasil está em 74º lugar no ranking global de países que investem em educação financeira nas escolas e universidades. Seguido por alguns dos países mais pobres do mundo, como Madagascar, Togo e Zimbábue. Isso é preocupante, a educação financeira deveria fazer parte do nosso dia a dia.

Diante disso, me pego refletindo na situação do popular influencer Iran, conhecido mundialmente como “Luva de Pedreiro”, que continua em alta nas mídias sociais e nas discussões na imprensa. Recentemente ele postou um vídeo dizendo que encerraria a breve carreira, pois queria voltar ao sossego de antes, como um jovem comum. Ele já voltou atrás, apagou esse rápido adeus e está cheio de promessas de novidades. Mas isso não importa, pois aqui quero destacar a importância da educação financeira. 

Para contextualizar explico rapidamente que o Iran, um jovem do interior da Bahia, da cidade de Quijingue, no povoado de Tábua, com pouco estudo, que ficou famoso criando vídeos em que aparece num campo de várzea (quase um terreno baldio) dando belos chutes ao gol e comemorando o feito com frases de efeito – muitas com conteúdo religioso – e finalizando com o tradicional bordão “Receba”. Isso literalmente bombou e o transformou num dos influenciadores mais poderosos do Brasil e do mundo. 

Em relação à vida financeira dele tenho certeza que ocorreu um terremoto. Do dia para noite passou a ser alguém muito bem remunerado. Afinal, quem ainda não assistiu a seus vídeos? Como não tinha nenhum preparo para essa mudança, logo se viu envolvido numa polêmica de milhões. Rompeu com seu primeiro empresário acusando-o de não dividir os ganhos como deveria. A notícia ganhou páginas de jornais, programas de TV e os tribunais. Recentemente ele foi condenado pela justiça a pagar 30% do que receber ao antigo empresário até totalizar R$ 5,2 milhões, valor da multa prevista no contrato.

Na vida financeira, a falta de uma preparação específica – a carência de conhecimento – sobre conceitos de como se planejar, gastar, investir adequadamente é prejudicial, tanto para quem tem pouco dinheiro, como para quem tem muito. Se o Luva de Pedreiro não tiver uma assessoria financeira honesta (no sentido de ser prestada por profissionais honestos), ele estará em maus lençóis. Claro que pode estudar e se preparar, mas me parece que a agenda dele é complicada, e a prioridade não deve ser essa no momento. Quem ganha muito dinheiro, na maioria das vezes, pensa em como ganhar mais, e nem sempre em como manter o que já tem.

Dessa forma, podemos entender a importância de as escolas e as universidades investirem na educação financeira das crianças e adolescentes brasileiros. Se todos tivéssemos esses ensinamentos desde cedo, não teríamos tantas pessoas endividadas, com dificuldades em pagar as contas e fazer investimentos financeiros lucrativos. Isso vale para as instituições de ensino públicas e privadas, todos precisam desse conhecimento.

A quantidade de casos de atletas bem remunerados que perderam tudo – por falta de conhecimento, falta de apoio e excesso de amizades que os exploraram  – é bem longa. Pessoas que ganharam prêmios vultosos em jogos de azar também seguem essa lógica, inúmeras vezes. Muitos, além de perderem o que ganharam de forma rápida, acabam piores do que antes. Aprender a ganhar e a cuidar de dinheiro leva tempo. Tem que achar fontes confiáveis, estudar, ler e se preparar. Não é fácil, como muita gente vende. Não é mesmo. 

Pessoas famosas nem sempre têm discernimento para reconhecer quem deseja somente explorar sua riqueza: os parasitas que estão à volta tentando tirar uma casquinha (ou um cascão) da riqueza e da fama delas. Esperamos que nosso caríssimo Luva tenha pessoas honestas ao seu redor que realmente querem ajudá-lo. E que essas pessoas o protejam das aves de rapina que, com certeza, já estão rondando a grana do rapaz. Receba!!!

*João Victorino é administrador de empresas e especialista em finanças pessoais. Formado em Administração de Empresas e com MBA pela FIA-USP