Herpes-zóster, também conhecido como cobreiro, é uma doença provocada pelo mesmo vírus causador da catapora (varicela-zóster) quando reativado em determinadas situações. O problema se caracteriza pelo surgimento de lesões dolorosas na pele, que costumam sumir em poucas semanas. No entanto, algumas complicações podem surgir, exigindo atenção e cuidados especiais.

O diagnóstico é feito por meio da análise dos sintomas do paciente e exames complementares. A melhor forma de prevenção é por meio da vacina contra herpes-zóster, disponível na rede privada de saúde. 

Em 2021, uma pesquisa realizada pela Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) mostrou que a incidência de casos de herpes-zóster aumentou 35% durante a pandemia de covid-19. O estudo utilizou informações do Sistema Único de Saúde (SUS), comparando o número de diagnósticos da doença nas cinco regiões brasileiras de março a agosto de 2017 a 2019 com o mesmo período de 2020. 

O levantamento detectou que, antes da pandemia, havia cerca de 30 casos a cada um milhão de habitantes no Brasil. Com a chegada da crise sanitária, esse número subiu para mais de 40 casos por milhão de habitantes, especialmente nas regiões Centro-Oeste e Sudeste.

Sistema imunológico baixo é porta de ativação do vírus

De alto contágio, mas geralmente benigno, o herpes-zóster costuma se manifestar com mais frequência em idosos. Contudo, especialistas afirmam que a doença tem se aproveitado da baixa imunidade do paciente adulto infectado pelo novo coronavírus para ser reativado no organismo.

Isso ocorre porque, em pacientes que já tiveram catapora, ou seja, que entraram em contato com o vírus varicela, o micro-organismo permanece inativo ou em estado latente durante anos. Ele pode ser reativado por vários motivos que levam ao enfraquecimento do sistema imunológico. 

Estão incluídos fatores como o uso de medicações imunossupressoras, diabetes, câncer, HIV e estresse. A inflamação e consequente fragilização do organismo devido à covid-19 são apontadas como possíveis aspectos importantes para uma eventual reativação do vírus no corpo. Os esclarecimentos foram dados pelo infectologista Alexandre Cunha, que atua no Grupo Sabin Medicina Diagnóstica, em entrevista ao portal Pebmed. 

Sintomas e complicações

De acordo com o Ministério da Saúde, as lesões na pele, acompanhadas de dor intensa, são os principais sintomas da enfermidade. Podem aparecer ainda formigamentos e, em alguns casos, febre baixa no primeiro dia. 

As lesões do herpes-zóster costumam ser pequenas bolhas cheias de líquido e cercadas por uma área avermelhada. Geralmente aparecem em apenas um dos lados do corpo, mas também podem se disseminar.

O Ministério alerta que os sintomas podem se agravar e resultar em complicações como ataxia cerebelar (problema que compromete a coordenação) e infecções bacterianas secundárias. 

Em casos mais raros, o vírus pode acometer os nervos da face, do ouvido e do olho, causando problemas neurológicos como a paralisia facial — chamada de Síndrome de Ramsay Hunt, diagnóstico que fez o astro da música Pop Justin Bieber cancelar apresentações em meados de 2022. 

As autoridades sanitárias brasileiras enfatizam que a sequela mais severa é a neuralgia pós-herpética. Responsável por uma dor crônica intensa, de difícil controle e altamente debilitante, a condição pode perdurar por meses e até mesmo anos.

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico do herpes-zóster é feito principalmente por meio da observação do quadro clínico-epidemiológico. Podem também ser solicitados alguns exames específicos para ajudar na identificação da doença. 

Segundo o Ministério da Saúde, os tipos de tratamento variam conforme cada caso, mas todos devem ser prescritos e acompanhados por um médico. 

Pessoas que não correm risco de agravamento precisam fazer o tratamento sintomático, com uso de analgésicos, antitérmicos e anti-histamínicos. Recomenda-se, ainda, higiene da pele com água e sabonete e, em caso de infecções secundárias, prescrição de antibióticos.

Já para indivíduos com risco de agravamento, devem ser administrados medicamentos antivirais.

Como prevenir herpes-zóster

A melhor forma de evitar o herpes-zóster é com a vacinação. De acordo com a Sociedade Brasileira de Imunização (SBIm), existem duas vacinas disponíveis contra a doença. Uma delas é a Zostavax, de vírus atenuado, indicada para adultos imunocompetentes acima de 50 anos, que reduz o risco de ocorrência do problema em cerca de 68% das pessoas que a tomam. 

A outra é a Shingrix, licenciada em 2022 no Brasil. Trata-se de um imunizante com vírus inativado, indicado para pessoas a partir dos 18 anos suscetíveis a doença e adultos com 50 anos ou mais. O seu percentual de proteção gira em torno de 90% e pode ser usada independentemente de histórico de varicela.

As vacinas contra herpes-zóster são as mesmas aplicadas em crianças para prevenir a catapora, mas com concentrações diferenciadas. Elas podem ser encontradas na rede particular de saúde. 

Fonte: https://brasilemergenciasmedicas.com.br/herpes-zoster-requer-cuidados/