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*Adriano da Silva Santos

O setor de imóveis contribui com 40% das emissões de carbono globalmente, uma estatística preocupante para todos que impulsionam a agenda de sustentabilidade no setor. Para se ter uma ideia, 28% das emissões operacionais (ou seja, energia necessária para aquecer, resfriar e fornecer eletricidade aos edifícios) e 11% são gerados a partir de matéria prima. No processo de construção desses novos espaços à manutenção e desempenho dos já existentes, verificam-se elevados níveis de consumo de energia e uma forte dependência de combustíveis fósseis, que entravam ainda mais as metas ecológicas alinhadas aos valores em debate na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas de 2022, que ocorrerá agora no mês de novembro, em Sharm El Sheikh, Egito.

Em contrapartida, à medida que a economia mais ampla transita para o zero líquido, várias partes interessadas estão pressionando pela descarbonização — sejam investidores imobiliários que assumiram compromissos de zero líquido, formuladores de políticas estabelecendo limites de emissões ou inquilinos procurando espaços mais verdes.

A eletrificação de sistemas de aquecimento de espaço e água é uma maneira de reduzir as emissões de edifícios — e a tecnologia de bomba de calor elétrica, que melhorou e se tornou competitiva em termos de custos em certos mercados, surgiu como uma solução cada vez mais viável. Aquecer e cozinhar em prédios comerciais e residenciais são responsáveis ​​por 6% das emissões globais de CO2, de acordo com o recente relatório do Fórum Econômico Mundial sobre a transição líquida-zero.

Essas emissões são em grande parte devido ao uso local de combustíveis fósseis, como petróleo e gás natural. O aquecimento de edifícios tem sido tipicamente um desafio para o mercado imobiliário devido ao alto custo e complexidade de converter uma ampla variedade de sistemas atuais como vapor e água quente. Por outro lado, as bombas de calor elétricas tornaram-se uma forma cada vez mais eficaz para os edifícios se “descarbonizar” devido aos custos de operação, equipamentos e instalação se tornarem mais competitivos em certos mercados com fácil acesso a esses recursos, como no caso do Brasil.

Existem opções adicionais para descarbonizar o uso de energia de um edifício, incluindo geração de energia “verde” juntamente com fontes renováveis ​​(seja em escala de utilidade ou no local), eletrificação de aparelhos de cozinha, melhorias de eficiência energética no escopo de um edifício e instalação de controles inteligentes de construção (como termostatos).

Embora essas ações possam, e definitivamente devam, ser tomadas retrospectivamente para melhorar continuamente a eficiência energética, atitudes também podem ser tomadas nas fases de planejamento e projeto de imóveis para garantir que a eficiência energética seja levada em consideração nas primeiras etapas de desenvolvimento das infraestruturas. Com tantas partes interessadas e atividades diferentes envolvidas em uma cadeia de valor imobiliário, é importante garantir que a sustentabilidade seja incorporada em toda parte. As atividades de desenvolvedores, empreiteiros, projetistas e outros especialistas no processo de construção podem muitas vezes produzir custos ambientais ocultos.

A adoção de um código de conduta de sustentabilidade entre os parceiros pode ser útil em tais situações, para estabelecer e definir as regras básicas para padrões comuns de melhores práticas. Sendo assim, ao invés de impor requisitos e demandas de sustentabilidade às diferentes partes em sua cadeia de valor, o ideal é pensar na sustentabilidade como algo que pode ser cocriado. Com base na experiência de diferentes atores da cadeia de valor e com um pouco de inovação, novas soluções para o desenvolvimento sustentável podem ser elaboradas em cooperação Afinal de contas, a mudança acontece quando boas empresas com o objetivo de criar um impacto positivo trabalham juntas em prol de objetivos semelhantes.

INFORMAÇÕES DE CONTATO

Adriano da Silva Santos é um jornalista e escritor, formado na Universidade Nove de Julho. Reconhecido pelos prêmios de Excelência em webjornalismo, jornalismo impresso e com larga experiência em criptográfica verde e modelos de energia cibernética autossustentáveis. É coprodutor e comentarista do podcast “Abaixa a Bola”, além de colunista em cibersegurança pelo portal Crypto ID e de finanças pessoais no Instituto Longevidade Financeira (MAG).