A população nacional está envelhecendo. O número de pessoas idosas no Brasil aumentou 41,6% nos últimos dez anos, totalizando mais de 20 milhões de habitantes, conforme os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A realidade apresenta o desafio de preparar o país para assegurar o bem-estar e a qualidade de vida do público da terceira idade. 

O desafio passa pela criação de políticas públicas que preservem os direitos estabelecidos pela Lei nº 10.741/2003, responsável pela criação do Estatuto do Idoso. O documento determina que devem ser garantidos o direito à vida, liberdade, dignidade, saúde, cultura, educação, Previdência Social, habitação, assistência social, dentre outros.

No entanto, muitas vezes, as dificuldades de oferecer o bem-estar para a pessoa idosa começam em casa. Quando ela não possui autonomia e depende de cuidados específicos para manter a saúde e a qualidade de vida, cabe aos familiares oferecer atenção, tratamento, acolhimento e afeto.

A rotina pode incluir custos com medicamentos, consultas, tratamentos especiais e o auxílio de profissionais, como enfermeiros, cuidadores ou a manutenção em uma casa de repouso. Nesses casos, os familiares devem se reunir para dividir as responsabilidades financeiras.

Abrir uma conta conjunta digital é uma alternativa que pode facilitar os cálculos e dar maior transparência às contribuições, evitando conflitos e a sobrecarga financeira de um ou outro familiar.

Como funciona a conta conjunta digital?

Na prática, trata-se de uma reinvenção da conta conjunta tradicional. Através de um aplicativo de celular, os membros da família acessam a conta, dividem os gastos e efetuam os pagamentos. Um dos principais diferenciais é que cada um mantém um saldo individual e, a partir dele, realiza transferências para contribuir com os pagamentos.

Outro aspecto importante é que todos os membros conseguem visualizar as movimentações, o que permite monitorar quem contribuiu, o que oferece maior transparência na divisão.

Um uso também comum é criar uma conta deste tipo, junto com um cuidador, quando o idoso tem esse profissional para cuidá-lo. Assim é possível gerenciar o uso do dinheiro por conta do cuidador, que pode fazer compra de medicamentos ou de itens para a casa do idoso, por exemplo.

Quem usa o iPhone pode baixar a versão do aplicativo de conta conjunta para iOS, disponível na App Store. O download é gratuito e também não há cobranças pelo uso da ferramenta ou a realização de movimentações financeiras.

Há, também, a opção de usar o app de conta conjunta para Android. Neste caso, o usuário deve fazer o download pela Google Play Store. A versão possui as mesmas funcionalidades e, também, é totalmente gratuita.

87% das violações dos direitos da pessoa idosa acontecem em casa

Mais de 35 mil denúncias de violações dos direitos humanos contra pessoas idosas foram registradas pelo Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH) entre janeiro e junho de 2022. 

Segundo o MMFDH, a maior parte dos casos (87%) ocorreu na residência da pessoa idosa. Aquelas com faixa etária entre 70 e 74 anos foram as principais vítimas, correspondendo a 16,8% das denúncias. 

Em seguida, estão os registros contra idosos com idade entre 60 e 64 anos, um total de 16,5%. Outros 15,4% das denúncias foram relativos às vítimas que possuem entre 65 e 69 anos.

Na sequência estão as faixas etárias entre 80 e 84 anos (14,8%); 75 e 79 anos (13,4%); 85 e 89 anos (10%); e acima de 90 anos (7,1%).

O Estatuto do Idoso afirma que “nenhum idoso será objeto de qualquer tipo de negligência, discriminação, violência, crueldade ou opressão, e todo atentado aos seus direitos, por ação ou omissão, será punido na forma da lei”. 

O texto também estabelece que é dever da sociedade prevenir e combater ameaças aos direitos da pessoa idosa, sendo que qualquer forma de violação deve ser comunicada às autoridades competentes.

As denúncias podem ser feitas de forma anônima pelo Disque 100, que funciona 24 horas, inclusive nos feriados e finais de semana. O contato também pode ser feito pelo 

WhatsApp (61-99656-5008) ou o aplicativo Direitos Humanos Brasil.

Fonte: https://www.manausonline.com/noticias/noticias-leitura.asp?ID=13613