O mundo é diverso e plural, mas o ser humano mesmo assim tem certa dificuldade para lidar com a diferença. A história é exemplo disso, quando em muitos momentos pessoas tidas como diferentes foram perseguidas e massacradas apenas por fugirem do que se determinou como padrão. A humanidade tem tentado contornar essa tendência de segregar o diferente por perceber que a diversidade é o que enriquece uma comunidade. Tanto a indústria farmacêutica como a moda, a televisão, a publicidade e as escolas estão investindo na inclusão. E as empresas, em que estágio estão para conquistar este avanço?

Como diz a música Certas Coisas, cantada por Lulu Santos: “não existiria som, se não houvesse o silêncio. Não haveria luz, se não fosse a escuridão. A vida é mesmo assim, dia e noite, não e sim”. A diversidade é muito rica para uma organização e traz o olhar do colaborador por diversos ângulos. Ela acontece quando as equipes são compostas por pessoas de diferentes gêneros, etnias, formações, idades, vivências e religiões. Tal variedade é fundamental para promover mais igualdade, criatividade e inovação nas empresas, e por isso investir nela passou a ser uma prioridade do setor de RH.

Maior repertório

Imagine um time de futebol composto apenas por atacantes; quais seriam as chances de sucesso desta formação? Provavelmente baixíssimas, ficariam totalmente desprotegidos em sua defesa. Isso é o que acontece com equipes homogêneas nas empresas. O pensamento uniforme desprotege a organização de ser estratégica e efetiva no mercado. Por isso, a diversidade é uma das maiores riquezas, já que aumenta o repertório, a variedade de ideias e percepções, favorece possibilidades de solução de problemas e condução de tarefas.

Gestão de risco eficaz

A diversidade ajuda a prever e gerir os riscos com mais eficiência. Se a empresa está habituada a fazer conciliações de opiniões e desejos na sua equipe, saberá fazer o mesmo com os clientes, considerando que o público-alvo de uma organização também é plural e diverso.

Uma expressão, que está muito na moda, também é importante dentro de uma equipe diversa: lugar de fala. Quando uma empresa não tem uma pessoa lésbica na equipe, por exemplo, tem mais dificuldade em lidar com o público lésbico, pela falta do conhecimento, que só é possível a partir do lugar de fala. Além disso, quando a equipe está habituada a respeitar as diferenças entre si, ficará mais simples fazer o mesmo com os clientes.

Como promover a diversidade

Para montar um time diverso na empresa, não é como pensar em um elenco de reality show, apostar na diferença durante o recrutamento e deixar que eles se resolvam entre si. É preciso intervenção para unificar a equipe e não deixar que haja segregação. O discurso da empresa deve estar alinhado às atitudes dos gestores, para não parecer vazio e sem consistência. Por isso, a comunicação interna deve ser efetiva e competente.

Além disso, escutar a todos é função do setor de RH, sem distinção de cargo ou setor. Quando o público interno é respeitado, tende a respeitar também o público externo e vestir a camisa da empresa, como se diz por aí.

Como canta Arnaldo Antunes, na música Inclassificáveis: “somos o que somos, inclassificáveis”. Tentar colocar pessoas em estereótipos de atendimento ou gestão é o pior dos erros que uma empresa pode cometer. Para contornar esta tendência segregadora, é importante investir em empatia entre toda a equipe.

O padrão que vale 

Para padrão na empresa, vamos deixar apenas os protocolos de produção e atendimento e o uso do uniforme, ou de uma vestimenta padrão, como a camisa polo masculina, que pode transmitir mais seriedade e formalidade que alguns ambientes de trabalho precisam. É importante que toda a equipe respeite a vestimenta e os valores da empresa, como um time mesmo, mas que cada um contribua com sua individualidade, para o fortalecimento do grupo e da cultura organizacional.