Crédito: BoM/CSIRO/AAD

As emissões de óxido nitroso (N₂O), um potente gás de efeito estufa, estão crescendo rapidamente devido ao aumento da demanda global por fertilizantes e carne, alertam os cientistas. De acordo com um estudo recente, o uso intensivo de fertilizantes nitrogenados e o manejo de esterco animal são os principais responsáveis pela elevação das concentrações de N₂O na atmosfera, um problema que afeta tanto o clima quanto a saúde pública.

Impacto das Emissões de Óxido Nitroso

O N₂O é um gás de efeito estufa cerca de 300 vezes mais poderoso que o dióxido de carbono em termos de capacidade de aquecimento global. Além disso, ele pode permanecer na atmosfera por mais de um século. Desde a Revolução Industrial, os níveis de N₂O aumentaram em aproximadamente 25% e continuam a crescer. Este gás não só contribui significativamente para o aquecimento global, mas também destrói a camada de ozônio, que nos protege da radiação ultravioleta prejudicial.

Principais Fontes de Emissões

O estudo aponta que a agricultura é a maior fonte de emissões de N₂O causadas pelo homem, representando cerca de 74% do total das emissões antropogênicas. Entre os maiores contribuintes estão:

  • Fertilizantes Nitrogenados: Responsáveis por aproximadamente 70% das emissões agrícolas globais de N₂O, são amplamente utilizados para aumentar a produtividade das culturas.
  • Esterco Animal: Proveniente principalmente da pecuária intensiva, contribui com cerca de 30% das emissões agrícolas.
  • Aquicultura: Embora em menor escala, a piscicultura, especialmente na China, tem visto um aumento significativo nas últimas décadas, aumentando as emissões de N₂O.

Além da agricultura, setores industriais, como a produção de náilon e a combustão de combustíveis fósseis, também contribuem para as emissões, embora em menor grau.

Desafios Globais e Regionais

As emissões de N₂O variam significativamente entre os países, influenciadas por fatores sociais, econômicos e agrícolas:

  • China e Índia: Como grandes produtores e consumidores de fertilizantes químicos, essas nações têm registrado aumentos acentuados nas emissões devido à intensificação agrícola para atender à crescente demanda por alimentos.
  • Brasil e Indonésia: O desmatamento para cultivo e pecuária, junto com práticas agrícolas intensivas, têm ampliado as emissões de N₂O.
  • África: Enquanto algumas regiões têm potencial para aumentar a produção de alimentos sem aumentar significativamente as emissões, o Norte da África viu um crescimento substancial nas últimas décadas devido ao aumento da população de gado.

Em contraste, regiões como a União Europeia, Japão e Coreia do Sul conseguiram reduzir suas emissões de N₂O com práticas mais sustentáveis e avanços tecnológicos, embora ainda precisem fazer mais progressos na agricultura.

Estratégias para Reduzir as Emissões de N₂O

Para enfrentar o desafio das emissões de N₂O, uma abordagem integrada é necessária, combinando políticas públicas, inovações tecnológicas e ações individuais:

  • Políticas Públicas: Incentivar os agricultores a adotar práticas de uso eficiente de nitrogênio pode reduzir significativamente as emissões de N₂O.
  • Tecnologias Agrícolas: A agricultura de precisão e o desenvolvimento de fertilizantes de liberação controlada podem ajudar a minimizar as perdas de nitrogênio.
  • Gestão de Pecuária: Melhorar as práticas de manejo de resíduos e a dieta dos animais pode diminuir as emissões provenientes do gado.
  • Indústrias: Instalar tecnologias para reduzir as emissões industriais de N₂O, especialmente na produção de náilon e fertilizantes, é uma solução viável.
  • Ações dos Consumidores: Reduzir o consumo de carne e laticínios, compostar resíduos alimentares e diminuir o uso de fertilizantes em jardins podem contribuir para a redução das emissões.

Rumo a um Futuro Sustentável

Combater as emissões de N₂O é crucial para mitigar as mudanças climáticas e proteger a saúde ambiental. Com a colaboração de governos, indústrias e cidadãos, podemos adotar estratégias sustentáveis que garantam a segurança alimentar e um planeta saudável para as futuras gerações.

Fonte: The Conversation

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