A grande maioria das emissões de óxido nitroso é gerada pela agricultura, sendo a maior parte da culpa atribuída aos fertilizantes à base de azoto e aos resíduos animais.
A grande maioria das emissões de óxido nitroso é gerada pela agricultura, sendo a maior parte da culpa atribuída aos fertilizantes à base de azoto e aos resíduos animais.

Um estudo alarmante revelou que as emissões de óxido nitroso estão crescendo além das expectativas, tornando-se uma séria ameaça aos esforços globais contra as mudanças climáticas. Publicado recentemente, o relatório, baseado em extensivas medições atmosféricas em todo o mundo, aponta um aumento significativo nas emissões desse potente gás de efeito estufa, principalmente atribuído à agricultura.

O estudo, liderado por 58 pesquisadores internacionais e divulgado na quarta-feira, revelou que as emissões globais de óxido nitroso aumentaram em 40% nas últimas quatro décadas, alcançando um nível alarmante de 336 partes por milhão em 2022. Este aumento supera as previsões anteriores e representa um aumento de 25% em relação aos níveis pré-industriais.

Óxido nitroso, conhecido por aquecer a atmosfera 300 vezes mais eficazmente do que o dióxido de carbono, é agora responsável por 6,4% das emissões de gases de efeito estufa. O relatório destaca que a maior parte dessas emissões é gerada pela agricultura, especialmente devido aos fertilizantes nitrogenados e aos resíduos animais.

Hanqin Tian, principal autor do estudo e professor do Boston College, alerta que a redução das emissões de óxido nitroso é crucial para cumprir as metas do Acordo de Paris e limitar o aquecimento global a 2 graus Celsius. No entanto, atualmente, não existem tecnologias disponíveis para remover eficazmente o óxido nitroso da atmosfera.

O relatório enfatiza que países como China, Índia, Estados Unidos e Brasil são os principais emissores do gás, impulsionados pelo crescimento populacional e pela demanda crescente por alimentos. Enquanto a Europa conseguiu reduzir significativamente suas emissões, principalmente devido à diminuição no uso de combustíveis fósseis, outras regiões enfrentam desafios crescentes.

Pep Canadell, co-líder do estudo e pesquisador da CSIRO na Austrália, alerta para a urgência de políticas mais agressivas para controlar as emissões de óxido nitroso, que continuam a aumentar sem um controle efetivo. Ele destaca que iniciativas recentes de alguns agricultores, como o uso mais preciso de fertilizantes e práticas agrícolas sustentáveis, mostram potencial para mitigar as emissões.

Para manter o aquecimento global abaixo dos 2ºC, as emissões antropogênicas de óxido nitroso precisam diminuir aproximadamente 20% até 2050, segundo as conclusões do estudo.

Em suma, o aumento alarmante nas emissões de óxido nitroso destaca a necessidade urgente de ações globais coordenadas. Com a agricultura desempenhando um papel central nesse problema, medidas eficazes para reduzir o uso de fertilizantes nitrogenados e melhorar a gestão dos resíduos animais são cruciais. A implementação de políticas robustas pode ser um passo vital na direção de um futuro mais sustentável e resiliente para o planeta.

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