Crédito: Projeto Global de Carbono

O óxido nitroso (N₂O), um potente gás de efeito estufa, teve suas emissões globais aumentadas em 70% nos últimos 20 anos, segundo um novo estudo publicado em 12 de junho de 2024 na revista “Nature Climate Change”. Este aumento alarmante está intensificando a crise climática e destaca a necessidade urgente de estratégias eficazes para reduzir as emissões desse gás, especialmente nas áreas de agricultura e indústria.

O óxido nitroso, comumente conhecido como gás hilariante, é um dos gases de efeito estufa mais potentes, com um potencial de aquecimento global cerca de 300 vezes maior do que o dióxido de carbono (CO₂) ao longo de um período de 100 anos. Além disso, ele também contribui para a destruição da camada de ozônio. As principais fontes de N₂O incluem a utilização de fertilizantes nitrogenados na agricultura, a queima de combustíveis fósseis e alguns processos industriais.

“Estamos observando um aumento dramático nas emissões de óxido nitroso, especialmente provenientes da agricultura e da indústria“, afirmou o Dr. Peter Thompson, climatologista e principal autor do estudo. “Esse crescimento está exacerbando a crise climática e representando um grande desafio para os esforços de mitigação global.”

O estudo analisou dados de emissões de óxido nitroso de 1999 a 2019 e revelou que o aumento foi mais pronunciado em regiões com intensa atividade agrícola, como China, Índia e Brasil, onde o uso de fertilizantes nitrogenados tem crescido rapidamente para atender à demanda alimentar. A decomposição desses fertilizantes no solo libera óxido nitroso, contribuindo significativamente para as emissões globais.

“Na agricultura, o uso excessivo de fertilizantes nitrogenados é uma das principais causas das emissões de óxido nitroso“, explicou a Dra. Maria Gonzales, coautora do estudo e especialista em agricultura sustentável. “Precisamos de práticas agrícolas mais eficientes que minimizem o uso de fertilizantes e reduzam as emissões.”

Além da agricultura, o estudo identificou que a indústria é uma fonte crescente de óxido nitroso, particularmente em setores que utilizam ácidos nítrico e adípico, como na produção de nylon e outros produtos químicos. A queima de combustíveis fósseis também contribui para as emissões desse gás.

Os pesquisadores enfatizam que, para limitar o aquecimento global a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais, conforme estabelecido pelo Acordo de Paris, é crucial que as emissões de óxido nitroso sejam controladas. Eles recomendam uma abordagem multifacetada que inclua melhorias nas práticas agrícolas, a implementação de tecnologias para captura e redução de emissões na indústria e a promoção de fontes de energia renovável.

“Sem uma ação global coordenada, será muito difícil controlar as emissões de óxido nitroso e alcançar as metas climáticas estabelecidas internacionalmente”, alertou Thompson. “É fundamental que governos, indústrias e agricultores trabalhem juntos para desenvolver e implementar soluções sustentáveis.”

O estudo também destaca a necessidade de políticas globais robustas que incentivem a redução das emissões de óxido nitroso. Medidas como subsídios para práticas agrícolas sustentáveis, regulamentos mais rígidos para as emissões industriais e incentivos para o uso de energia limpa são cruciais para enfrentar esse desafio.

Organizações internacionais de proteção ambiental também estão pedindo maior atenção e ação em relação às emissões de óxido nitroso. “O impacto do óxido nitroso na crise climática é significativo e muitas vezes subestimado”, disse James Stewart, porta-voz da Green Earth Alliance. “Precisamos de uma ação imediata para reduzir essas emissões e proteger nosso planeta.”

Enquanto os países se preparam para a próxima cúpula do clima da ONU, o relatório serve como um alerta urgente sobre a necessidade de abordar todas as fontes de emissões de gases de efeito estufa, incluindo o óxido nitroso. A redução dessas emissões é essencial para combater a crise climática e garantir um futuro sustentável para as próximas gerações.

Fonte: Phys.org, 12 de junho de 2024

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