Os resultados da inédita Pesquisa Cidades Sustentáveis: Consumo e Meio Ambiente indicam que os moradores da Região Sudeste do Brasil são aqueles com maior consciência sobre os impactos das atividades econômicas e hábitos de consumo das cidades distantes da Amazônia para o desmatamento na região (53%); percentual que recua em onze pontos na Região Sul (42%), ficando muito abaixo da média nacional (50%).

Enquanto no Nordeste a coleta e o tratamento de esgoto foram apontados como o maior problema ambiental para seus moradores (37%), com dez pontos percentuais a mais do que a média nacional, no Sudeste a maior preocupação são as enchentes e alagamentos, apontados pelos mesmos 37% da amostra. Na sequência estão a poluição do ar, identificada por 34% das pessoas e a poluição dos rios e mares (28%).

O levantamento do Instituto Cidades Sustentáveis, em parceria com o IPEC — Inteligência em Pesquisa e Consultoria Estratégica ouviu moradores das cinco regiões brasileiras sobre o impacto dos problemas ambientais no cotidiano das cidades e sobre, em que medida, seus hábitos de consumo interferem no desmatamento da Amazônia.

Hábitos de consumo e desmatamento

A pesquisa revela ainda uma contradição bastante interessante. Embora metade dos brasileiros (50% dos pesquisados) avalie que o desmatamento da Amazônia é “muito influenciado” pela atividade econômica das cidades que ficam longe dessa região e pelo hábito de consumo das pessoas que nelas vivem, o percentual que relaciona o problema ambiental com o seu próprio consumo é bem menor.

A pesquisa evidencia diferenças na percepção das pessoas em relação ao tema, dependendo da região do país em que a cidade está localizada. Os moradores de municípios do Sudeste são aqueles que mais acreditam que o consumo de produtos derivados da madeira esteja muito relacionado com o desmatamento da Amazônia (43%). Na Região Sul é maior o percentual dos que acreditam que este hábito nada esteja relacionado ao desmatamento (26%).

A proporção cai ainda mais quando levados a associar o consumo de carne bovina com o desmatamento da Amazônia. Chega a 74% o índice dos moradores da Região Sul que acreditam que esse consumo impacta pouco ou nada na derrubada da floresta, enquanto no Sudeste o índice é seis pontos percentuais mais baixo (68%).

Sobre a pesquisa

Promovida pelo Instituto Cidades Sustentáveis — organização responsável pelo Programa Cidades Sustentáveis e Rede Nossa São Paulo — e realizada pelo IPEC — Inteligência em Pesquisa e Consultoria Estratégica, a Pesquisa Nacional: Meio Ambiente contempla 2.000 entrevistas em 128 municípios, entre os dias 1 e 5 de abril de 2022.

Foram entrevistados integrantes da população brasileira, de 16 anos ou mais, e a margem de erro do levantamento é de 2 (dois) pontos percentuais para mais ou para menos sobre os resultados encontrados no total da amostra. O nível de confiança estimado e de 95%.

Confira aqui os dados completos da Pesquisa Nacional: Meio Ambiente.

Crescimento do rebanho bovino na Amazônia

O que talvez muitos pesquisados não saibam é que, desde a década de 1970, o rebanho bovino cresceu mais de 980% nos municípios localizados na Amazônia Legal, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Comparativamente, nas cidades brasileiras localizadas em outras regiões, o aumento registrado foi de 49%.

De acordo com o instituto, em 1974, o número de cabeças de gado na Amazônia Legal era de 8,5 milhões, o que representava menos de 10% do rebanho nacional. A quantidade saltou para 93 milhões em 2020, ou seja, quase 43% dos bovinos existentes no país, que somavam 218 milhões.

A cidade líder do ranking no Brasil, São Félix do Xingu, no Pará, ganhou mais 2,7 milhões de bois apenas em 2020, um crescimento de 5,4% em relação ao ano anterior. Não por coincidência, a cidade também é líder nacional em emissões de carbono e está no topo dos municípios que mais desmatam no país. 

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