Paul Polman, que foi CEO da multinacional Unilever durante dez anos, deu a letra: a crise da Terra é uma crise de liderança. Nesse contexto, especialistas em gestão são categóricos ao afirmar que as empresas e seus líderes têm um papel fundamental na geração de ações coletivas que atendam aos interesses de múltiplos stakeholders, fomentando uma economia de carbono zero, sustentabilidade ambiental e equidade social através e além de seus negócios e indústrias. 

É o que podemos chamar de cidadania corporativa, uma mudança de paradigma na identidade da liderança empresarial, necessária para as empresas conciliarem e integrarem pessoas, planeta e lucro.

O Fórum Econômico Mundial endossou esses princípios quando lançou, em janeiro de 2021, o paper “The Future of Corporation” (O Futuro da Corporação). A publicação apresenta considerações práticas para implementar uma estrutura de governança e gestão baseada na criação de valor para diferentes stakeholders.

Um dos desafios do mercado é recrutar e capacitar líderes para atuar de forma sustentável e conectada com as demandas do cenário atual. Empresas que trabalham na busca e formação desses profissionais têm desenvolvido e aprimorado conceitos de liderança com foco em diretrizes ESG. É o caso da Egon Zehnder, uma das principais consultorias globais de liderança. Sua estratégia consiste em segmentar padrões comportamentais em diferentes dimensões da gestão bem-sucedida, cujas características principais sintetizam um contexto de liderança sustentável.

A transição começa pelo próprio reenquadramento do propósito da organização, com o objetivo de gerar valor social por meio de ações com impactos positivos tangíveis. Em seguida, é preciso definir práticas de negócio que engajem os diferentes stakeholders no ecossistema abrangido pela corporação.

O terceiro ponto da jornada de transformação é o de modelar estruturas organizacionais que encorajem o desenvolvimento individual contínuo de cada membro da equipe para atender à agenda da sustentabilidade. Por fim, é necessário criar meios de mensurar a performance da empresa e de seus líderes e equipes a partir do alcance de resultados sustentáveis.

“O líder imbuído de exercer sua cidadania corporativa é aquele que desafia a organização a ser disruptiva em todos os níveis. Ele implementa inovações mais proativamente e em maior velocidade para impulsionar o negócio e criar oportunidades únicas de criação de valor”, avalia Caroline Lico, Consultora da Egon Zehnder. 

Ao cruzar essas dimensões de liderança com três tipos subjacentes de mentalidade – Utilizar, Integrar e Transformar –, foi definido um mapa robusto de comportamentos que permite aos líderes incorporem um repertório cada vez mais impactante para o sucesso. Essa estrutura também pode ser usada para desenvolver uma agenda de aprendizado pessoal para líderes em todos os níveis.