Um estudo internacional, liderado por cientistas da Universidade de Massachusetts Amherst, revela que as espécies não nativas estão se expandindo a uma velocidade alarmante, até 100 vezes mais rápido do que as espécies nativas. Este fenômeno é impulsionado pela intervenção humana, seja de forma acidental ou intencional. A pesquisa, publicada na revista Annual Reviews of Ecology, Evolution and Systematics, traz à tona as consequências dessa rápida dispersão para a biodiversidade global.

Dispersão Acelerada por Ação Humana

O estudo destaca que, enquanto as espécies nativas precisam se deslocar cerca de 3,25 quilômetros por ano para acompanhar as mudanças climáticas, elas conseguem se mover apenas 1,74 quilômetros por ano. Em contraste, as espécies não nativas estão se movendo sozinhas a uma velocidade de 35 quilômetros por ano. Quando a ação humana é considerada, essa taxa salta para impressionantes 1.883 quilômetros por ano.

Bethany Bradley, professora de conservação ambiental e principal autora do estudo, explica: “Sabemos que o número de plantas invasoras está crescendo exponencialmente em todo o mundo. Enfrentar essas invasoras é crucial para nos prepararmos para as mudanças climáticas.”

Ameaça Global e Desafios Locais

As espécies invasoras não só competem com as nativas por recursos, mas também podem alterar drasticamente os ecossistemas. As plantas não nativas, por exemplo, movem-se a uma velocidade três vezes maior do que suas congêneres nativas. Este ritmo acelerado é exacerbado pelas mudanças climáticas, que transformam habitats e forçam as espécies a migrar em busca de condições mais favoráveis.

A equipe de pesquisadores, incluindo colaboradores de instituições nos EUA e na Espanha, realizou uma extensa análise de dados e estudos anteriores. Eles descobriram que a intervenção humana é um dos principais motores dessa rápida dispersão. Espécies são transportadas acidentalmente em contêineres de carga ou deliberadamente plantadas em jardins e hortas.

Migração Assistida: Uma Necessidade Urgente

Dado que as espécies nativas não conseguem acompanhar as rápidas mudanças climáticas por conta própria, a pesquisa sugere a implementação de migração assistida. Isso envolve a relocação deliberada de espécies nativas para áreas onde elas têm uma chance melhor de sobrevivência.

Bradley enfatiza a importância dessa prática: “Precisamos considerar seriamente a migração assistida se quisermos que nossas plantas e animais nativos tenham alguma chance de sobreviver. As pessoas são muito eficientes em mover espécies, e isso é uma grande vantagem para as não nativas.”

Implicações para o Futuro

O estudo também explora até onde as espécies nativas e não nativas podem se espalhar em um mundo em aquecimento. A conclusão é que as espécies não nativas tendem a encontrar mais habitats adequados em comparação com as nativas. No entanto, as bordas de suas distribuições também estão se tornando menos adequadas, o que pode limitar sua expansão a longo prazo.

Apesar das dificuldades, os pesquisadores apontam que é crucial entender e gerenciar essas dinâmicas de dispersão. A propagação rápida de espécies não nativas pode ter impactos devastadores na biodiversidade e nos ecossistemas locais.

A ação humana está inadvertidamente acelerando a expansão das espécies não nativas, colocando em risco as nativas que não conseguem acompanhar as mudanças rápidas no clima. Para proteger a biodiversidade e garantir a sobrevivência das espécies nativas, a implementação de estratégias como a migração assistida é vital. Este estudo sublinha a necessidade urgente de ação e planejamento eficaz para enfrentar os desafios impostos pelas mudanças climáticas e pela disseminação de espécies invasoras.

Fonte: Daegan Miller, Universidade de Massachusetts Amherst.

Sem avaliações ainda