Falta de Saneamento e Baixo IDH: Jardim Maravilha Sofre com Prioridades Questionáveis da Prefeitura
Foto: Montagem MAR

No Jardim Maravilha, uma comunidade marcada pela ausência de saneamento básico e um dos mais baixos Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) do Rio de Janeiro, os moradores enfrentam uma realidade desafiadora. Enquanto lutam diariamente por condições mínimas de vida, a recente aprovação para a construção de um novo autódromo em Guaratiba levanta críticas contundentes sobre as prioridades do poder público.

Aprovado após intensos debates na Câmara Municipal, o Projeto de Lei Complementar 162/2024 destina um trecho próximo à estação de BRT Mato Alto para a construção do autódromo. Com 64 emendas e ampla discussão, a proposta recebeu 35 votos favoráveis, evidenciando um forte apoio legislativo à iniciativa.

Na sessão, parlamentares destacaram os potenciais benefícios econômicos e turísticos do novo equipamento esportivo para a região de Guaratiba. O presidente da Câmara, Carlo Caiado (PSD), enfatizou a importância do autódromo como um impulso para a economia local e mencionou a necessidade de cumprir compromissos anteriores da cidade, especialmente pós-Olimpíadas.

Contudo, a decisão de priorizar um grande investimento como o autódromo em detrimento de necessidades básicas como saneamento básico no Jardim Maravilha provocou indignação entre alguns setores da sociedade civil. Para muitos moradores e ativistas locais, a falta de acesso a serviços essenciais como água tratada e sistemas de esgoto adequados é uma violação flagrante dos direitos humanos.

A comunidade está abandonada. Enquanto discutem um autódromo, nós lutamos para ter água potável e condições dignas de moradia“, lamenta um residente que preferiu não se identificar. A construção do autódromo, segundo críticos, poderia ser vista como um símbolo de prioridades equivocadas, especialmente considerando o impacto ambiental e social que a obra pode acarretar.

O vereador Átila Nunes (PSD), líder do governo na Câmara, defendeu a iniciativa como um passo crucial para revitalizar a economia local e resgatar a tradição automobilística da cidade. “O autódromo não é apenas uma pista de corrida; é uma oportunidade de crescimento e desenvolvimento para Guaratiba”, afirmou Nunes, ressaltando os potenciais empregos e benefícios econômicos que o projeto pode trazer para a região.

Enquanto isso, a proposta inclui planos para melhorias na infraestrutura local, como novas estações de BRT e investimentos em cultura e lazer. Emendas ao projeto também estabelecem contrapartidas, como a destinação de recursos para melhorias no trânsito e a construção de uma escola e área de lazer na área do autódromo.

A construção do autódromo, prevista para incorporar tecnologias sustentáveis como energia fotovoltaica e reúso de águas pluviais, visa mitigar possíveis impactos ambientais. No entanto, para os críticos, isso não ameniza a sensação de que o desenvolvimento urbano está desigualmente distribuído, favorecendo áreas já privilegiadas em detrimento de comunidades carentes como o Jardim Maravilha.

A discussão em torno do autódromo em Guaratiba continua a provocar debates acalorados sobre o futuro do desenvolvimento urbano no Rio de Janeiro e a necessidade urgente de priorizar investimentos que atendam às necessidades básicas das comunidades mais vulneráveis.

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