continua após a publicidade

Um estudo do Banco Inter apontou que cerca de 23 milhões de trabalhadores se beneficiaram do saque aniversário do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), movimentando um total de R$ 28 bilhões em recursos que antes ficavam retidos no fundo. No entanto, o governo Lula pretende acabar com a modalidade, temendo que o benefício reduza o patrimônio do fundo de garantia, que é utilizado para investimentos em infraestrutura e habitação.

Criado no fim de 2019, o saque aniversário permite que o trabalhador receba uma parcela do fundo de garantia, anualmente, a partir do mês de aniversário, com o valor do saque dependendo do saldo que o trabalhador possui no fundo. Embora a adesão seja opcional, aqueles que optam pela modalidade não podem sacar os valores do FGTS em caso de demissão por dois anos.

O estudo do Banco Inter mostra que a expectativa do governo de que a modalidade reduzisse significativamente o patrimônio do fundo não se concretizou. Na verdade, o saque aniversário representou apenas 22% do total de saques do FGTS e 4,5% do total do fundo em 2022. Além disso, a arrecadação do fundo de garantia foi maior do que os saques nos últimos dois anos, graças à recuperação do mercado de trabalho formal.

Por outro lado, o trabalhador que optou por manter os recursos no fundo e não aderiu ao saque aniversário fez um mau investimento. Nos últimos cinco anos, o FGTS rendeu 38%, empatando com a inflação, mas ficando abaixo dos 50% da taxa básica de juros (Selic). A economista do Banco Inter avalia que, considerando o cenário de inflação e Selic maior para os próximos anos, será ainda mais vantajoso para o trabalhador sacar os recursos e investir em outros instrumentos, como Tesouro Selic, ou Tesouro IPCA+, por exemplo.

O governo Lula pretendia acabar com o saque aniversário do FGTS já em março, mas o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, afirmou nesta semana que a decisão sobre as mudanças ou mesmo o fim do benefício será do Congresso.

continua após a publicidade