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A cada ano, são registrados mais de 150 mil casos de gravidez ectópica no Brasil, segundo o Ministério da Saúde. Trata-se de um distúrbio que ocorre quando o óvulo fecundado se instala e se desenvolve fora da cavidade uterina. A condição pode causar a destruição dos órgãos e deve ser diagnosticada por um profissional da área de Ginecologia quanto antes para preservar a saúde da mulher.

O Ministério aponta que quase 1% da população feminina brasileira é acometida pela gravidez ectópica. Embora o número pareça baixo, na maioria dos casos essa gestação precisa ser interrompida devido ao alto risco que representa para a saúde. 

Quando a gravidez não é identificada nas primeiras semanas pelo profissional de Obstetrícia, podem acontecer graves repercussões. A ruptura de uma gestação dessa natureza pode provocar hemorragias, que necessitam de atendimento médico de emergência.

Dor abdominal súbita e sangramento vaginal são indícios de ruptura de gravidez ectópica. Assim, a falta de intervenção pode levar, em últimos termos, ao óbito materno. Porém, os índices de mortalidade por essa causa são bastante reduzidos atualmente. 

Outro risco — este, mais comum — é a retirada da tuba uterina, necessária quando há um dano muito grande. A cirurgia é chamada de salpingectomia. Apesar de importante para a saúde da mulher, o processo tem consequências na fertilidade espontânea, já que as tubas participam da captação do óvulo e da fertilização.

Como ocorre a gravidez ectópica?

Aproximadamente 90% a 95% dos casos de gestação ectópica ocorrem nas tubas uterinas, chamadas de gestações tubárias. Os demais podem acontecer na cavidade peritoneal, no canal cervical, nos ovários e na cavidade abdominal.

O processo que leva à gravidez é complexo e tem início com a gametogênese — desenvolvimento, maturação e liberação dos gametas (óvulos e espermatozoides) —, passando pela fertilização na tuba uterina e primeiros dias de desenvolvimento do embrião. 

Por volta de seis dias da fecundação, o embrião deve se implantar no útero, órgão adequado para o desenvolvimento da gestação por ter meios para nutrir o feto e acomodar o bebê enquanto ele cresce. Outra função importante é a contratilidade miometrial, que provoca as contrações para o trabalho de parto.

Na gravidez ectópica (especialmente a tubária), o embrião não consegue chegar até o útero, pois existe algum ponto de obstrução na tuba. Com isso, a implantação embrionária ocorre na própria tuba uterina, que não é um ambiente apropriado para o desenvolvimento fetal.

Fatores de risco

Segundo a pesquisa “Gravidez ectópica: Epidemiologia, fatores de risco e locais anatômicos“, diversos são os fatores de risco já identificados para a gravidez ectópica. Geralmente, o problema está nas trompas que, por estarem infectadas, inflamadas ou estruturalmente danificadas, fazem com que o embrião tenha dificuldade de completar seu caminho até o útero.

Alguns dos fatores de risco mais conhecidos incluem inflamação ou infecção ativa da tuba uterina (salpingite), lesão estrutural da tuba por inflamações prévias, cirurgia prévia das trompas, falha da ligadura de trompa e episódio de gravidez ectópica anterior. Além disso, quando o Dispositivo Intra Uterino (DIU) falha, o risco de gravidez tubária é muito elevado — embora sejam raros os casos de erro desse método contraceptivo. 

Já as condições que elevam moderadamente o risco são tabagismo, gravidez durante tratamento para infertilidade, infecção ginecológica prévia por clamídia ou gonorreia e já ter tido doença inflamatória pélvica (DIP). Cirurgia abdominal ou pélvica, costume de realizar ducha vaginal e gravidez antes dos 18 anos também aumentam levemente o risco. 

Sintomas

Em algumas mulheres, os sintomas iniciais da gravidez ectópica são os mesmos que ocorrem em uma gestação tópica, como enjoos, ausência de menstruação, vontade de urinar toda hora e aumento dos seios. Além disso, assim como nas gestações normais, o teste de gravidez também é positivo na gravidez fora do útero.

Na maior parte dos casos, as grávidas não apresentam sinais iniciais de gestação ectópica. Por volta da sexta a oitava semanas de gestação, é comum a paciente procurar atendimento médico com a tríade de sintomas composta por dor abdominal, atraso menstrual e sangramento vaginal.

Diagnóstico e tratamento

Para estabelecer o diagnóstico de gravidez ectópica, é preciso realizar exames ginecológicos e uma ultrassonografia transvaginal, como ressaltado no estudo “Gravidez ectópica: manifestações clínicas e diagnóstico”. Além disso, um Beta hCG positivo, que apresenta evolução lenta dos valores, e a ausência de embrião dentro do útero são indícios importantes na investigação do quadro. 

Como a gravidez ectópica não tem futuro e o risco de morte da mãe existe, todas as modalidades de tratamento buscam retirar o embrião antes que surjam complicações. Para isso, existem os tratamentos cirúrgico e medicamentoso. Cabe ao médico responsável pelo caso avaliar qual o método mais adequado.