Até 2054, hambúrgueres cultivados em laboratório e saladas de insetos podem se tornar comuns no cardápio das pessoas, aponta um relatório da Universidade de York. A pesquisa, conduzida para o Relatório de Varejo Responsável da Cooperativa, sugere que as atitudes em relação a dietas saudáveis e a busca por sustentabilidade alimentar transformarão radicalmente nossas escolhas alimentares nas próximas três décadas.

Segundo o relatório, dietas mais equilibradas, incorporando uma variedade maior de proteínas, incluindo fontes não convencionais como grilos e gafanhotos, farão parte de uma “dieta flexitariana” mais comum. Bob Doherty, diretor do projeto FixOurFood da Escola de Negócios e Sociedade da Universidade de York, afirma que avanços científicos em substitutos de carne e produtos alimentícios sustentáveis, muitos dos quais eram impensáveis em 1994, tornar-se-ão a norma.

Inovações em Proteínas e Produção Sustentável

A pesquisa indica que a produção de alimentos no Reino Unido verá um aumento significativo na agricultura urbana e em tecnologias de cultivo indoor. Isso reduzirá a dependência de vegetais importados e incentivará o consumo de produtos locais. Além disso, o cultivo de proteínas alternativas, como carnes de alta qualidade produzidas em laboratório e proteínas de insetos, será vital para atender à crescente demanda por fontes de proteína diversificadas e sustentáveis.

Produtos como carnes derivadas de culturas de tecidos animais e proteínas vegetais, incluindo glúten de trigo e leguminosas, são apontados como elementos-chave da dieta do futuro. Essas inovações não apenas atendem à necessidade de sustentabilidade, mas também podem ajudar a reduzir o impacto das mudanças climáticas na produção de alimentos.

Agricultura Regenerativa e Conservação de Alimentos

O relatório destaca a importância da agricultura regenerativa, que integra práticas agrícolas e pecuárias para melhorar a saúde do solo e a biodiversidade, enquanto reduz a necessidade de produtos químicos. Métodos como o cultivo de morangos fora do solo e a adoção de técnicas de preservação tradicionais, como a decapagem, são exemplos de como as práticas agrícolas estão evoluindo para serem mais eficientes e sustentáveis.

“A extensão da estação de crescimento para frutas britânicas, como maçãs e peras, e a inovação na conservação de alimentos estão transformando a forma como produzimos e consumimos alimentos”, diz Doherty. Ele também menciona o potencial de novas variedades de plantas, como o feto de água azolla, que cresce rapidamente e pode ser utilizado em sopas, saladas e até hambúrgueres.

Preocupações com Sustentabilidade e Ética

À medida que o impacto das mudanças climáticas se intensifica, a necessidade de produtos cultivados localmente e práticas agrícolas éticas se torna ainda mais crucial. O apoio ao Comércio Justo é vital para garantir que as comunidades agrícolas de pequenos produtores, que são desproporcionalmente afetadas pelas mudanças climáticas, possam sustentar suas operações.

Quase 70.000 pessoas foram entrevistadas nos últimos 30 anos como parte da série de Relatórios de Varejo Responsável da Cooperativa. As descobertas mais recentes mostram que dois terços dos consumidores estão cada vez mais preocupados com alimentos éticos e sustentáveis, uma preocupação que aumentou significativamente desde 1994.

As principais razões para essa crescente preocupação incluem o impacto das mudanças climáticas, o bem-estar animal, a poluição plástica e a necessidade de salários justos para os trabalhadores globais. A conscientização sobre esses temas está moldando a forma como os consumidores escolhem seus alimentos e influenciando o futuro da indústria alimentícia.

Perspectivas para o Futuro

Doherty enfatiza que, enquanto enfrentamos os desafios das mudanças climáticas, a adoção de inovações na produção de alimentos é essencial para garantir uma alimentação sustentável para uma população global crescente. “Precisamos abraçar essas mudanças para alimentar uma população em crescimento de forma sustentável”, conclui.

Com o avanço das tecnologias de alimentos e a crescente conscientização sobre a sustentabilidade, a alimentação do futuro promete ser não apenas inovadora, mas também mais alinhada com as necessidades do planeta e da sociedade.

Fonte: Universidade de York, Relatório de Varejo Responsável da Cooperativa.

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