A água é um insumo básico para a sobrevivência humana, e está presente em diversos segmentos da economia brasileira, sendo capaz de gerar impactos significativos no PIB de um país. Do total de água consumida, 70% são absorvidas pela atividade agropecuária, 20% são demandados pela atividade industrial, comércio e serviços, e 10% são, exclusivamente, para o consumo humano.

De acordo com o estudo “Benefícios Econômicos e Sociais da Expansão do Saneamento Brasileiro 2022”, feito pelo Instituto Trata Brasil e elaborado pela consultoria Ex Ante, se o Brasil atender a sua população total nos próximos 20 anos com saneamento básico, o rendimento do país vai alcançar R$ 1,4 trilhão em benefícios socioeconômicos. Outra pesquisa realizada pela Confederação Nacional da Indústria, estima que a cada R$1 bilhão de reais investido em saneamento básico, é previsto um crescimento de R$545 milhões na média salarial brasileira. 

O acesso à água é reconhecido como um direito humano pelas Nações Unidas, mas, no Brasil, cerca de 33 milhões de brasileiros vivem sem água tratada e 94 milhões não têm acesso à coleta de esgoto, segundo os últimos dados divulgados pelo Sistema Nacional de Informações sobre o Saneamento (Snis). A região mais afetada é o Norte, com apenas 13,1% da população com acesso à rede de coleta de esgoto. No Sudeste, o percentual salta para 80,5% da população coberta e, no Centro-Oeste, 59,5%. No sul, o esgoto tratado não chega a metade da população (52,6%) e no Nordeste falta para 69,7% das pessoas.

Para Fernando Silva, CEO da PWTech, startup de purificação de água contaminada, a universalização do acesso ao saneamento básico de qualidade, promove o desenvolvimento dos setores da saúde, turismo e imobiliário, a partir da despoluição dos rios e mares e da melhoria das condições de saneamento em regiões afastadas, o que aumenta o interesse de turistas e a explosão de construções em locais, antes, não valorizados pelo mercado. 

Com a universalização, a valorização imobiliária alcançaria R$ 2,4 bilhões por ano, ou R$ 48 bilhões por ano. Esse valor foi calculado tomando por referência a evolução anual do estoque de moradias de 2021 a 2040 e a valorização esperada com as melhorias das condições de saneamento. Na saúde, é esperado um rendimento de R$ 25,1 bilhões, com um ganho anual de R$ 1,25 bilhão. 

“É importante lembrar que o desenvolvimento socioeconômico está diretamente atrelado a qualidade de vida da população. Em razão disso, é necessário que muitos déficits sejam solucionados para que assim, o crescimento de qualidade reflita no progresso do país” explica o especialista.