Dezenas de casas estão ilhadas no Magarça, Campo Grande — Foto: Reprodução / Tv Globo

A espera por condições mínimas de vida no Jardim Maravilha, situado na Zona Oeste do Rio de Janeiro, é uma narrativa de negligência prolongada. Há mais de 70 anos, os moradores aguardam por um serviço básico e essencial: saneamento. Enquanto isso, o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) chega religiosamente todos os anos, contrastando com a ausência de serviços básicos que desafia a dignidade humana e a saúde pública.

A Constituição Federal de 1988 garante o direito ao saneamento básico, mas para os residentes do Jardim Maravilha, essa promessa constitucional parece distante. A comunidade enfrenta diariamente a falta de água limpa, esgoto tratado e coleta de lixo eficiente. O cenário é ainda mais desolador quando comparado aos investimentos significativos anunciados para novos projetos de lazer em outras áreas da cidade.

Enquanto o Jardim Maravilha luta com as consequências de décadas de descaso, a Prefeitura do Rio se prepara para inaugurar o Parque Pavuna, um novo espaço público na Zona Norte. Com um investimento de aproximadamente R$ 12 milhões, o parque de 17 mil metros quadrados promete ser um oásis de recreação em uma região historicamente carente de áreas verdes.

Localizado na Rua Marechal Guilherme, abrangendo os bairros da Pavuna, Costa Barros e Anchieta, o Parque Pavuna surge como resposta a uma demanda antiga da comunidade local, que há muito clama por espaços de lazer adequados. Equipado com quadras esportivas, pista de skate, parque aquático e até uma torre d’água iluminada de quase 22 metros de altura, o novo parque busca oferecer uma infraestrutura moderna e acolhedora.

Enquanto os preparativos para a inauguração avançam, os moradores do Jardim Maravilha refletem sobre a prioridade dada aos investimentos públicos. Para eles, a construção de um parque é uma conquista bem-vinda, mas que não deve eclipsar as necessidades urgentes de saneamento básico que afetam diretamente sua qualidade de vida e saúde.

A falta de investimentos em infraestrutura básica reflete não apenas uma falha política, mas também um desrespeito evidente aos direitos humanos mais fundamentais. Enquanto o Parque Pavuna brilha como um símbolo de renovação e progresso, o Jardim Maravilha permanece às sombras, clamando por uma atenção que vai além da estética urbana.

A inauguração iminente do Parque Pavuna destaca a disparidade gritante entre áreas privilegiadas com novas opções de lazer e comunidades negligenciadas que aguardam décadas por condições básicas de vida digna. Enquanto os holofotes se voltam para o novo parque, é essencial lembrar que o verdadeiro progresso deve incluir todos os cidadãos, começando por atender às necessidades mais urgentes e essenciais.

Fonte: Adaptado de https://g1.globo.com

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