A Kaspersky, renomada empresa de segurança cibernética, rejeitou firmemente as acusações de ser uma ameaça à segurança nacional dos Estados Unidos após a recente decisão do Departamento de Comércio dos EUA de proibir o uso de seu software em território americano. Em comunicado, a empresa com sede em Moscou afirmou que a proibição se baseia em “preocupações teóricas e clima geopolítico”, sem qualquer verificação independente dos riscos alegados.

Proibição e Reação

A decisão anunciada na quinta-feira, 20 de junho de 2024, impede que organizações nos EUA utilizem o software Kaspersky, alegando que a empresa representa um “risco indevido ou inaceitável para a segurança nacional”. O governo americano argumenta que as conexões russas da Kaspersky e a obrigação legal de seu CEO, Eugene Kaspersky, um cidadão russo, de cumprir as leis da Rússia, são motivos suficientes para a proibição.

“A Kaspersky, como qualquer empresa russa, está sujeita à legislação russa, o que pode potencialmente permitir ao governo russo acesso aos dados”, afirmou o Departamento de Comércio. “O software da Kaspersky pode ser explorado para identificar dados confidenciais de cidadãos americanos e disponibilizá-los a atores governamentais russos”.

Impacto e Argumentos da Kaspersky

Apesar da proibição, a Kaspersky afirmou que continuará a vender e promover seus produtos nos EUA, incluindo soluções de segurança cibernética e treinamentos de inteligência contra ameaças. A empresa enfatizou que seus produtos são amplamente respeitados pela capacidade de detectar e neutralizar malwares e outras ameaças digitais.

“A decisão não afeta nossa capacidade de oferecer serviços e produtos de segurança cibernética de alta qualidade”, declarou a Kaspersky. “Nossa tecnologia continua a proteger milhões de usuários em todo o mundo, incluindo nos EUA.”

Contexto Geopolítico e Segurança

O Departamento de Comércio sustentou que a proibição não se baseia na eficácia dos produtos da Kaspersky, mas sim no potencial uso estratégico desses produtos para comprometer a segurança nacional dos EUA. A empresa, por sua vez, destacou que suas operações na Rússia têm acesso apenas a dados agregados ou estatísticos, não sendo capazes de acessar dados sensíveis de americanos de forma identificável.

“Estamos comprometidos em proteger a privacidade de nossos usuários e em defender nossa reputação contra ações injustas que busquem minar nossos negócios”, afirmou a Kaspersky. A empresa acredita que a decisão dos EUA poderá beneficiar o crime cibernético, restringindo a liberdade de escolha dos consumidores e organizações em suas proteções digitais.

Histórico e Desafios

A Kaspersky, conhecida por seu software antivírus de consumo amplamente utilizado, também é famosa por sua unidade de pesquisa que regularmente expõe grupos de hackers de elite. No entanto, a empresa tem enfrentado desafios crescentes devido a suspeitas de laços com o governo russo, que intensificaram desde a investigação da Associated Press em 2019, que descobriu tentativas de espionagem de especialistas em segurança cibernética.

A Kaspersky refuta as acusações de espionagem e afirma que não tem capacidade para coletar intencionalmente dados sensíveis sobre cidadãos americanos. A empresa assegura que suas práticas estão em conformidade com normas internacionais de privacidade e segurança.

O Futuro da Kaspersky nos EUA

A Kaspersky expressou otimismo quanto ao futuro, afirmando que continuará a defender-se contra ações que visem prejudicar sua reputação e operações comerciais. “Estamos ansiosos pelo que o futuro nos reserva e continuaremos a proteger nossos clientes e a inovar no campo da segurança cibernética”, concluiu a empresa.

Fonte: Associated Press

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