Um estudo recente da Geophysical Research Letters revelou que quase metade dos maiores lagos do mundo perdeu significativamente sua resiliência frente a perturbações como ondas de calor e inundações, devido às atividades humanas e às mudanças climáticas. A pesquisa, liderada por Ke Zhang da Academia Chinesa de Ciências, analisou 1.049 lagos globais, destacando uma preocupante tendência de declínio na capacidade de recuperação desses ecossistemas aquáticos.

Os resultados indicam que os lagos no leste da América do Norte e no norte da Europa são os mais afetados, atribuindo-se a densas populações e alta poluição como principais causadores dessa deterioração. Em contrapartida, áreas com economias mais robustas demonstraram lagos mais saudáveis, sugerindo que investimentos em conservação podem mitigar os impactos negativos.

A análise considerou múltiplos fatores, incluindo temperatura, precipitação, densidade populacional e PIB per capita das bacias hidrográficas, usando imagens de satélite para monitorar mudanças na estrutura e cor dos lagos ao longo de duas décadas, de 2000 a 2018.

Os pesquisadores observaram um padrão alarmante: entre 2000 e 2018, aproximadamente 49% dos lagos estudados perderam resiliência, especialmente em latitudes mais altas no hemisfério norte, onde as mudanças climáticas têm impulsionado o aumento do número de lagos. Por outro lado, cerca de 25% dos lagos, principalmente em altitudes elevadas como o Planalto Tibetano e os Andes, mostraram-se mais resilientes, beneficiando-se do aumento do derretimento glacial.

A influência humana se destacou como um fator preponderante na perda de resiliência dos lagos, especialmente onde há maior densidade populacional e intensa alteração da paisagem. A poluição e a eutrofização foram citadas como consequências diretas dessas atividades.

Segundo Zhang, entender a resiliência dos lagos é crucial para identificar sinais precoces de degradação, permitindo intervenções oportunas para evitar impactos socioecológicos catastróficos. A correlação positiva entre PIB elevado e maior resiliência em certas regiões indica que investimentos em gestão ambiental podem ser estratégicos para a proteção dos ecossistemas lacustres.

Este estudo alerta para a urgência de políticas eficazes de gestão e restauração ambiental para mitigar os danos observados nos lagos globais. A deterioração da resiliência não apenas ameaça a biodiversidade aquática, mas também coloca em risco o fornecimento de água doce e outros serviços ecossistêmicos essenciais.

Fonte: União Geofísica Americana

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