Cupertino, Califórnia — Uma simples impressão de um documento fiscal levou Justina Jong, instrutora de treinamento no departamento de marketing da Apple, a descobrir uma disparidade salarial que agora é o centro de uma ação judicial. Em um processo recente, Jong afirma que recebia quase $10.000 a menos por ano do que um colega homem realizando as mesmas funções. Este caso destaca novamente a luta contínua contra a discriminação salarial no setor de tecnologia.

Descoberta Inesperada

A revelação de Jong ocorreu de maneira fortuita. Um formulário fiscal W-2 de um colega, impresso acidentalmente na impressora do escritório da Apple em Sunnyvale, mostrou que ele ganhava significativamente mais do que ela, apesar de ambos terem responsabilidades semelhantes. “Foi chocante descobrir que ele recebia quase $10.000 a mais do que eu”, disse Jong, que trabalha na Apple há mais de uma década.

Ação Judicial e Reclamações

Jong, juntamente com outra funcionária de longa data, Amina Salgado, gerente da AppleCare, está processando a Apple no Tribunal Superior do Condado de São Francisco. Elas alegam que a empresa pagou sistematicamente menos a mais de 12.000 mulheres em comparação com homens, abrangendo áreas como engenharia, marketing e serviços de suporte da AppleCare.

O processo busca status de ação coletiva e solicita pagamentos retroativos com juros de 10% para as mulheres afetadas. “A Apple pagou sistematicamente às mulheres remunerações mais baixas do que aos homens com formação e experiência semelhantes”, declara a ação.

Histórico de Discriminação no Setor de Tecnologia

Este caso contra a Apple surge após um acordo significativo em 2022, quando o Google aceitou pagar $118 milhões para resolver alegações de discriminação salarial de até 15.500 mulheres. A queixa contra a Apple aponta que, até o final de 2017, a empresa questionava novas contratações sobre seus salários anteriores, o que resultava em mulheres começando com salários mais baixos do que os homens para os mesmos cargos.

Jong, que foi contratada em 2013, recebeu “essencialmente o mesmo salário-base que tinha em seu emprego anterior”. Salgado, que ingressou na Apple em 2012, relatou várias vezes à empresa que acreditava receber menos devido ao seu gênero. Uma investigação interna confirmou a disparidade salarial, e embora a Apple tenha aumentado seu salário, recusou-se a compensá-la pelos anos em que recebeu menos.

Mudanças Legais e Práticas Empresariais

Com a entrada em vigor de uma nova lei na Califórnia em 2018, que proíbe os empregadores de perguntar sobre o histórico salarial dos candidatos, a Apple mudou suas práticas, perguntando agora sobre as expectativas salariais dos candidatos. Estudos sugerem que essa prática pode perpetuar disparidades salariais, uma vez que as expectativas dos candidatos geralmente refletem seus salários anteriores, levando a uma continuidade das desigualdades de pagamento.

Além disso, a Apple paga prêmios a trabalhadores considerados de “talento excepcional”, mas, de acordo com o processo, “mais homens são identificados como tendo talento”, exacerbando ainda mais a disparidade salarial.

O Pedido das Demandantes

As demandantes não estão apenas em busca de compensação financeira; elas também buscam uma ordem judicial para impedir que a Apple continue a pagar menos às mulheres do que aos homens para funções equivalentes. A ação alega que, com o tempo, as disparidades salariais se ampliam, pois aumentos percentuais baseados no salário-base inicial perpetuam a desigualdade.

O impacto desse processo pode ter ramificações significativas para a Apple e para a indústria de tecnologia como um todo, que já enfrenta escrutínio por suas práticas de discriminação de gênero e disparidade salarial.

Fonte: Ethan Baron, The Mercury News

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