Crédito: Unsplash/CC0 Domínio Público

A entrada do ChatGPT no cenário jornalístico tem causado debates acalorados sobre seu impacto nos meios de comunicação. Recentemente, grandes publicações como The Atlantic e Vox Media concordaram em licenciar seu conteúdo para a OpenAI, empresa por trás do ChatGPT. Este movimento revive memórias de acordos semelhantes que editoras tradicionais firmaram com gigantes como Facebook e Google, que aumentaram a audiência, mas minaram as receitas.

O Dilema dos Meios de Comunicação com a OpenAI

Patrick Ferrucci, ex-repórter e atual presidente do departamento de jornalismo da Universidade do Colorado em Boulder, reflete sobre essa situação. Ferrucci, que estuda as instituições e tecnologias que estão rapidamente remodelando o jornalismo, expressa ceticismo em relação aos benefícios de tais acordos. “Eu não entendo”, diz ele. “Vimos antes que as infusões financeiras não necessariamente beneficiam o jornalismo a longo prazo.”

Desde seu lançamento no final de 2022, o ChatGPT foi aclamado por sua capacidade de criar conteúdo de alta qualidade, sendo visto como uma ferramenta valiosa para empresas e indivíduos. No entanto, com o tempo, surgiram críticas de criadores e artistas acusando a OpenAI de usar seus trabalhos para treinar o chatbot sem permissão.

Os Benefícios Potenciais e os Riscos

Apesar das críticas, Ferrucci reconhece que pode haver vantagens para as empresas de mídia que aderirem à OpenAI. Ele sugere que essas parcerias poderiam ajudar a indústria jornalística a explorar as capacidades dessas ferramentas e integrá-las em seus processos. “Isso pode dar uma vantagem às empresas que abraçam essas tecnologias desde o início sobre aquelas que as resistem.”

Por outro lado, algumas organizações, como o The New York Times, optaram por contestar o uso de seus conteúdos pela OpenAI judicialmente. Em 2023, o jornal alterou seus termos de serviço para impedir que sistemas de IA prejudicassem seu trabalho, levando a uma ação legal contra a OpenAI. Robin Burke, professor de ciência da informação na mesma universidade de Ferrucci, descreve o período inicial do ChatGPT como uma “lua de mel”, durante o qual poucas organizações prestaram atenção ao uso de seus conteúdos.

A Perspectiva Legal e Ética

Casey Fiesler, professor associado de ciência da informação e especialista em questões éticas e legais relacionadas à tecnologia, observa que a preocupação central não é apenas a violação de direitos autorais, mas também a ideia de que o trabalho dos criadores está sendo usado para desenvolver uma tecnologia que pode, eventualmente, substituí-los. “Isso é o que mais irrita as pessoas. Parece uma violação – você está usando minha arte para construir essa tecnologia para não precisar mais pagar aos artistas.”

Ferrucci prevê que, apesar das disputas legais, veremos mais acordos entre empresas de mídia e a OpenAI no futuro. “Algumas empresas de jornalismo podem se autocensurar para evitar processos, enquanto outras podem ver esses acordos como uma oportunidade de receita que não podem se dar ao luxo de ignorar.”

O Caminho para o Futuro

A relação entre ferramentas de inteligência artificial como o ChatGPT e os meios de comunicação é complexa e cheia de nuances. Enquanto alguns veem essas tecnologias como uma ameaça, outros acreditam que elas podem ser integradas de forma a beneficiar o jornalismo. No entanto, é crucial que a indústria equilibre a adoção dessas inovações com a proteção dos direitos dos criadores e a integridade do conteúdo jornalístico.

A próxima fase para a mídia será definir como essas ferramentas podem ser utilizadas de maneira ética e eficaz, garantindo que o jornalismo continue a prosperar em um ambiente digital cada vez mais competitivo e tecnologicamente avançado.

Fonte: Universidade do Colorado em Boulder

Sem avaliações ainda