Prefeito do Rio, Eduardo Paes tem intensificado nas últimas semanas a agenda de inaugurações ou anúncios de obras. O ritmo acelerado do chefe do executivo municipal se dá pelas regras do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Isso porque a partir de 6 de julho, exatos três meses antes do primeiro turno das eleições municipais, agentes públicos — como é o caso de Paes, candidato à reeleição — ficam proibidos de participar de “inaugurações de obras públicas ou divulgação de prestação de serviços públicos”.

Um levantamento feito pelo jornal o Globo mostrou que, entre 15 de junho e 5 de julho, o prefeito terá participado de pelo menos 25 ações de entrega ou divulgação de obras. Mais de uma ação por dia, em média.

No domingo (30), na companhia do presidente Lula, Paes esteve na Favela do Aço, em Santa Cruz, para a inauguração da construção de três dos 44 blocos do projeto Morar Carioca, menos de 10% do total. Ao todo, dezesseis famílias receberam as chaves e a documentação do imóvel durante a cerimônia. Ao todo, estão previstas 704 unidades, financiadas pela Caixa Econômica Federal. A previsão é que todas fiquem prontas só em 2026.

Na próxima sexta-feira (5), último dia do prazo estabelecido pelo TSE, Paes vai a Campo Grande, bairro mais populoso do Brasil, com 346.721 moradores, de acordo com o último censo do IBGE, inaugurar um mergulhão com 400 metros de extensão no cruzamento da Avenida Cesário de Melo com a Estrada do Monteiro.

O trecho é apenas uma das nove frentes do projeto, que incluem a construção de dois túneis e a duplicação de várias vias. O Anel Viário só deve ser concluído no fim de 2025 a um custo estimado de R$ 1 bilhão, fruto de empréstimo do BNDES.

Já no dia 23 de junho, o prefeito entregou parcialmente as obras do programa Bairro Maravilha da Vila Vintém, em Padre Miguel, na Zona Oeste. Das 36 ruas do projeto, apenas 11 foram concluídas. Uma semana antes, no dia 16 de junho, Paes inaugurou a pavimentação de 12 ruas na comunidade Vinte e Nove de Março, em Cosmos. Neste caso, ficaram faltando só três vias.

A agenda de Eduardo Paes inclui até evento para marcar início de obras. Fechada há 22 anos, tombada como patrimônio histórico e há tempos em processo de deterioração, a Estação Ferroviária Barão de Mauá, conhecida como Leopoldina, na Avenida Francisco Bicalho, deve renascer apenas no fim de 2026, quando completa cem anos. O pontapé inicial das obras de restauração, orçadas em R$ 80 milhões, seria dado ontem, mas foi adiado em função da chuva. Sem tempo a perder, a prefeitura já remarcou tudo para hoje.

A restauração da estação é a primeira etapa de uma série de intervenções que a prefeitura pretende realizar no terreno de 125 mil metros quadrados da Leopoldina. Nas fases seguintes, ainda sem prazo, serão construídas a Fábrica do Samba — uma segunda Cidade do Samba, para abrigar as agremiações da Série Ouro do carnaval carioca —, um centro de convenções e 700 unidades de habitação popular do programa Minha Casa, Minha Vida. No fim de fevereiro, foi fechada uma parceria entre a União, dona do espaço, e o município. A gestão da estação e dos terrenos vizinhos foi transferida para a prefeitura.

A estratégia ainda prevê um aumento no orçamento do programa Asfalto Liso, da Secretaria municipal de Conservação, projeto que contempla o reparo de mais de 450 quilômetros de vias da cidade até o fim deste ano. Em 2022, a prefeitura desembolsou R$ 184,1 milhões; em 2023, R$ 249 milhões, e este ano o valor disparou para R$ 416,3 milhões.

Questionado pelo jornal O Globo sobre o alto volume de inaugurações concentradas no período pré-eleitoral, Paes se limitou a responder.

– É isso mesmo. Muita entrega. E ainda vão acontecer outras sem a minha presença.

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