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Engana-se quem pensa que o maior incômodo que problemas no esgoto podem trazer para as pessoas é o cheiro desagradável em casa. A falta de controle hidráulico da residência pode acarretar uma série de doenças, comprometendo o bem-estar e a saúde dos moradores. 

Segundo dados do estudo Saneamento e Doenças de Veiculação Hídrica divulgado em 2021 pelo Instituto Trata Brasil, a falta de saneamento básico sobrecarregou o sistema de saúde brasileiro em 2019, com 273.403 internações por doenças de veiculação hídrica. No mesmo ano, cerca de 2.733 pessoas morreram por essas enfermidades no país, segundo o Datasus. 

Entre as doenças que problemas no esgoto podem trazer estão febre tifoide, hepatite, diarreias agudas e leptospirose. Para evitar o aumento no número afetados por essas patologias, além de manter boas práticas de higiene no dia a dia, desentupir o esgoto e manter a rede hidráulica da casa funcionando é uma forma de evitar a disseminação dessas doenças. 

Conheça as doenças que podem ser disseminadas pelo esgoto

Segundo a Companhia Ambiental de São Paulo (Cetesb-SP), doenças de veiculação hídrica são aquelas causadas pela presença de microorganismos na água. Por esse motivo, problemas no esgoto estão como uma das formas de transmissão dessas enfermidades, assim como a água utilizada na higiene e no consumo.   

Febre tifoide, hepatite, diarreias agudas e leptospirose são citadas pela Secretaria Municipal da Saúde de Curitiba como as principais doenças de veiculação hídrica no Brasil. Cada uma delas apresentam sintomas, transmissões, diagnósticos e condutas para tratamentos diferentes e que devem ser conhecidas pela população para evitar possíveis surtos. 

Febre tifoide

A febre tifoide, segundo a Secretaria de Saúde do Estado da Bahia, é uma doença bacteriana aguda, causada pela Salmonella enterica do sorotipo Typhi. Essa condição está relacionada à falta de um sistema adequado de água e esgoto, transmitida pela ingestão de água ou alimentos contaminados. 

De acordo com a Secretaria Municipal da Saúde de Curitiba, entre os sintomas da doença estão mal-estar, dores, febre, falta de apetite, problemas intestinais e cardíacos.

Para tratar a febre tifoide, a Secretaria de Saúde da Bahia informa que é necessário manter a hidratação em dia e recorrer a antibióticos. A vacina, por sua vez, é indicada apenas em casos específicos. 

Hepatite

A hepatite também é uma doença que pode ser transmitida pelo esgoto. Segundo a Secretaria de Saúde de Curitiba, essa condição é causada pelo vírus denominado VHA e pode ser transmitida pelo contato com alimentos e água que possuem resíduos fecais com o microorganismo.

A hepatite pode provocar náuseas, vômitos, mal-estar geral, febre, urina escura e fezes esbranquiçadas. De acordo com o Ministério da Saúde, embora exista a vacina para essa doença, a melhor forma de evitá-la é pelo tratamento adequado da água, a manipulação correta de alimentos e reforço nos hábitos de higiene.

Diarreias agudas 

Segundo o Ministério da Saúde, as doenças diarreicas agudas (DDA) são um grupo de patologias infecciosas gastrointestinais caracterizadas por uma síndrome em que há ocorrência de, no mínimo, três episódios em 24 horas. Além do aumento de evacuações, as DDA também podem vir acompanhadas de náuseas, vômito, febre e dor abdominal.

De acordo com a Secretaria de Saúde de Curitiba, essas doenças podem ser causadas por diversos microorganismos como E. coli, giardia, rotavírus e salmonela. Já a forma de transmissão ocorre via fecal-oral. 

Leptospirose

A leptospirose, segundo o Ministério da Saúde, é uma doença infecciosa transmitida a partir da exposição direta ou indireta à urina de animais infectados. A enfermidade é causada pela bactéria Leptospira, presente nas fezes de roedores e outros bichos.

Essa doença pode causar diversos sintomas. A Secretaria de Curitiba destaca febre, mal-estar geral, cefaleia, anorexia, náuseas, vômitos e mialgia como os principais sinais. 

O tratamento é realizado com uso de medicamentos específicos capazes de amenizar os efeitos da doença. 

Saiba como evitá-las

De acordo com a Cetesb-SP, as doenças de veiculação hídrica podem ser transmitidas facilmente pelo esgoto e, por esse motivo, podem causar surtos e atingir proporções de epidemias. 

Para minimizar os riscos de disseminação, existem algumas medidas que podem ser adotadas no dia a dia. Cuidar da rede de esgoto da residência é uma das principais. 

Ter atenção aos restos de comida na pia, para que não entupam a tubulação, ao descarte de objetos no vaso sanitário e aos fios de cabelo que podem descer pelo ralo são alguns exemplos de como evitar problemas na rede de esgoto residencial. Além disso, contratar uma desentupidora para realizar serviços preventivos também pode ajudar a frear os casos de doenças de veiculação hídrica. 

Por fim, cultivar hábitos de higiene com o próprio corpo, a casa e os alimentos ajuda a manter longe os microorganismos causadores dessas enfermidades.