Repostei no Tik Tok, um vídeo no qual uma garotinha, vestida de dama de honra, faz sua entrada no casamento, aparentemente bastante insatisfeita, dizendo as seguintes palavras: “Minha mãe e meu pai me obriga”. Diante de tal situação e da forma como a criança se posiciona, os convidados caem na gargalhada. Em poucas horas o vídeo viralizou e inúmeros comentários chamaram a atenção para a atitude da pequena daminha. 

Enquanto muitas pessoas citam que a criança foi mal educada, mimada e que precisa de limites para entender que não pode fazer apenas o que quer. Outras, destacaram o lado cômico da sinceridade extrema da bela protagonista. E ainda tivemos aqueles que entendem que, se não era da vontade dela estar ali, não poderia ter sido obrigada a fazer o que não queria.

Porém, considerando os comentários deixados na postagem, sem fazer juízo de valor, já que não temos o total conhecimento de todo o contexto por traz do vídeo, a reflexão sobre o comportamento humano torna-se inevitável. Afinal, nem sempre paramos para pensar em pequenos detalhes do dia-a-dia que, podem gerar ecos, positivos ou não, na construção de uma vida adulta. 

Sem sombra de dúvidas, é claro que toda criança precisa de limites, regras e rotinas. O respeito, o caráter, a honestidade e os valores são fundamentais para que ela também compreenda que nem tudo é permitido, e que, em muitos momentos da vida, ela não vai ter o que deseja. Vai se sentir frustrada sim e está tudo bem. Afinal, são em momentos difíceis e desafiadores que temos a oportunidade de crescer e evoluir enquanto seres humanos que somos.

Além disso, a vida não é feita apenas de episódios coloridos e divertidos. Pelo contrário, ela nos confronta e cobra atitudes embasadas na responsabilidade, na ética, na empatia e na consciência. A autoridade, dos pais ou responsáveis ou de quem quer que seja, precisa ser respeitada e validada, ou estaremos criando apenas indivíduos tiranos, perversos, manipuladores e tóxicos.

No entanto, também não podemos fechar os olhos aos sentimentos e emoções de nossos filhos. Sabemos que nem tudo é negociável, mas escutar nossas crianças também faz parte de um processo de aprendizado e autoconhecimento, tanto para elas, quanto para os adultos. Já que todos possuímos sentimentos.

Permitir que a criança se expresse e possa desfrutar de um diálogo respeitoso, facilitará a comunicação e abrirá caminhos para uma melhor compreensão do que possa ser correto, aceito ou não, ao longo de sua trajetória de vida. Do contrário, teremos uma infância marcada por infinitas castrações, tendendo a gerar indivíduos amargurados, introspectivos, submissos ou até mesmo, motivados por traumas psíquicos na fase adulta.

Enfim, a lição aprendida está em não romantizar os excessos. Um adulto mentalmente saudável deve ter, na infância, bases sólidas no limite, respeito e diálogo contínuo, para uma formação sadia de seu caráter e personalidade. Sendo permitido a criança, exercer seu direito a dizer “não” sem se sentir censurada.

Visto que, respeitar, ter empatia pelo próximo, compreender e valorizar sua essência sem ferir o mundo ao redor, certamente, também contribuem de forma decisiva e bastante positiva, para a formação de seres humanos mais equilibrados e seguros nas tomadas de decisões ao longo da vida.

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Dra. Andréa Ladislau  / Psicanalista