Foto: Joshua Miranda

Um problema enfrentado em todo o mundo, as fake news têm se tornado cada vez mais presentes nos debates políticos e sociais sobre o que se trata da liberdade de expressão e o que é disseminação de notícias falsas. O tema tem sido amplamente discutido no que diz respeito ao modus operandi dos veículos de comunicação.

Com a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) das Fake News, o combate à disseminação das notícias falsas se tornou uma das preocupações do Estado. Em ano eleitoral, esse assunto é prioridade nos trabalhos do Senado.

“O avanço da tecnologia embalou uma verdadeira revolução digital no mundo”, explicou Márcio Coimbra, presidente da Fundação da Liberdade Econômica (FLE). “A multiplicidade de formas de comunicação permitiu que pessoas comuns pudessem criar as suas próprias análises políticas e reflexões”, completou.

Coimbra examinou as principais discussões sobre o tema juntamente do cientista político e especialista em Processo Legislativo Avançado, Ismael Almeida. A conversa aconteceu no #37 episódio do podcast Liberdade em Foco, disponível no site da instituição e no Spotify.

Apesar de ser um assunto recente, Almeida considera que a prática é antiga. “Não podemos considerar que as pessoas não tinham opinião própria sobre tudo. Elas recebiam a informação de uma fonte e faziam o seu juízo de valor”, disse.

Contrastando com as possibilidades que os antigos meios de comunicação permitiam, as redes sociais trouxeram certo poder aos cidadãos. “A diferença é que agora eles têm condições de expressar as opiniões que sempre tiveram sobre os fatos que lhe chegavam ao conhecimento”, comentou o expert.

Este novo cenário balançou as estruturas de um antigo agente do jornalismo. Os formadores de opinião e comentaristas viram o seu monopólio de narrativa ser perdido daquilo que seria contado à sociedade.

A situação foi abordada pelo Cientista Político, “os meios de comunicação devem noticiar os fatos de forma neutra. O grande erro que vejo acontecer é que a visão destes tende a ser imposta na sociedade como verdade”, afirmou. 

A prática de combate, que deve ser adotada pelos cidadãos, também precisa ser considerada no dia-a-dia das redações jornalísticas. Para além das fake news, os veículos devem anunciar quando o seu posicionamento está presente na divulgação das notícias. Como destaca Coimbra:

“Necessitamos de honestidade intelectual. As pessoas precisam saber que estão vendo uma notícia dentro de um determinado viés inserido em um espectro ideológico. Não se pode vender independência quando se entrega imparcialidade”, disse.

A erradicação da divulgação de notícias que não condizem com a realidade deve ser compreendida como uma prática ilegal. No entanto, esta não pode ser confundida com a limitação da liberdade de expressão do cidadão. O que é tratado pelo especialista da FLE.

“O grande problema nisso tudo é que não se pode cercear o direito de liberdade do cidadão. Já existem mecanismos legais para que, uma vez detectada que se trata de uma notícia falsa, haja uma reparação por parte da Justiça”, esclareceu ele.

Dentro deste âmbito, segundo Almeida, há um aspecto que precisa ser observado na Comunicação: as agências de checagem de informações. Ele considera que a atribuição deste poder à determinada instituição acaba criando um “ministério da verdade”. O que ele questiona, “quem pode dizer o que é ou não uma verdade?”.

Combate às fake news como palanque político

Durante a entrevista, tanto o presidente da FLE como o especialista da instituição, concordaram que o combate às fake news pode ser usado pelos políticos como estratégia de campanha nas eleições deste ano.

Como prova disso, durante o andamento da CPI das fake news à época do início da pandemia, os políticos orquestraram a comissão como uma manobra para se destacar dentro do debate político.

“Não acredito que ela (a CPI) vá trazer maiores contribuições para o combate às notícias falsas e considero perigoso que ela seja utilizada como embate eleitoral. A comissão poderia retornar após as eleições e aí sim analisar como aconteceram as campanhas”, opinou Almeida.

Apoiando a fala do colega, Coimbra concluiu que “o tema é um dos maiores pleitos de 2022, principalmente, por vivermos tempos de polarização política. O Brasil tem se esforçado para que isso contamine as relações pessoais e a imprensa. Todos desejam poder ter o acesso à informação de uma maneira neutra e assim exercer o seu direito ao voto”, expôs.

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